cicatriz no couro cabeludo

Cicatriz no couro cabeludo: causas, riscos e tratamento

Por menor que seja, uma cicatriz no couro cabeludo pode ser fonte de desconforto e incômodo, especialmente quando ela é decorrente de procedimentos estéticos realizados para melhorar a aparência.

O aumento do interesse por cirurgias plásticas como o brow lift, lifting facial ou mesmo transplantes capilares tem colaborado para um maior número de complicações envolvendo o couro cabeludo, incluindo cicatrizes inestéticas.

O que é uma cicatriz?

A cicatriz é a forma que o organismo encontra para reparar tecidos lesados. No entanto, nem toda lesão ou machucado na pele deixa cicatriz.

A cicatriz só se forma quando o ferimento atinge uma determinada profundidade na pele, não sendo a mesma para todas as áreas.

Para tentar esclarecer qual a profundidade que um corte deve ter para deixar uma cicatriz foi realizado um estudo na região do quadril de voluntários. Os resultados do estudo mostraram que a profundidade média necessária para que um corte deixasse cicatriz naquela área foi de 0,56 milímetros ou, seja, 33,1% da espessura da pele do local.

Esse valor pode variar dependendo da parte do corpo e mesmo de pessoa para pessoa.

Por isso cortes leves, arranhões ou esfoliações superficiais geralmente não deixam cicatriz.

A cicatriz é composta por uma grande quantidade de colágeno, razão pela qual ela costuma ser mais dura e brilhante do que a pele normal.

Quando a quantidade de colágeno é exagerada, formam-se cicatrizes inestéticas, que podem ser:

  • Cicatriz hipertrófica: cicatriz elevada, mas que ainda respeita o formato e os limites laterais do corte. Costuma ser autolimitada, com regressão espontânea ao longo de 1 a 2 anos.
  • Quelóide: massa de crescimento exagerado que se forma a partir da lesão na pele, não respeitando seus limites. O quelóide não regride sozinho e tende a recorrer após tentativa de removê-lo cirurgicamente.

A formação da cicatriz hipertrófica ou do quelóide pode ocorrer em qualquer raça e em ambos os sexos.

O quelóide aparece somente em humanos, sendo mais comum em descendentes de africanos ou de asiáticos.

Algumas áreas são mais propensas ao desenvolvimento de quelóide como: orelha, especialmente o lóbulo, pescoço, costas, ombros e peito.

Apesar de incomuns, cicatrizes hipertróficas e quelóides também podem aparecer no couro cabeludo, particularmente na nuca de pessoas de pele mais escura.

Por que se forma cicatriz no couro cabeludo?

Assim como em outras partes do corpo, lesões no couro cabeludo também podem evoluir com formação de cicatriz.

Apesar de não se saber a profundidade exata do corte para que se forme uma cicatriz no couro cabeludo, é possível se ter uma idéia.

Segundo estudos, a espessura do couro cabeludo diminui com a idade, sendo de 8 mm na terceira década de vida e de 5 mm aos 90 anos.

Sendo assim, considerando-se o estudo realizado na pele do quadril onde lesões que comprometeram 1/3 da espessura da pele provocaram cicatrizes, pode-se projetar que cortes com mais de 2 mm de profundidade possam deixar uma cicatriz no couro cabeludo.

Onde tem cicatriz nasce cabelo?

A pele do couro cabeludo normal contém milhares de pequenas estruturas chamadas folículos capilares.

Cada folículo, também conhecido como bulbo capilar ou raiz do cabelo, é responsável pela produção e renovação de um fio de cabelo.

Os folículos capilares se localizam a uma profundidade média de 3 a 5 milímetros da superfície.

Para que o fio de cabelo se renove é preciso que ele mantenha algumas estruturas fundamentais como o bulge capilar.

O bulge é a região do folículo onde se encontram as células-tronco capilares, que funcionam como sementes necessárias para que os novos fios sejam formados.

Esse reservatório de sementes fica localizado na base do músculo piloeretor, um pequeno filete muscular que se liga ao bulbo capilar e é responsável por eriçar o pelo ou cabelo.

Segundo estudos, o ponto de inserção do músculo piloeretor no folículo e, portanto, o local do bulge capilar fica a 1,65 mm de profundidade na pele do couro cabeludo.

Sendo assim, cortes com mais de 1,5 mm de profundidade podem causar perda definitiva do fio de cabelo no local.

Portanto, geralmente onde tem cicatriz não nasce cabelo.

E no corpo, nasce pelo em cicatriz?

Apesar da regra geral ser de que não nasce pelo na cicatriz, existem casos excepcionais em que houve um crescimento anormal de pelos estimulados por cicatrizes do corpo.

Um desses casos foi descrito em 2009 no rosto de um paciente chinês que sofreu uma queimadura do lado esquerdo da face.

Após cicatrização, notou-se um aparecimento anormal de pelos ao redor das cicatrizes.

Essa possibilidade já havia sido levantada por um artigo científico da Nature, uma das mais importantes revistas de ciência e medicina.

No artigo, eles explicam possíveis motivos para que a lesão na pele provoque estímulos à produção de novos pelos.

Aliás, esse é um dos princípios de procedimentos usados para tratamento da calvície como o microagulhamento capilar, intradermoterapia ou mesoterapia e plasma rico em plaquetas (PRP).

Quais as causas de cicatriz no couro cabeludo?

Assim como outras áreas do corpo, a pele do couro cabeludo também está sujeita a cortes e portanto, cicatrizes.

O trauma, entretanto, não é única causa de formação de cicatriz no couro cabeludo.

Elas podem surgir por doenças e outras condições associados ao cabelos.

As principais causas de cicatriz no couro cabeludo com perda de cabelo são:

  • Trauma provocados por batidas em quinas ou locais pontiagudos;
  • Acidente com material pérfuro-cortante, ou seja, tesoura, faca, estilete, navalha ou caneta capilar.
  • Cirurgias no couro cabeludo: seja cirugia plástica ou para retirada de lesões como o câncer de pele. Geralmente ocorrem quando há deiscência de sutura ou cicatrização por segunda intenção;
  • Queimadura química ou térmica do couro cabeludo;
  • Alopecia de tração: penteados ou tranças apertadas, mega hair, tricotilomania;
  • Escalpelamento;
  • Transplante capilar: principalmente com a técnica FUT, mas também com a FUE;
  • Implante capilar de fios sintéticos;
  • Radioterapia no couro cabeludo;
  • Alopecias cicatriciais: liquen planopilar, alopecia frontal fibrosante, lupus discóide, alopecia central centrífuga, foliculite decalvante, foliculite dissecante, foliculite queloidiana da nuca.

Quais os riscos de se deixar uma cicatriz no couro cabeludo?

Mesmo que a pessoa não se incomode com o aspecto cosmético do risco no cabelo, não é aconselhável deixar uma cicatriz exposta na cabeça.

Isso porque uma cicatriz no couro cabeludo é um fator de risco isolado para o desenvolvimento de câncer de pele.

Só o fato de ser um um tecido cicatricial, com fibrose, já predispõe à transformação maligna.

Por se tratar do couro cabeludo, esse risco se torna ainda muito maior, uma vez que esse é o local do corpo mais exposto à radiação solar.

Portanto, seja pelo caráter estético ou por possíveis implicações à saúde, é recomendado sempre que possível buscar tratamento para cicatrizes no couro cabeludo.

Tratamento da cicatriz no couro cabeludo

Não é infrequente que pacientes procurem ajuda médica para lidar com os efeitos de ter uma cicatriz no couro cabeludo.

Além do próprio aspecto da cicatriz, a falta de cabelo no local e, às vezes, até ao redor deixa a falha ainda mais evidente, causando incômodo.

Felizmente há boas opções terapêuticas para restaurar os cabelos e reparar a cicatriz no couro cabeludo.

Essas incluem desde cirurgias até produtos e métodos não-cirúrgicos de reconstrução capilar.

Produtos para camuflagem capilar

O método mais simples e barato, pelo menos a curto prazo, de cobrir uma cicatriz no couro cabeludo é usar uma maquiagem capilar.

Existem diversas marcas e opções de produtos voltados para disfarçar as falhas no cabelo.

Os principais produtos são formados por pós de fibras capilares sintéticas que se depositam cobrindo o risco no cabelo formado pela cicatriz.

Entre as desvantagens do método estão:

  • necessidade constante de reaplicação do produto;
  • possibilidade de sair ao molhar o cabelo;
  • dificuldade de aplicar em superfícies verticais como a nuca.

Micropigmentação capilar

A micropigmentação capilar ou tricopigmentação é uma técnica de cobertura de áreas de alopecia com tatuagens que simulam os fios de cabelo.

Por esse método, pigmentos de tinta são injetados na derme, ou seja, na porção média da pele, através de máquinas especializadas.

A micropigmentação capilar pode ser uma ótima opção de correção da cicatriz no couro cabeludo formada pelo transplante capilar, seja pela técnica FUT (cicatriz linear na nuca) ou FUE (pequenas cicatrizes ao redor da cabeça).

Devido à diferença de cor que ocorre principalmente com a perda gradual da tinta com o tempo, no entanto, não é aconselhável usar a micropigmentação capilar para cobrir áreas grandes, sejam elas provocadas pela alopecia ou por uma cicatriz no couro cabeludo.

Cirurgia reparadora

Existem diversas técnicas cirúrgicas para retirar a cicatriz do couro cabeludo e reconstruir a área sem cabelo.

As principais cirurgias usadas para correção cirúrgica da cicatriz do couro cabeludo são:

  • Excisão e sutura: retirada da cicatriz com fechamento borda a borda, geralmente usando sutura tricofítica. A sutura tricofítica é um técnica em que o corte e a sutura são feitos de forma angulada para acompanhar a inclinação dos folículos na pele. Trata-se de uma boa opção para correção de cicatrizes lineares finas, como as deixadas nas áreas doadoras de transplante capilar com técnica FUT.
  • Retalhos cutâneos: técnicas cirúrgicas que buscam reparar a cicatriz no couro cabeludo por meio da movimentação de áreas capilares ao redor da cicatriz. Indicada para reparação de cicatrizes pequenas ou médias, geralmente de formatos não lineares.

Implante capilar: reposição de fios sintéticos

O objetivo do implante capilar é corrigir somente a falta de cabelos e não a cicatriz no couro cabeludo.

Como o implante capilar é feito com material sintético, geralmente fios de náilon, eles costumam ter menor rejeição do que os transplantes em cicatrizes.

A colocação dos fios sintéticos é feita a partir de pistolas que introduzem os fios na profundidade da pele, mantendo-os presos por alguns anos.

Assim como acontece com outros métodos de reconstrução capilar, há diferentes opções de implante capilar, sendo um delas o Hairstetics.

Entre as desvantagens do método estão o custo elevado e os possíveis efeitos colaterais.

Além de infecções, o constante trauma provocado por implante capilares sintéticos podem predispor ao aparecimento de cânceres de pele, como o carcinoma espinocelular.

Transplante capilar

Assim como no implante, o foco do transplante capilar é corrigir a falta de cabelos na cicatriz do couro cabeludo.

Diferentes técnicas têm sido desenvolvidas, sendo as principais a FUT e a FUE.

Na FUT, a coleta de unidades foliculares é feita a partir de uma tira do couro cabeludo da nuca.

Foi por muito tempo a técnica de transplante capilar mais usada, sendo por isso, estigmatizada através da temida cicatriz no couro cabeludo da nuca.

O maior grau de rejeição à técnica FUT justamente pela cicatriz linear inestética fez crescer o interesse pela técnica FUE.

Na FUE, a coleta de folículos capilares é feita individualmente usando-se micropunch ou o robô Artas.

Já o enxerto, ou seja, a colocação dos folículos na área sem cabelo, é feito com uma pinça muito delicada ou com uma caneta implantadora como a Implanter (método DHI ou Choi).

Tanto o punch como a caneta tem diferentes diâmetros de corte, o que permite trabalhar com mais unidades foliculares ao mesmo tempo.

Entretanto, quanto maior o corte, maior o risco de deixar cicatrizes aparentes nas áreas doadoras também.

Assim, apesar de possuir diversas vantagens em relação à FUT, a FUE não é isenta de riscos.

Reconstrução não-cirúrgica: próteses capilares

Quando a cicatriz do couro cabeludo é muito extensa, os tratamento cirúrgicos costumam ser inviáveis por produzirem um resultado não natural.

Nesses casos, a opção mais interessante para reconstrução capilar da cicatriz do couro cabeludo é o uso de próteses.

Existem diversas técnicas e produtos para cobrir a área calva. Essas incluem desde opções mais simples e baratas como as perucas, feitas com tela e fixadas com presilhas ou por entrelaçamento, até sofisticadas próteses capilares parciais produzidas sob medida com materiais diferenciados e biocompatíveis.

Além de permitir a reconstrução capilar da área de cicatriz no couro cabeludo, as próteses parciais oferecem uma proteção contra radiação solar, reduzindo o risco de câncer no couro cabeludo.

Cicatriz no couro cabeludo: o que fazer?

O cabelo tem um importante papel na imagem e na autoestima das pessoas.

Por isso, manter os cabelos saudáveis e prevenir a perda de cabelos faz parte das preocupações de indivíduos de várias idades e gêneros.

Acidentes, cirurgias, procedimentos ou doenças capilares podem deixar uma marca aparente na cabeça.

Às vezes descrita como risco no couro cabeludo, a cicatriz pode afetar a aparência e autoestima da pessoa, além de aumentar o risco de desenvolver câncer de pele no local.

Portanto, seja pelo aspecto estético ou de saúde, é recomendado que se faça uma avaliação de toda marca ou cicatriz no couro cabeludo.

Dessa forma, é possível prevenir problemas mais sérios futuros.

Se você tem uma cicatriz no couro cabeludo, seja por trauma ou cirurgia, saiba que existem técnicas eficazes de correção.

Quer saber qual a opção mais indicada para o seu caso? Faça-nos uma visita?

A Clínica Doppio possui uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície. Além disso, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.

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