Couro cabeludo vermelho: causas e tratamento
Muitas pessoas se assustam quando percebem estar com o couro cabeludo vermelho.
A mudança de cor da pele logo remete a uma inflamação e possível doença no local.
Além disso, a vermelhidão do couro cabeludo frequentemente vem acompanhada de ardência, dor, coceira, caspa, espinhas ou feridas.
Aliás, o couro cabeludo costuma ficar rosado ou vermelho antes de aparecer esses outros sinais ou sintomas.
Assim, para evitar maiores incômodos e complicações, é interessante ficar atento à percepção de mudança na tonalidade do couro.

Principais motivos para se ter o couro cabeludo vermelho

Situações diversas podem levar à vermelhidão do couro cabeludo. Algumas delas serão descritas a seguir.

1. Dermatite seborreica

A seborreia é uma das causas mais comuns de couro cabeludo vermelho.
A vermelhidão, no caso, se deve à inflamação da pele, geralmente associada ao excesso de oleosidade e fungos.
Em pessoas com tendência a essa dermatite, o suor e o sebo acumulados no couro tendem a agravar a situação.
Além disso, alguns hábitos associados à rotina capilar também podem piorar o quadro.
É o caso, por exemplo, de dormir com o cabelo úmido ou usar boné frequentemente.
Ao manter o couro úmido e abafado por muito tempo, cria-se uma condição favorável à proliferação de fungos.
Esses, por sua vez, desencadeiam uma reação inflamatória do organismo na tentativa de conter o seu aumento.
O resultado é o couro cabeludo vermelho e inflamado, com caspa, coceira dor e até queda de cabelo.

2. Psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória da pele relativamente comum.
Os principais locais de acometimento dessa condição são os cotovelos, joelhos, região lombar, unhas e couro cabeludo.
Na cabeça, as lesões costumam ser descritas como placas vermelhas recobertas por escamas prateadas.
Os pacientes também se queixam de sangramento fácil ao coçar ou ao tentar arrancar as escamas.
Na psoríase, tanto o couro cabeludo vermelho quanto às escamas e o sangramento se devem a alterações na estrutura da pele decorrentes da doença.
Por causas ainda não totalmente conhecidas, a superfície da pele fica grossa formando escamas.
Além disso, os vasos aumentam de calibre e ficam mais superficiais, facilitando o sangramento.

3. Infecção ou infestação

Diversos tipos de infecções podem deixar o couro cabeludo vermelho.
A micose do couro cabeludo ou impinge, por exemplo, é uma possível causa de vermelhidão no couro cabeludo de crianças.
Essa doença é causada por fungos adquiridos pelo contato com a terra, animais de estimação ou outras crianças infectadas.
Além da vermelhidão, é comum se observar descamação e queda de cabelo provocando falhas na cabeça da criança.
Bactérias como o Staphylococcus aureus também podem deixar o couro cabeludo vermelho.
Além de agravar dermatites preexistentes, como a atópica e a seborreica, essas bactérias ainda podem causar infecção do folículo.
As foliculites do couro cabeludo costumam se manifestar por espinhas muitas vezes dolorosas na cabeça.
Tanto a vermelhidão quanto o pus, no caso, são resultantes da inflamação para combater a bactéria.
Por fim, os vírus são outro agente infeccioso capaz de deixar o couro cabeludo vermelho.
Infecções pelo herpes vírus, principalmente a varicela zoster, podem acometer o couro cabeludo.
No caso do herpes zoster, a doença geralmente se manifesta com aparecimento súbito de bolhinhas d’água sobre uma área avermelhada.
Coceira e dor, muitas vezes intensa, acompanham o quadro.
Caracteristicamente as lesões se restringem a uma metade da cabeça, não se espalhando para o outro lado.
Além das infecções por microorganismos, infestações de piolhos também podem deixar o couro cabeludo vermelho.
É bem típico dessa situação o aparecimento de uma mancha vermelha na nuca, acompanhada de muita coceira.
O reconhecimento de lêndeas ou piolhos nos fios fecham o diagnóstico de pediculose.

4. Irritação por produtos químicos

Um outro motivo comum de se ficar com o couro cabeludo vermelho é por irritação.
A química utilizada na escova progressiva, botox capilar, alinhamento ou outros métodos de alisamento é forte.
Em contato com a pele, ela pode irritar, inflamar e machucar o couro.
Dependendo do tempo e da substância química utilizada, pode até haver queimadura com formação de cicatriz e perda de cabelo.
Tinturas, luzes e mechas são menos agressivas, mas também podem irritar.
Por isso, é sempre bom procurar ajuda de profissionais habilitados e produtos de qualidade para esses procedimentos.

5. Alergia

A alergia, também conhecida como eczema, é outra causa de couro cabeludo vermelho.
O eczema pode ser primário da pessoa ou causado por produtos químicos.

Dermatite atópica

A forma mais comum de eczema primário é a dermatite atópica.
Nesse tipo de alergia, os pacientes costumam ter uma pele mais reativa e sensível.
O quadro, chamado de atopia, engloba outras doenças como a rinite e a asma.
Em todas essas condições, há uma hiperreatividade desencadeada por partículas do meio ambiente, como ácaros, poeira, pólen ou pelo de gato, por exemplo.
Os locais mais afetados no eczema atópico são as áreas de dobras, sendo o couro acometido em quadros mais extensos.
Apesar disso, quando acometido, o couro pode ter vermelhidão e muita coceira, comum nessa condição.

Dermatite de contato

Outra causa de couro cabeludo vermelho por alergia é a dermatite de contato.
Ao contrário da atopia, nesse caso o agente é um produto químico.
Qualquer substância em contato com a pele pode dar alergia. Entretanto, existem alguns compostos com mais poder de dar reação.
Boa parte dessas substâncias, chamadas alergenos, são bem conhecidas.
No couro cabeludo, o composto mais associado à alergia é a parafenilenodiamina (PPD), presente em tinturas.
Além do couro cabeludo vermelho e com coceira, as lesões da alergia à tinta de cabelo também costumam atingir áreas ao redor do cabelo como orelhas, nuca e testa.
A confirmação do diagnóstico é feito através do teste de contato.

6. Alopecia cicatricial

Existem algumas doenças do couro cabeludo capazes de provocar inflamação e perda definitiva dos cabelos.
Na chamada alopecia cicatricial, o processo inflamatório atinge o bulbo capilar, causando sua destruição para sempre.
No lugar do folículo capilar destruído, há formação de fibrose e cicatriz permanente.
Esse é o caso, por exemplo, das seguintes doenças:
  • Liquen plano pilar e sua variante alopecia frontal fibrosante;
  • Alopecia central centrífuga;
  • Lúpus eritematoso crônico ou discóide;
  • Foliculite decalvante;
  • Foliculite abscedante;
  • Foliculite queloidiana da nuca.
Em todas elas, o couro cabeludo vermelho indica atividade da doença, ou seja, ataque e possível perda posterior dos fios acometidos.

7. Rosácea

A rosácea ou acne rosácea, como era erroneamente conhecida, é uma doença cutânea até certo ponto comum.
Nessa condição, de causa ainda não totalmente definida, há uma alteração dos vasos da pele, que passam a ser mais reativos.
Na presença de estímulos como vapor, calor, frio e bebida alcoólica, por exemplo, os vasos se abrem e a pele fica vermelha e quente.
A vermelhidão da pele, no início passageira, pode se tornar fixa e até gerar lesões como pequenas pápulas e espinhas. Daí a confusão com a acne, cujas causas são bem diferentes.
As lesões de rosácea se localizam preferencialmente no centro da face, ou seja, no nariz, bochechas, testa e queixo.
Em alguns casos, elas podem se estender para pescoço e colo. Os olhos também são acometidos.
Apesar de raramente sair dessa área, existem relatos de casos de rosácea como causa de couro cabeludo vermelho.
Aliás, essa seria uma das possíveis hipóteses levantadas para justificar a síndrome do couro cabeludo vermelho.
Dentro dessa síndrome enquadram-se todos os casos de vermelhidão no couro cabeludo sem causa definida.

8. Couro cabeludo vermelho constitucional

Na maior parte dos casos, a vermelhidão do couro denota inflamação no local.
Entretanto, nem sempre é assim.
Pessoas muito claras, classificadas como fototipo 1 e 2, podem apresentar a pele mais rosada.
A vermelhidão, no caso, se deve à facilidade de visualizar o fluxo sanguíneo superficial na pele mais branca.
Pacientes com policitemia, ou seja, aumento dos glóbulos vermelhos do sangue são ainda mais propensos a ter a pele rosada ou vermelha.
Esforços físicos também tendem a deixar a vermelhidão ainda mais evidente.
Ao contrário das outras condições inflamatórias, no entanto, no couro cabeludo vermelho constitucional não costuma haver outros sintomas. Só a cor rosada ou vermelha mesmo, assim como no rosto ou até em outras partes do corpo.

9. Queimadura solar

Pessoas com calvície costumam perceber o couro cabeludo vermelho após exposição solar.
Dependendo do grau de alopecia e do intensidade do Sol, a vermelhidão aparece mesmo após breves atividades ao ar livre.
A pele do couro cabeludo fica vermelha, podendo apresentar uma fina descamação e ardência variável.
Com o tempo, a tendência é a pele ficar progressivamente mais resistente à radiação, tornando-se bronzeada ou escura.
Além disso, pequenas lesões ásperas, vermelhas também vão aparecendo.
Essas lesões, chamadas queratoses actínicas, sinalizam o dano provocado pela exposição crônica ao Sol.
Dependendo da quantidade de lesões, elas também podem dar o aspecto de couro cabeludo vermelho.

10. Câncer de pele

O dano actínico, ou seja, provocado pela radiação ultravioleta do Sol pode provocar mais do que vermelhidão no couro. Ele pode favorecer o desenvolvimento de câncer de pele.
Existem alguns tipos de carcinomas cutâneos capazes de deixar áreas do couro cabeludo vermelho.
Eles incluem alguns tumores primários da pele e ligados ao Sol como o carcinoma espinocelular, basocelular e melanoma.
Linfomas e metástases cutâneas também podem acometer a região e deixar o couro cabeludo vermelho.

Diagnóstico do couro cabeludo vermelho

Para facilitar o reconhecimento da causa da vermelhidão do couro, podemos agrupar as possibilidades de acordo com o sintoma associado.
Esses grupos serão descritos a seguir.

Couro cabeludo vermelho e com caspa

  • Dermatite seborreica;
  • Psoríase;
  • Alergia;
  • Micose ou impinge;
  • Irritação por produtos químicos;
  • Queimadura solar.

Dor e vermelhidão no couro cabeludo

  • Irritação por produtos químicos;
  • Dermatite seborreica;
  • Infecção por herpes zoster;
  • Foliculite bacteriana;
  • Micose do couro cabeludo (Kerion);
  • Queimadura solar.

Possíveis causas de couro cabeludo vermelho e queda de cabelo

  • Dermatite seborreica;
  • Micose ou impinge;
  • Alopecia cicatricial;
  • Alergia ou irritação por produtos químicos;
  • Psoríase.

Couro cabeludo vermelho com feridas: o que pode ser?

  • Câncer de pele;
  • Queimadura solar;
  • Alergia ou irritação por produtos químicos;
  • Dermatite seborreica;
  • Psoríase;
  • Alergia;
  • Micose, piolho ou foliculite bacteriana.

Como tratar o couro cabeludo vermelho?

O tratamento da vermelhidão do couro cabeludo vai depender basicamente da sua causa.
Entretanto, alguns cuidados gerais com o couro cabeludo vermelho podem ajudar a não agravar o problema.
São eles:
  • fugir de receitas caseiras;
  • não testar pomadas e remédios que já tem em casa;
  • evitar coçar com as unhas;
  • não retirar casquinhas ou ficar manipulando a área avermelhada;
  • lavar o couro regularmente com produtos neutros;
  • preferir água fria ou morna para enxaguar os cabelos;
  • restringir o uso de fontes de calor como chapinha e secador quente;
  • ter cuidado ao aplicar química, dando preferência a profissionais experientes;
  • usar boné ou chapéu para proteger o couro do Sol.

Couro cabeludo vermelho: o que fazer?

A cor vermelha do couro cabeludo vem dos vasos sanguíneos que irrigam os folículos.
Em algumas condições, como processos inflamatórios, os vasos ficam mais dilatados, tornando o couro mais vermelho.
Várias condições podem causar inflamação no couro, sendo, portanto, diversas as possibilidades de diagnósticos de um couro cabeludo avermelhado.
Felizmente, as causas do couro cabeludo vermelho podem ser reconhecidas após exame clínico e testes realizados pelo médico.
Por isso, ao se notar vermelhidão persistente do couro cabeludo, procure um médico especialista.
A Clínica Doppio além de possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.
Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.
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Dr. Nilton de Ávila Reis

CRM: 115852/SP | RQE 32621


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11 Responses

  1. Bom dia, por quanto tempo a coceira pode persistir após os piolhos serem retirados da cabeça de uma pessoa adulta?

    1. Olá, Thaís

      A pediculose ou infestação por piolhos (https://clinicadoppio.com.br/piolho-em-adultos-quando-suspeitar/) pode acometer pacientes em diferentes intensidades.
      Como foi explicado no artigo sobre o assunto, tanto o início dos sintomas quanto à melhora dependem da quantidade de piolhos, da sensibilidade de cada pessoa, do grau de inflamação que os piolhos provocam e, claro, do tratamento correto.
      Em geral, após a completa extinção dos piolhos e lêndeas, a coceira melhora em poucas semanas.

    1. Olá, Bruno

      Pode haver áreas vermelhas após o transplante capilar, mas é preciso avaliar se esse é o seu caso.
      Sugiro que retorne ao seu médico para exames.

  2. Bom dia. Me chamo Edna estou com muita queda de cabelo a três anos coceira estou fazendo tratamento com o dermatologista os champus resseca mais os cabelo e não adianta nada não sei mais o que fazer já tomei vitaminas usei vário xampus que o dermatologista passou e nada

    1. Olá,Edna

      Existem muitas causas para queda de cabelo (https://clinicadoppio.com.br/queda-de-cabelo-em-mulheres/) e coceira no couro cabeludo.
      Entretanto, não é possível determinar o motivo da sua queda sem antes passar por uma avaliação médica especializada.
      Somente após check up completo, com análise do fio de cabelo, couro cabeludo e exames de sangue, é possível determinar os motivos da sua queda de cabelo.
      Caso queira mais informações, entre em contato conosco pelo número (11) 38539175.
      Estamos à disposição para ajudá-la.

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