espironolactona para alopecia feminina

Espironolactona: diurético para tratamento da alopecia

A espironolactona é uma medicação de ação diurética usada no tratamento da hipertensão arterial. Apesar de ser pouco prescrita como anti-hipertensivo, é relativamente comum o uso da espironolactona para alopecia feminina.

Espironolactona: indicações médicas

A espironolactona, nome comercial Aldactone, tem sido usada há mais de 30 anos.

Trata-se de uma esteroide sintético com estrutura semelhante à aldosterona, hormônio produzido pela glândula adrenal.

Apesar de estruturalmente semelhantes, espironolactona e aldosterona agem de forma oposta com relação aos eletrólitos e diurese.

Enquanto a aldosterona estimula a eliminação de potássio e retenção de sódio e líquido, a espironolactona retém potássio e elimina água, sendo, portanto, diurético.

Como a retenção de sódio e água estão associadas à hipertensão, justifica-se o uso da espironolactona como anti-hipertensivo.

Além da utilização da espironolactona para controle pressórico, ela também é prescrita em outras condições associadas a hormônios masculinos.

Dentre essas condições, tem-se, por exemplo, a acne da mulher adulta, o hirsutismo, a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e o uso da espironolactona para alopecia feminina.

Alopecia feminina: calvície genética em mulheres

A alopecia androgenética é caracterizada pela progressiva transformação de cabelos grossos e longos em fios finos, curtos e mais claros.

Esse processo, chamado de miniaturização, é responsável pela perda de volume, comprimento e rarefação dos cabelos.

Acredita-se que a miniaturização ocorra devido à combinação de predisposição genética, influência hormonal e outros fatores ainda não completamente elucidados.

A alopecia androgenética acomete tanto homens quanto mulheres, sendo a principal causa de calvície em ambos.

Nos homens, é característico o aparecimento de entradas, da coroa ou mesmo rarefação de toda parte superior da cabeça. 

Por outro lado, a rarefação capilar da alopecia feminina costuma ser mais difusa, com redução de todo o cabelo.

Ao contrário dos homens, que preservam uma faixa de cabelo nas laterais e nuca, em mulheres, cabelos de todas as áreas do couro cabeludo tendem a ficar mais finos e ralos.

Além do aspecto clínico, existem outras pequenas diferenças como, por exemplo, a participação dos hormônios no desenvolvimento da alopecia.

Como funciona a espironolactona para alopecia feminina?

Apesar de ser mais evidente na calvície em homens, a participação de hormônios masculinos também é aceita na alopecia feminina.

Os hormônios masculinos, no caso, a testosterona e derivados, são chamados de andrógenos.

Em mulheres, a testosterona é produzida nos ovários e na glândula adrenal, em menores quantidades do que em homens.

Tanto no sangue de homens quanto de mulheres, a testosterona pode estar livre ou ligada a uma proteína chamada SHBG.

Parte da testosterona livre da circulação sanguínea é convertida em um outro andrógeno chamado diidrotestosterona (DHT).

Além disso, a testosterona que está livre também pode se ligar a receptores celulares, exercendo suas atividades androgênicas.

A ligação da testosterona ou do DHT em receptores androgênicos do bulbo capilar levam à progressiva miniaturização e alopecia em pessoas predispostas.

Apesar desses 2 hormônios se ligarem aos mesmos receptores, o DHT possui maior afinidade por esses receptores, o que leva esse hormônio a ter um maior poder de miniaturização.

Por sua vez, a espironolactona atua tanto na redução da testosterona livre quanto na inibição da ação desses hormônios por competir com eles na ligação aos receptores androgênicos.

Estudos sobre a espironolactona para alopecia feminina

Em 2005 foi publicado um primeiros artigos a revelar dados sobre a eficácia da espironolactona para alopecia feminina.

O estudo, publicado no British Journal of Dermatology, mostrou taxas de 88% de não progressão ou melhora da alopecia nas 80 mulheres tratadas com anti-andrógenos.

Outro estudo, publicado na também respeitada revista científica Journal of the American Academy of Dermatology, reforça os achados anteriores.

Nesse estudo, realizado na Universidade da Califórnia, houve estabilização ou melhora de 74,3% das mulheres que fizeram uso da espironolactona para alopecia feminina.

Por fim, mais um estudo publicado em 2018 encontrou dados semelhantes quando se associou o uso de minoxidil oral e espironolactona para alopecia feminina.

Assim, o que as pesquisas científicas têm mostrado é que a espironolactona pode contribuir para retardar a progressão da alopecia feminina e até mesmo recuperar parcialmente os cabelos em alguns casos de perda de cabelos em mulheres.

Cuidados no uso da espironolactona para alopecia feminina

Apesar de ser uma medicação segura , deve-se ter atenção para possíveis contraindicações e efeitos colaterais da espironolactona.

Efeitos adversos da espironolactona

Os efeitos colaterais da espironolactona dependem da dose da medicação. 

Possíveis efeitos indesejados incluem: queda de pressão, sonolência, cansaço, tontura, dor de cabeça, perda de peso e acúmulo de potássio. Níveis altos de potássio interferem no ritmo do coração, podendo causar arritmias.

Apesar de serem citados em alguns artigos e na bula,  perda de libido e  infertilidade são mais associados ao uso masculino da espironolactona.

Os efeitos anti-androgênicos da espironolactona podem ainda predispor a irregularidade e maior fluxo menstrual, aumento e sensibilidade das mamas.

Além disso, essa medicação é teratogênica e, portanto, deve ser evitada por gestantes ou lactantes pelo risco de má-formação fetal. 

Quanto tempo suspender a espironolactona antes de engravidar?

O tempo necessário para se ter segurança para engravidar depois de interromper o uso da espironolactona não está claro.

Isso porque não há dados científicos consistentes sobre esse tópico na literatura médica.

Dessa forma, em mulheres usando espironolactona em idade fértil, é indicado o uso concomitante de métodos anticoncepcionais.

Para essas pacientes, antes de engravidar, é recomendado que se discuta a programação para retirada da medicação com seus ginecologistas.

Espironolactona para alopecia feminina: considerações finais

Apesar de não ser regulamentada para tratamento capilar, a espironolactona vem sendo usada há mais de 20 anos para tratamento da alopecia feminina, mostrando-se segura mesmo quando usada por longos períodos. 

Em homens, no entanto, a espironolactona não deve ser usada para tratamento da calvície pelo risco de feminilização.

Tanto em mulheres quanto em homens, a alopecia pode ser tratada, com opções mais indicadas para cada um deles.

Para saber qual o diagnóstico correto e a melhor indicação de tratamento para o seu caso, procure um médico especialista.

A Clínica Doppio, além de possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.

Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

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