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Fatores de crescimento para cabelo funcionam?

Diversos produtos para tratamento capilar, sejam eles tópicos, injetáveis ou manipulados, estão usando fatores de crescimento capilar em suas fórmulas. Mas será que eles funcionam?

O que são fatores de crescimento capilar?

O folículo capilar é uma estrutura altamente organizada e sujeita a alterações cíclicas durante seu desenvolvimento.

O ciclo do fio assim como o crescimento dos cabelos são minuciosamente orquestrados por complexos processos moleculares.

A comunicação entre as células para que tudo funcione bem depende de diferentes sinais e estímulos produzidos por células especializadas da pele.

Existem diversas moléculas com essa função no organismo. No geral, elas são conhecidas como citocinas.

Dentre as citocinas temos, por exemplo, os anticorpos, as interleucinas e os fatores de crescimento.

Os fatores de crescimento são peptídeos, ou seja, pequenos conjuntos de aminoácidos, que exercem funções específicas.

Eles receberam esse nome graças a sua participação no processo de proliferação celular.

Assim, os fatores de crescimento podem ser vistos como “mensageiros” do crescimento de determinado tecido, estrutura ou órgão.

Eles não são efetores, ou seja, não são as estruturas responsáveis pela proliferação celular, sendo apenas sinalizadores.

Além disso, apesar do nome sugestivo, eles nem sempre são estimulatórios.

Eles também podem inibir alguns processos da diferenciação celular, dependendo da sua interação com a célula ou com outras citocinas.

Dessa forma, os fatores de crescimento capilar são moléculas que sinalizam a sequência correta para o desenvolvimento e crescimento do cabelo.

Existem diversas “famílias” de fatores de crescimento capilar.

Os principais grupos envolvidos são:

  • Fator de crescimento epidérmico (EGF)
  • Fator de crescimento fibroblástico (FGF)
  • Fator de crescimento transformador beta (TGF-β)
  • Fator de crescimento semelhante à insulina (IGF)
  • Fator de crescimento derivado das plaquetas (PDGF)
  • Fatores de crescimento neural (NGF)
  • Fator de crescimento ligado ao hepatócito (HGF)
  • Fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF)

Como funcionam os fatores de crescimento capilar?

Para que os fatores de crescimento capilar ativem as células do folículo é preciso que eles se liguem a receptores específicos localizados na superfície das células da raiz do cabelo.

Essa conexão induz mudanças na conformação do receptor, o que acaba transmitindo a ação para o interior da célula, dando início a uma cascata de reações bioquímicas que culminam com o crescimento dos fios.

Para ficar mais fácil entender como isso funciona, basta comparar o processo com a partida de um carro.

Os fatores de crescimento capilar, no caso, seriam a chave do carro.

Por sua vez, o receptor das células foliculares seria a fechadura da ignição.

Para que o carro funcione, é preciso que eles se encaixem perfeitamente, assim como nas células foliculares.

Uma vez que se coloca a chave certa na ignição e a gira mudando a posição da fechadura, o carro inicia uma série de mecanismos que dão partida ao carro, possibilitando seu deslocamento.

De modo similar, o encaixe dos fatores de crescimento capilar com os receptores das células foliculares ativam as células da raiz do cabelo a produzirem o fio.

Valendo-se desse conhecimento sobre o papel dos fatores de crescimento capilar no ciclo de vida do fio, alguns procedimentos começaram a ser testados, dentre eles o microagulhamento capilar, a intradermoterapia e o plasma rico em plaquetas.

Microagulhamento capilar

Uma das principais propostas do microagulhamento capilar é facilitar a penetração e ação de fármacos no couro cabeludo.

Além disso, o procedimento também busca criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do folículos. Mas como fazer isso?

A resposta de como o procedimento, na teoria, poderia contribuir para o tratamento da queda de cabelo e calvície envolve justamente os fatores de crescimento capilar.

Em geral, além de promoverem o desenvolvimento de estruturas e órgãos corporais, os fatores de crescimento também são fundamentais para o processo de reparação dos tecidos.

Dessa forma, condições que causem lesões teciduais como cortes, perfurações ou qualquer ferida acabam liberando uma grande quantidade desses fatores.

Afinal de contas, são eles que vão sinalizar e orientar todo o trabalho de cicatrização do local machucado.

Assim, ao promover pequenas microlesões na pele do couro cabeludo com aparelhos como o roller ou o Derma pen, o microagulhamento induz o corpo a liberar os fatores de crescimento capilar nos locais tratados.

Por sua vez, a liberação dos fatores cria um ambiente mais propício ao desenvolvimento dos fios.

Na teoria, tudo parece bem interessante e lógico.

Entretanto, quando se pesquisa sobre o assunto na literatura médica, os dados ainda são escassos e não permitem ter consenso quanto à eficácia e segurança do método.

Da mesma forma como há relatos de sucesso terapêutico, também há artigos apresentando possíveis complicações do procedimento.

Por isso, a opção pela realização do microagulhamento capilar deve ser feita com bastante cuidado e critério.

Intradermoterapia, mesoterapia, microinfusão medicamentosa ou MMP: injeção com fatores de crescimento capilar

Seguindo a linha de raciocínio do microagulhamento, um outro procedimento minimamente invasivo que se vale do conceito de fatores de crescimento capilar é a intradermoterapia.

Também chamada de mesoterapia capilar, microinfusão medicamentosa ou MMP, a técnica consiste não só em criar perfurações na pele, mas principalmente em injetar verdadeiros coquetéis de composições muito variadas diretamente nas áreas falhas do couro cabeludo.

Além de medicamentos como finasterida e minoxidil, também é muito frequente que essas formulações contenham um “pool” de fatores de crescimento capilar.

Na maior parte das vezes, esses produtos são preparados em farmácias de manipulação, segundo receita do médico. Alguns produtos prontos, como o Folliculum, ou FOL-005, por exemplo, também vem sendo testados.

A idéia da intradermoterapia é que os elementos necessários para o crescimento e fortalecimento dos cabelos sejam injetados diretamente na área onde o fio é produzido, ou seja, o bulbo capilar.

Assim como ocorre no microagulhamento, apesar da proposta do procedimento ser interessante, o embasamento científico ainda é insuficiente.

Quando se pesquisa na literatura médica por artigos científicos sobre o assunto, há poucos dados disponíveis.

Boa parte desses estudos relatam, na verdade, complicações como abscessos e mais frequentemente calvície cicatricial definitiva provocada pelo mesoterapia capilar.

PRP: plasma rico em plaquetas

O plasma rico em plaquetas (PRP) é o tratamento capilar com agulhas e injeções que tem se demonstrado mais promissor.

O procedimento consiste em retirar o sangue do paciente, filtrar e separar plasma e plaquetas, para que então a solução possa ser reinjetada nas áreas de rarefação capilar.

O procedimento vem sendo testado principalmente em casos de alopecia androgenética, mas também na alopecia areata, inclusive da barba, e alopecias cicatriciais.

Diversos artigos científicos têm demonstrado resultados interessantes quanto à melhora da densidade e da espessura dos cabelos, principalmente nos casos de alopecia androgenética.

Um desses estudos, inclusive, é brasileiro, e foi publicado em uma importante revista científica americana.

O artigo mostra a melhora da contagem, densidade e da porcentagem de fios em fase de crescimento em um grupo de 26 pacientes tratados aleatoriamente com 4 sessões de PRP ou soro fisiológico.

Além de avaliar os parâmetros tricológicos, o estudo também mediu as plaquetas e fatores de crescimento capilar nos locais aplicados.

Os fatores de crescimento avaliados foram:

  • Fator de crescimento derivado das plaquetas (PDGF)
  • Fator de crescimento epidérmico (EGF)
  • Fatores de crescimento do endotélio vascular (VEGF)

Ao fazer a medição dos fatores de crescimento capilar e contagem das plaquetas após PRP, chamou a atenção dos pesquisadores que esses não aumentaram nos locais após aplicações do plasma, como era esperado.

Sobre esse aspecto, os cientistas justificaram que apesar de nem todos os fatores de crescimento terem sido avaliados, também talvez possam existir outros mecanismos envolvidos na melhora da rarefação capilar, mas que ainda não são conhecidos.

Produtos cosméticos: shampoo com peptídeos aceleradores do crescimento capilar

A indústria de cosméticos, atenta às pesquisas sobre fatores de crescimento capilar, também tem buscado seguir essa tendência.

Assim, há um aumento da oferta de produtos tópicos como loção, cremes e shampoo com fatores de crescimento capilar.

A proposta seria de que o uso desses produtos de beleza pudessem contribuir para o fortalecimento do fios e tratamento de condições como a queda de cabelo.

Entretanto, o real valor terapêutico desses produtos é altamente questionável.

Primeiramente pelo fato de que não há uma padronização, regularização e fiscalização corretas desses produtos.

Dessa forma, é mais difícil comprovar que eles tenham realmente os componentes anunciados.

Segundo, mesmo que estejam presentes, precisaria se testado se eles são absorvidos e tem ação efetiva.

Produtos como shampoo têm contato muito limitado com o couro cabeludo por conta do enxágue logo após seu uso.

Além disso, mesmo que eles estivessem presentes, fossem absorvidos, ainda seria necessário comprovar que eles funcionam.

A busca por artigos sobre esses produtos na literatura médica, no entanto, mostra que não há embasamento científico para justificar seu uso.

Fatores de crescimento capilar funcionam?

Pesquisas têm permitido um grande avanço no conhecimento referente aos fatores de crescimento capilar e suas interações com as células da raiz do cabelo.

Entretanto, ainda há lacunas referentes ao papel de cada um desses fatores na formação, diferenciação e crescimento dos cabelos.

O que os estudos sugerem é que eles possam funcionar como um “booster”, ou seja, um complemento que talvez possa potencializar o efeito de outros tratamentos como o laser, finasterida ou minoxidil.

Portanto, procedimentos envolvendo fatores de crescimento capilar como microagulhamento, intradermoterapia ou PRP não deveriam ser usados como tratamento isolado nem como primeira linha terapêutica para queda de cabelo e alopecia.

Existem tratamentos com maior embasamento científico.

Essas opções terapêuticas incluem medicamentos e procedimentos que já foram bem melhor estudados e se mostraram mais eficientes, seguros e baratos.

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