Imunoterapia tópica no tratamento da alopecia areata

Apesar de ser uma possibilidade terapêutica, o uso da imunoterapia tópica para alopecia areata não é comum.

Entretanto, ela pode ser uma boa opção de tratamento em casos específicos.

O que é a alopecia areata?

A alopecia areata é uma condição dermatológica na qual a queda de cabelo resulta em áreas calvas sem cicatriz.

O início do quadro é abrupto e a queda costuma ser intensa e inicialmente restrita a certas áreas.

Em geral, formam-se rodelas totalmente lisas no couro, barba ou em qualquer outra área pilosa do corpo.

Trata-se de uma doença autoimune, acometendo entre 0,1% a 0,2% da população.

É como se, do nada, o organismo passasse a rejeitar e atacar os cabelos ou pelos de um local específico.

Os motivos para essa “rejeição” não são totalmente claros, mas se cogita a participação de fatores genéticos, ambientais e emocionais.

Em pacientes com areata é mais comum se encontrar outras doenças autoimunes como vitiligo e tiroidite de Hashimoto, por exemplo.

Além disso, também há mais casos de alergia, bronquite, alterações nas unhas, deficiência de vitamina D e psoríase.

Formas de apresentação

A queda capilar pode ser em placas ou difusa, recebendo neste caso a denominação de alopecia areata total.

Quando o acometimento se estende a todos os cabelos e pelos do corpo tem-se a alopecia areata universal.

Mesmo nessa forma, ela não compromete a saúde geral do paciente por ser uma doença autoimune específica dos pelos e cabelos.

Qualidade de vida

Apesar do seu caráter benigno, observa-se um prejuízo à qualidade de vida nos indivíduos com alopecia areata.

Por vezes, a queda de cabelo desencadeia manifestações psiquiátricas, como ansiedade, depressão e alterações de humor.

Tratamento

O tratamento da alopecia areata é desafiador e, às vezes, desapontador.

É verdade que em até cerca de 50% dos pacientes há crescimento espontâneo do cabelo, ou seja, melhora sozinho.

Entretanto, quando não há remissão espontânea, o tratamento pode se tornar difícil.

Um dos principais desafios é a manutenção de resultados satisfatórios no longo prazo devido à alta recorrência do quadro.

Além disso, nenhum tratamento para areata mostra-se eficaz na totalidade dos casos, com respostas muito variáveis.

Dessa forma, é importante saber quando optar por cada um dos tratamentos, incluindo a imunoterapia.

Imunoterapia tópica para alopecia areata

A imunoterapia consiste em uma modalidade terapêutica cujo objetivo é modificar a resposta imune do indivíduo.

Ela vem sendo usada como uma alternativa para tratar doenças imunológicas da pele desde a década de 70. 

No caso da imunoterapia tópica para alopecia areata, a ideia é desviar a atenção do organismo em relação ao cabelo.

Para isso, utiliza-se de aplicações diretamente na pele de ativos altamente imunogênicos, ou seja, capazes de causar reações alérgicas.

Classicamente, os 3 principais ativos em uso para imunoterapia tópica para alopecia areata são:

  • dinitroclorobenzeno (DNCB);
  • dibutilester de ácido esquárico (SADBE);
  • difenilciclopropenona (DPCP) ou difenciprona.

Atualmente o DNCB caiu em desuso devido ao seu potencial de causar mutações genéticas e câncer.

O SADBE é um ótimo sensibilizante para imunoterapia tópica para alopecia areata. Isso porque ele não é se encontra livre na natureza e nem causa reação cruzada com outras substâncias.

Entretanto, ele é instável em solução com acetona, podendo se degradar em horas sob temperatura ambiente.

Já a difenciprona costuma ser o agente sensibilizante de escolha na imunoterapia tópica para alopecia areata.

Os motivos são o preço mais baixo, a estabilidade em acetona e a ausência de absorção sistêmica ou potencial mutagênico.

Em geral, ela costuma ser usada isoladamente, mas também pode ser associada à antralina.

Imunoterapia tópica para alopecia areata funciona?

Alguns estudos científicos avaliam a eficácia da imunoterapia tópica para alopecia areata.

Um desses trabalhos revisou dados de 252 pacientes usando imunoterapia tópica para alopecia areata entre 1978 a 2016. As idades dos participantes da pesquisa variavam de 5 a 61 anos.

No levantamento, considerou-se o uso dos 3 ativos mais comuns da imunoterapia tópica para alopecia areata.

Eles foram usados em diferentes períodos, com resultados e quantidade de participantes distintos.

O DNCB, por exemplo, foi a escolha para 51 pacientes; o SADBE em 140 e a difenciprona em 61.

As taxas de resposta também variaram.

No grupo sob tratamento com DNCB observou-se crescimento capilar em 50,98% dos pacientes.

Já os 140 pacientes em uso de SADBE apresentaram resultados positivos em 45,71% dos casos.

Por fim, a resposta com a difenciprona foi satisfatória em 34,43% dos pacientes.

Considerando-se os 3 grupos de imunoterapia tópica para alopecia areata, 44,05% dos pacientes notaram crescimento capilar de pelo menos 50%.

Nesses casos, observou-se início da resposta entre 12 a 18 semanas.

Entretanto, ao longo dos 38 anos de seguimento, 46% desses pacientes com resultados satisfatórios tiveram recaída e precisaram tratar novamente.

Difenciprona e antralina

Outro estudo sobre o tema foi publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, um dos mais respeitados da área.

Na pesquisa, avaliou-se retrospectivamente a resposta de 47 pacientes ao tratamento com imunoterapia tópica para alopecia areata.

Para fins de análise, os participantes foram divididos nos seguintes 2 grupos:

  • difenciprona: 22 pacientes;
  • difenciprona + antralina: 25 pacientes.

Os resultados antes e depois da imunoterapia tópica para alopecia areata variou bastante entre os grupos.

72% dos pacientes em uso de terapia combinada apresentaram melhora completa do quadro. Já os pacientes em uso somente de difenciprona tiveram resposta de 36,4%.

Efeitos colaterais da imunoterapia tópica para alopecia areata

Assim como na resposta terapêutica, os efeitos adversos da imunoterapia também variam de acordo com o agente sensibilizante de escolha.

Mas alguns desses efeitos são comuns entre eles. É o caso, por exemplo, da coceira, irritação, urticária, foliculite e ínguas. Vitiligo ou outras mudanças de cor também podem ocorrer raramente.

No caso do DNCB, o desenvolvimento de câncer passa ser uma complicação adicional.

Quando optar pela imunoterapia?

Considerando-se a complexidade da alopecia areata e a variabilidade da resposta ao tratamento, torna-se indispensável o acompanhamento médico.

Após uma avaliação completa do quadro e do histórico pessoal de saúde do paciente, o especialista então define o tratamento.

Ainda que novos estudos e medicações resultem em progresso terapêutico da alopecia areata, nenhuma abordagem é universal e definitiva.

A variação nos resultados da imunoterapia tópica para alopecia areata e outros tratamentos disponíveis demanda assistência individual.

Por isso, o seguimento também se faz necessário.

Então, se você que saber se é um candidato para uso da imunoterapia tópica para alopecia areata, faça-nos uma visita!

A Clínica Doppio além de possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.

Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

Dr. Nilton de Ávila Reis

CRM: 115852/SP | RQE 32621


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2 Responses

  1. Olá! Tenho 57 anos. No período próximo aos meus 30 anos de idade eu tive Alopecia Areata no couro cabeludo (tomou uma grande região circular do topo da cabeça – parecia uma caricatura de um Frei) e na barba. Me foi indicado um Clínico / Dermatolgista e ele me falou que a causa ers estresse. Então fiz um tratamento em que consistia em injetar a cada 15 dias, durante 1 ano, um no couro cabeludo e outro no músculo do braço 2 Corticóides: Decadron e Diprospan e Suplemento Multivitamínico nem comprimidos. Ele também me orientou para que eu não me preocupasse com o problema (que eu não ficasse “encucado”).
    Em menos de 1 mês começou a crescer cabelo na área afetada, os pelo eram em sua maioria brancos e com o tempo, pouco menos de 2 meses, os pelos já estava crescendo rápido, fortes e pretos (que era a cor natural do meu cabelo), a partir do terceiro mês já não apresentava as falhas ne no couro cabeludo, nem na região da barba, mas continuei o tratamento até o 11º mês. Infelizmente, faltando 1 mês para concluir o tratamento o médico faleceu, porém nunca mais voltei a ter esse problema.
    Obrigado por me ouvir. Espero que tenha colaborado.

  2. Puxa….Que Alivio…ainda tenho salvaçao para minha Alopecia Areata! Belo depoimento. Gostei das Aplicaçoes dos Corticoides 100% de eficacia. Voce me animou e muito. MUITO OBRIGADO PELO DEPOIMENTO, NEM TUDO ESTA´ PERDIDO. DEUS LHE PAGUE AMIGO.

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