Mau cheiro no couro cabeludo: o que pode ser?
Algumas pessoas se queixam de sentir cheiro no couro cabeludo.
O odor, principalmente quando se trata de um cheiro forte, é muito incômodo para os pacientes.
Dependendo da intensidade, ele pode até vir a afetar a sociabilidade e autoestima, especialmente na adolescência.
Por vezes, o cheiro é tão forte que passa a ser descrito como podre.
Essa condição, conhecida no meio científico como bromidrose, é mais comum nas axilas e pés.
Mas o couro também pode ser sede de bromidrose. Tanto é que até criaram um termo para isso, a síndrome do cabelo fedido.

O que é a síndrome do cabelo fedido?

A Síndrome do Cabelo Fedido é conhecida em inglês como Smelly Scalp Syndrome (SSS) ou Smelly Hair Syndrome (SHS).
A característica principal dessa condição é, claro, o cheiro no couro cabeludo.
O odor, descrito de diversas formas, tem intensidade variável.
Apesar de automaticamente ser associado à falta de higiene, isso não necessariamente é verdade.
Existem outros fatores capazes de provocar o fedor.

Quais as causas do cheiro no couro cabeludo?

Não existe apenas uma causa para se ter odor forte na cabeça.
Diversas são as possibilidades para se estar percebendo o fedor.
Algumas delas são facilmente detectáveis e, por conseguinte, corrigidas.
Outras precisam de uma ajuda profissional.
A seguir serão descritas várias possíveis condições associadas ao mau cheiro no couro cabeludo.

1. Excesso de suor ou oleosidade

Um primeiro fator frequentemente relacionado ao mau cheiro no couro cabeludo é a produção exacerbada de sebo ou suor.
O sebo é produzido pelas glândulas sebáceas; o suor, pelas glândulas sudoríparas.
As glândulas sebáceas fazem parte da estrutura do folículo piloso.
Portanto, elas estão presentes em quase todo o corpo, exceto palmas e plantas.
Devido à quantidade de fios, as glândulas sebáceas se concentram mais no couro cabeludo.
Nesse local, elas são responsáveis por produzir óleos naturais com o objetivo de hidratar e proteger os fios.
Já as glândulas sudoríparas têm sua distribuição dependente do seu tipo: écrinas ou apócrinas.
As glândulas sudoríparas écrinas estão distribuídas pelo corpo, até mesmo na sola e palmas.
Essas glândulas estão presentes desde o nascimento, sendo as grandes responsáveis pelo suor de crianças.
Já as glândulas sudoríparas apócrinas se desenvolvem junto aos pelos durante a puberdade e adolescência. Os locais com mais glândulas apócrinas são axilas, região genital e couro cabeludo.
Não por coincidência, esses são os locais com maior tendência a terem cheiro forte.
A degradação do suor e sebo por bactérias presentes nessas áreas é o principal mecanismo para elas terem forte odor forte.

2. Infecções

Outra possível causa para o cheiro no couro cabeludo são as infecções.
Além de degradar o suor e liberar o fedor, infecções bacterianas podem por si só serem responsáveis pelo odor fétido.
Além das bactérias, fungos também podem causar mau cheiro no couro cabeludo.
A Tinea capitis, conhecida popularmente como impinge ou micose do couro cabeludo, acomete especialmente crianças.
Essa infecção manifesta-se por um placa vermelha, descamativa e de alto relevo no couro cabeludo.
A criança coça e muitas vezes se queixa de desconforto no local.
Geralmente há queda de cabelo na área da placa, deixando-a mais evidente.
Quanto mais inflamada, maiores as chances de se ter um cheiro ruim na cabeça.
Tanto a infecção por fungos quanto por bactérias exige intervenção médica.
Em ambos os casos, o diagnóstico deve ser feito por um médico especialista.
O tratamento do mau cheiro no couro cabeludo nessas situações inclui medicamentos antifúngicos e antibióticos orais.

3. Desequilíbrios hormonais

Os hormônios, especialmente os sexuais, estão diretamente associados à produção do suor e do sebo.
O papel deles é tão importante que eles podem não só alterar a quantidade como também as características dessas secreções.
Portanto, é fácil imaginar que distúrbios hormonais estejam associados ao mau cheiro no couro cabeludo.
Existem situações nas quais naturalmente ocorre uma mudança hormonal, como na puberdade, gravidez ou menopausa.
Aliás, a entrada na adolescência é um grande marco para paciente com bromidrose.
O aumento de hormônios como a testosterona nessa fase leva ao crescimento e desenvolvimento dos pelos.
Junto com os pelos, desenvolvem-se também as glândulas sebáceas e sudoríparas, cujas secreções contribuem para o mau cheiro no couro cabeludo.
Além dessa evolução normal da idade, também é possível haver alguma desregulação hormonal no organismo.
Dentre essas situações estão o uso de anticoncepcionais, condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e uso de esteroides, por exemplo.
Por isso, ao sentir cheiro ruim na cabeça, considere procurar um médico para checar como estão seus hormônios.

4. Estresse 

Assim como hormônios, o estado emocional da pessoa também pode influenciar na sua secreção de suor.
As glândulas sudoríparas são controladas pelo sistema nervoso parassimpático.
A ativação dos nervos desse sistema gera aumento da produção de suor ou hiperidrose.
Por isso, condições associadas ao estresse e ansiedade rotineiramente levam ao aumento do suor.
Não è à toa que existe a expressão popular “estou suando frio” para indicar situações de tensão.
Portanto, o estresse também pode estar associado à produção demasiada de suor e mau cheiro no couro cabeludo.

5. Alimentos que levam ao mau cheiro no couro cabeludo

Alguns alimentos como alho e cebola são classicamente associados à bromidrose, mesmo na literatura médica.
O motivo pelo qual eles contribuem para o mau cheiro do suor seria relacionado à composição desses alimentos.
Acredita-se que substâncias presentes nesses temperos seriam eliminadas junto ao suor, gerando odor.

6. Produtos químicos para o cabelo

Os componentes de alguns produtos capilares podem alterar o cheiro do cabelo e couro.
O formol, por exemplo, exala um cheiro forte característico.
Esse cheiro pode permanecer nos fios por um bom tempo.
Xampus, cremes e fixadores como gel também podem causar mau cheiro no couro cabeludo.
Seja pela sua composição, fragrância ou mesmo por suas propriedades químicas, eles podem ser a chave do problema.
Alguns compostos presentes nesses produtos podem, por exemplo, provocar alterações no pH do couro cabeludo.
Por sua vez, essa mudança pode interferir na proliferação de bactérias e também no cheiro no couro cabeludo.

7. Hábitos capilares ruins

Os odores na cabeça não devem ser sempre associados à falta de higiene.
Isso só estigmatiza pacientes que sofrem com a condição.
No entanto, é preciso investigar se os hábitos e cuidados capilares não estão associados ao mau cheiro no couro cabeludo.
Nesse sentido, algumas práticas prejudiciais incluem:
  • uso prolongado de acessórios como lenços, bonés e toucas;
  • lavar o cabelo com água muito quente;
  • não ter uma rotina adequada de lavagem dos cabelos.
Incomodados com o odor, muitos pacientes acometidos começam a lavar a cabeça com mais frequência e intensidade.
Dependendo das causas do problema, essa atitude não costuma surtir os resultados esperados.
Pelo contrário, ao lavar demasiadamente o couro, pode haver efeito rebote na produção de óleo e cheiro no couro cabeludo.
A lavagem do cabelo não precisa obrigatoriamente ser diária.
A frequência deve se adequar a oleosidade dos fios, atividades do dia-a-dia e a exposição a sujeira, fumaça ou poluentes ambientais.

8. Exposição ambiental

Essa é um causa de mau cheiro no couro cabeludo geralmente ignorada por boa parte das pessoas, inclusive médicos.
Quase ninguém se lembra de perguntar sobre possíveis exposições ocupacionais ou recreacionais durante avaliação do cheiro ruim na cabeça.
Quem convive com fumantes, sabe bem como cheiro do cigarro fica nas roupas.
Da mesma forma como cheiro do ambiente impregna nas roupas, ele também fica no cabelo.
Portanto, deve-se sempre incluir essa possibilidade na investigação do mau cheiro no couro cabeludo.

9. Doenças inflamatórias

A inflamação do couro cabeludo pode causar odor, além de vermelhidão, coceira , espinhas e caspa.
Dentre as doenças inflamatórias associadas ao mau cheiro no couro cabeludo estão a seborreia, dermatite atópica, psoríase, dermatite de contato e foliculites.
A foliculite consiste em uma inflamação dos folículos pilosos, podendo acometer barba, virilha e couro cabeludo.
Ela se manifesta como bolinhas vermelhas ao redor dos fios com ou sem pus.
Dependendo do grau da infecção com pus pode haver um odor forte na cabeça.

Diagnóstico e tratamento para o cheiro no couro cabeludo

Assim como acontece com a queda de cabelo, o cheiro no couro cabeludo pode estar associado a diferentes condições.
Algumas dessas causas são identificadas apenas com uma investigação médica especializada.
Através da avaliação clínica e exames específicos é possível fazer um diagnóstico e definir uma abordagem terapêutica mais satisfatória.
O diagnóstico do mau cheiro no couro cabeludo pode ser feito por meio da anamnese, exame físico e exames complementares.
Dentre os recursos diagnósticos usados para esse fim encontram-se a dermatoscopia, micológico direto, cultura, exames de sangue e até biópsia, em casos selecionados.
Já o tratamento do mau cheiro no couro cabeludo deve ser direcionado as suas causas.
Esse pode envolver produtos capilares específicos como xampus, medicamentos tópicos, remédios orais como antibióticos e antifúngicos, dentre outras abordagens.

Mau cheiro no couro cabeludo: o que fazer?

No reino animal, o odor corporal desempenha um papel importante na defesa contra predadores e sobrevivência.
Em humanos, a percepção olfatória parece ter um papel no sociabilidade e atração sexual.
Apesar dessas funções, o mau cheiro no couro cabeludo tem um forte estigma social associado a ele.
O impacto social e psicológico do odor fétido no cabelo causa confusão e conflito nos indivíduos afetados.
Por mais que se tente ignorar o problema, vai ter sempre alguém te lembrando dele.
Por isso, é importante buscar um médico especialista caso se identifique um cheiro forte na cabeça não amenizado com uma rotina de lavagens do cabelo.
Quando a condição é associada a coceira, feridas no couro cabeludo com ou sem pus, queda de cabelo intensa ou oleosidade excessiva um acompanhamento se torna ainda mais essencial.
A Clínica Doppio além de possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.
Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.
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Dr. Nilton de Ávila Reis

CRM: 115852/SP | RQE 32621


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