Tratamento da alopecia com microagulhamento

Tratamento da alopecia com microagulhamento

O microagulhamento tem sido utilizado como uma nova opção de tratamento para uma série de condições cutâneas. Uma delas é o uso do microagulhamento capilar para casos de calvície e queda de cabelos.

Microagulhamento

O microagulhamento é um procedimento minimamente invasivo amplamente divulgado e cada vez mais popular.

A técnica é baseada na teoria de que a pele, quando levemente perfurada, responde de forma benéfica às lesões.

Assim, o microagulhamento é usado para criar pequenas perfurações e canais que o corpo preenche com colágeno e fibras elásticas. A maior produção de colágeno melhora a textura e firmeza da pele.

Desde que bem indicado, trata-se de um procedimento seguro, de rápida recuperação e com bons resultados.

Dermaroller

Os aparelhos utilizados no microagulhamento possuem minúsculas agulhas de tamanhos variados acopladas a uma caneta ou a um pequeno rolo.

O rolo, ou roller, é o sistema mais utilizado.

Há diferentes formas de dermaroller, com quantidade variadas de agulhas.

Em geral, o número de agulhas varia de 192 a 540 por aparelho.

Cada agulha tem entre 0,5 a 2mm de comprimento e de 0,1 a 0,25m de espessura.

Os aparelhos são descartáveis, não devendo ser reutilizados nem no mesmo paciente.

Técnica de aplicação

Antes de iniciar o procedimento, é importante fazer a preparação com higienização e anestesia do local da aplicação.

Uma vez preparado, inicia-se o procedimento executando movimentos com o roller em diversas direções.

A cada passada, criam-se múltiplas microperfurações no local, com leve vermelhidão e sangramento superficial.

Os orifícios são muito pequenos e mal podem ser percebidos a olho nu.

O sangramento é interrompido em minutos e a vermelhidão desaparece em horas.

As atividades rotineiras do paciente podem ser retomadas no dia seguinte ao procedimento.

Atividades ou situações específicas devem ser discutidas com o médico.

Alopecia androgenética

A alopecia androgenética é a forma mais comum de calvície em homens e mulheres.

Trata-se de uma condição mediada por hormônios masculinos, os chamados andrógenos.

O principal andrógeno associado à calvície é a diidrotestosterona ou DHT, um derivado da testosterona.

Em pessoas geneticamente predispostas, o DHT leva à miniaturização dos fios de cabelo.

A miniaturização é o processo de perda capilar através do afinamento e encurtamento progressivos dos fios.

A calvície é o estágio final desse processo.

O tratamento da alopecia androgenética inclui medicamentos orais, tópicos e laser. Em casos avançados, o tratamento pode ser feito com transplante capilar ou outras técnicas reconstrutivas.

Como funciona o microagulhamento capilar?

O microagulhamento capilar é uma técnica ainda recente, com poucos dados na literatura médica.

Assim, os mecanismos de ação propostos são apenas sugestões, sem comprovação científica.

Uma das teorias seria de que o microagulhamento trabalharia estimulando as células-tronco dos cabelos.

As células-tronco são células indiferenciadas capazes de se transformar em qualquer tipo de célula, inclusive células capilares.

A diferenciação e produção dessas células ocorrem através de vias moleculares ainda não totalmente compreendidas.

A indução dessas vias moleculares para diferenciação das células-tronco seria justamente outra possível ação do microagulhamento capilar.

Um outro mecanismo de possível interferência na dinâmica capilar são os chamados fatores de crescimento.

Os fatores de crescimento são moléculas presentes em diversos tecidos, incluindo a pele.

Eles participam da sinalização e regulação da proliferação celular, necessária para o crescimento e reparação tecidual.

Assim, os fatores de crescimento contribuem da supervisão do crescimento de tecidos como cicatrizes e cabelos.

Nesse sentido, o estímulo à reparação tecidual desencadeado pelas lesões do microagulhamento liberaria fatores de crescimento que poderiam criar um ambiente propício para o crescimento das células foliculares do cabelo.

Além disso, as lesões provocadas pelas agulhas também induziriam a formação de novos vasos sanguíneos, melhorando a irrigação do couro cabeludo.

Por fim, a abertura de pequenos canais da pele ajudaria na absorção de medicações tópicas.

O que dizem os estudos científicos?

Até o momento, há pouca evidência científica sobre o assunto.

O primeiro estudo a avaliar a eficácia do método em humanos foi feito na Índia, em 2013.

No estudo, foram avaliados 100 homens, entre 20 e 35 anos, com alopecia androgenética durante 12 semanas de tratamento.

Todos aplicavam minoxidil 5% tópico 2 vezes ao dia, sendo que metade dos participantes complementavam com sessões semanais de microagulhamento.

Os resultados mostraram uma melhor resposta terapêutica no grupo do microagulhamento mais minoxidil.

Apesar do aparente resultado positivo, os próprios autores reconheceram as limitações do estudo e necessidade de mais pesquisa sobre o assunto.

Além da alopecia androgenética, o microagulhamento capilar também foi pesquisado em casos de alopecia areata.

A alopecia areata é uma doença auto-imune que acomete pelos e fios de cabelo. Nessa condição, há queda abrupta de tufos de cabelo, deixando falhas geralmente circulares no couro cabeludo.

O tratamento mais utilizado para a alopecia areata é com uso de corticóides tópicos ou injetáveis.

O microagulhamento foi utilizado para infusão de corticoide em 2 pacientes na Índia e os casos foram relatados.

Os médicos responsáveis pelo relato dos casos observaram melhora nos casos tratados.

Entretanto, o baixo número de pessoas tratadas, a falta de grupo controle e a tendência à regressão espontânea da alopecia areata são fatores que se não invalidam, pelo menos diminuem em muito o valor científico dos resultados descritos nesse relato de casos.

Microagulhamento capilar: controvérsias

Além da pouca evidência científica, alguns outros pontos pesam contra o uso da técnica de microagulhamento para tratamentos capilares.

Apesar de seguro, o procedimento não é isento de complicações e efeitos adversos. Infecções locais, pequenos hematomas, eritema persistente e até aumento da queda podem ocorrer.

Outra questão a ser respondida é se o procedimento é eficaz.

Os poucos estudos existentes não conseguiram comprovar os benefícios da técnica.

Além disso, caso fosse eficaz, qual seria a melhor opção: somente microagulhamento ou associá-lo à tópicos?

No caso dos tópicos, também ainda há dúvidas se realmente ocorre aumento da absorção com o procedimento.

Apesar de existirem os canais abertos pelas agulhas, o fluxo do sangue que sai das microperfuração pode atrapalhar a absorção de tópicos.

Ainda, em caso de haver maior absorção de tópicos capilares, falta responder quais moléculas seriam seguras e indicadas?

Por fim, uma vez esclarecidas essas e outras questões que possam vir a surgir, ainda há a necessidade de aprovação do procedimento pelas agências reguladoras de saúde.

Até o momento, nem a agência brasileira ANVISA, nem o órgão americano FDA aprovaram o microagulhamento capilar.

Microagulhamento para calvície e queda de cabelo funciona?

A procura por novos e promissores tratamentos para a calvície e queda de cabelos acaba expondo às pessoas que sofrem com essas condições à medicamentos e procedimentos que além de pouco efetivos, podem ser dispendiosos e danosos.

A melhor maneira de se prevenir desse tipo de situação é procurar a orientação correta.

A Clínica Doppio além de possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.

Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

 

6 respostas

  1. Tenho interesse em fazer o microagulhamento capilar, mas tenho
    implante capilar. tem algum problema ou posso fazer sem problema.
    quais seriam os valores. Desde já, obrigado.

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