Minoxidil oral para tratamento capilar: indicações, efeitos e resultados

A prescrição do minoxidil comprimido vem se tornando cada vez mais popular para tratar a queda de cabelo e calvície.

A opção pelo medicamento por via oral facilita seu uso e aumenta a adesão do paciente ao tratamento.

Isso porque é muito mais prático e cômodo tomar um remédio do que aplicá-lo no couro cabeludo todos os dias.

Entretanto, embora essa seja a forma preferencial de parte dos médicos e pacientes, sua indicação ainda não é um consenso.

Minoxidil comprimido x tônico

A primeira aparição do minoxidil foi na década de 1970 como remédio oral para tratamento da hipertensão arterial severa. 

O minoxidil comprimido consegue abaixar a pressão por relaxar e dilatar as paredes dos vasos sanguíneos.

Esse efeito, conhecido como vasodilatador, é o principal mecanismo de ação do remédio como anti-hipertensivo.

A partir do uso do minoxidil comprimido para controle da pressão, observou-se que parte dos pacientes apresentavam hipertricose.

A hipertricose consiste no maior crescimento de fios de cabelo e pelos corporais.

Quando o desenvolvimento dos pelos ocorre em áreas não habituais, denomina-se o quadro de hirsutismo. Nas mulheres, por exemplo, o aumento anormal da pilificação pode ocorrer na barba, bigode, membros ou tronco.

Para reduzir esse e outros efeitos sistêmicos do minoxidil comprimido, pesquisadores então desenvolveram uma versão tópica do produto.

A proposta era concentrar o efeito do medicamento somente no couro cabeludo de homens e mulheres com alopecia androgenética.

Assim, em 1988, o FDA regulamentou o uso do minoxidil loção para tratamento da calvície nos Estados Unidos.

Aliás, por muito tempo essa foi a única forma de uso do minoxidil para alopecia, seja ela masculina ou feminina.

Algumas décadas mais tarde, no entanto, voltou-se a discutir a possibilidade de usar o minoxidil comprimido para cabelo.

Desta vez em doses bem mais baixas, o remédio oral retornou ao cenário como mais uma opção terapêutica.

Qual é a dose do minoxidil comprimido?

O minoxidil oral de referência é o Loniten, disponível em comprimidos de 10 mg.

Entretanto, essa é a dose para tratamento da hipertensão arterial, sendo muito alta para pacientes normotensos.

A dose diária do minoxidil comprimido para tratamento da queda de cabelo ou alopecia fica entre 0,25 mg e 5 mg.

Como essas posologias não estão disponíveis para venda na farmácia, é preciso mandar manipular.

A fórmula, prescrita pelo médico, tem doses variáveis de acordo com a necessidade e tolerabilidade do paciente. 

O modo de uso também depende da prescrição e orientação do médico. Como é manipulado, o prescritor pode preferir uma dose única diária ou fracionar em mais vezes ao dia.

Minoxidil oral funciona?

Desde o seu retorno, o minoxidil comprimido vem ganhando espaço nas prescrições médicas e pesquisas científicas.

Embora ainda não seja unânime, boa parte dos estudos sobre a ação do minoxidil oral apresenta resultados promissores.

Um desses artigos, por exemplo, foi o publicado na revista médica Dermatology and Therapy de 2020.

No estudo envolvendo 30 pacientes com calvície, 100% dos voluntários apresentaram melhora, sendo essa excelente em 43% deles.

Outro trabalho, dessa vez de 2023, também encontrou dados semelhantes quando se comparou o minoxidil comprimido e tópico.

Portanto, pelos dados existentes parece que o minoxidil comprimido funciona para tratamento da calvície, assim como o tônico.

Uma das dificuldades de uso da versão oral, contudo, é lidar com a relação entre dose e efeitos adversos da medicação.

Efeitos colaterais do minoxidil comprimido

Desde o início, um dos maiores entraves ao uso do minoxidil oral para tratamentos capilares foi seus possíveis efeitos colaterais.

Para tentar atenuar essas consequências indesejáveis, médicos e pesquisadores têm testado doses mais baixas do minoxidil comprimido.

De acordo com os estudos, no entanto, essa tentativa ainda não é suficiente para eliminar as complicações da medicação.

Levantamentos da literatura, por exemplo, descrevem diversas pesquisas com minoxidil oral em baixas doses, de 0,25 a 5 mg/dia.

A análise dos dados mostra que embora apresentem resultados favoráveis, os efeitos colaterais estiveram presentes em todos os estudos.

Em alguns casos, inclusive, o incômodo devido a esses problemas levou parte dos pacientes a abandonarem o tratamento.

Dentre as diversas queixas relativas ao minoxidil comprimido, uma das mais comuns é o crescimento de pelos faciais e corporais. 

Segundo a pesquisa, esse efeito é dose-dependente, ou seja, ele se torna mais frequente e intenso conforme se aumenta a dose.

Além disso, o aumento dos pelos por uso do minoxidil comprimido ocorre mais em mulheres do que em homens.

Os estudos mostram chances de desenvolverem pelos indesejáveis variando de 28,9 até 86,8% dos casos.

Além do hirsutismo, outros efeitos colaterais do minoxidil oral a curto e longo prazo são:

  • hipotensão;
  • ganho de peso;
  • inchaço nos pés, pernas, face ou pálpebras;
  • tonturas;
  • dor de cabeça;
  • cansaço;
  • intolerância gastrointestinal;
  • erupção cutânea com coceira;
  • insônia;
  • urticária ou alergia;
  • palpitação;
  • pericardite, derrame pericárdico e insuficiência cardíaca.

Já no caso do minoxidil tópico, as complicações costumam ser mais locais, como ardência, coceira, caspa e dor.

Hirsutismo na face e efeitos adversos sistêmicos também podem ocorrer com o tônico, porém são bem menos frequentes.

Uma outra dúvida comum é se o minoxidil causa disfunção erétil como efeito colateral em homens.

Pois bem, muito pelo contrário, estudos sugerem justamente usar o minoxidil tópico com adjuvante no  tratamento da impotência masculina.

Quando usar o minoxidil oral?

Para maior comodidade dos pacientes,  alguns médicos prescrevem minoxidil comprimido para tratamento da alopecia androgenética masculina e feminina.

De fato, o minoxidil oral se tornou uma alternativa viável para tratamento da calvície.

Porém, nem sempre ele é uma boa escolha. 

Pacientes com pressão baixa, gestantes, lactantes e crianças, por exemplo, não devem usar minoxidil comprimido.

A opção também não é interessante para quem já apresenta alteração da pilificação, como na síndrome dos ovários policísticos.

Mesmo quando não há contraindicações, o uso da medicação deve ser acompanhado de perto pelo médico especialista.

O seguimento é indispensável para minimizar as chances de ocorrem complicações ou efeitos adversos mais graves, como problemas cardíacos.

O especialista também avaliará qual dose diária do minoxidil oral é mais segura e por quanto tempo usar a medicação.

Como todo tratamento, deve-se ponderar possíveis ganhos e riscos de cada opção.

Para saber qual é a escolha mais adequada para seu caso, faça-nos uma visita!

A Clínica Doppio  possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície. Além disso, contamos ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.

Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

Dr. Nilton de Ávila Reis

CRM: 115852/SP | RQE 32621


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6 Responses

    1. Olá, Mirley

      O minoxidil não reverte a queda de cabelo da alopecia areata, mas pode ajudar os cabelos que estão voltando a crescer mais rápido.

    1. Olá, Eduardo

      Obrigado pelo comentário.
      Caso venha a São Paulo, entre em contato conosco pelo número (11) 38539175.
      Estaremos à disposição para poder ajudá-lo.

  1. olá Dr, Gostei muito do artigo.
    Estou fazendo uso de minoxidil de 1 mg via oral em função de Eflúvio Telógeno crônico por 12 meses.
    Quando cessar o medicamento, os fios entrarão na fase telógena depois de um tempo, certo?!
    Perderei todos os fios que o minoxidil me ajudou crescer/não caírem?!
    obrigada

    1. Olá, Angélica

      Obrigado pelo comentário.
      Sua pergunta é bem pertinente.
      Nem todo o cabelo que o minoxidil ajuda a “segurar” cai após a interrupção do seu uso. No caso do eflúvio, às vezes não há aumento algum da queda, desde que as suas causas tenham sido descobertas e tratadas.
      Então, não precisa ter medo de suspender o remédio se essa é a orientação do seu médico.

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