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Que substâncias tóxicas podem causar queda de cabelo?

Não é incomum ver textos de blogs, postagens em mídias sociais e até mesmo reportagens apontando possíveis produtos que agiriam como tóxico para o cabelo.

Realmente, há diversas toxinas associadas a queda de cabelo e alopecia.

Mas para saber se um composto realmente faz mal e é considerado tóxico para o cabelo, é preciso antes conhecer o grau de evidência científica dessa associação.

Queda de cabelo por intoxicação: o que faz mal para o cabelo?

A queda de cabelo ou pelos do corpo pode ocorrer de forma natural ou ser um sinal de alguma doença mais grave.

Seja por enfraquecimento do fio causando sua quebra ou por dano ao folículo capilar, a queda anormal de cabelos é um sinal de alerta.

Quando essa queda se estende a outras partes do corpo como barba, sobrancelhas, cílios ou mesmo pelos do corpo, aumentam-se as suspeitas de possíveis causas sistêmicas, ou seja, algo de dentro pra fora.

Madarose é o termo mais empregado quando a redução de pelos ocorre somente nas sobrancelhas e cílios.

A exposição a toxinas é um dos muitos mecanismo que podem causar queda de cabelos e pelos no corpo.

Em geral, a queda provocada por agente tóxico para o cabelo, principalmente por exposições agudas, é acompanhada de outros sintomas como náusea, vômito, diarréia, cansaço e mal estar. Exposições crônicas podem ainda se manifestar por outras alterações de pele e unhas.

Historicamente, a maior parte dos dados científicos sobre queda de cabelo por intoxicação é focada em metais pesados como tálio e mercúrio.

No entanto, a lista de possíveis toxinas para o cabelo tem aumentado cada vez mais.

Entre os outros elementos também investigados com possível papel de tóxico para o cabelo estão:

  • Suplementos alimentares: vitaminas e minerais;
  • Remédios;
  • Outros: cogumelo, toxina botulínica (botox) e substâncias psicoativas.

Tóxico para o cabelo: envenenamento por tálio

O tálio é um metal pesado sem gosto, sem cheiro e sem cor, capaz de se dissolver completamente em líquidos.

Por conta dessas características, ele é um dos compostos mais usados em envenenamentos criminais.

Dependendo da dose que é utilizada, ele pode permanecer dias até semanas no corpo e causar morte.

Os sintomas da intoxicação por tálio incluem diarréia, náusea, vômito e alterações neurológicas.

Outro sinal do envenenamento por tálio é a presença de linhas brancas nas unhas, conhecidas como linhas de Mees ou leuconíquia estriada. Essas costumam aparecer 1 mês após a ingestão do metal.

O tálio foi muito usado como raticida (chumbinho) e inseticida até ser banido do comércio legal por ser extremamente tóxico e causar problemas ambientais.

Atualmente, ele ainda é usado na produção de alguns componentes eletrônicos, materiais semicondutores e termômetros, além, claro, do uso ilegal para fins criminosos.

Infelizmente, casos de intoxicação acidental ou intencional por tálio continuam a serem reportados no mundo inteiro.

O tálio causa queda de cabelo por se ligar ao grupo sulfidril da queratina, proteína que é o principal componente do fio, impedindo sua formação.

Com isso, o fio cabelo para de ser produzido ainda na sua fase de crescimento e cai, fenômeno conhecido como eflúvio anágeno.

Como consequência, a queda costuma ser muito intensa e abrupta, geralmente 2 a 3 semanas após a intoxicação por tálio.

Queda de cabelo por mercúrio

O mercúrio é um outro metal pesado tóxico para o cabelo.

Assim como o tálio, o mercúrio também se liga ao grupo sulfidrila da queratina, provocando eflúvio anágeno.

Além da queda de cabelo, níveis tóxicos de mercúrio causam sintomas como cansaço, depressão, insônia, irritabilidade, perda de memória, tremores e infecções recorrentes.

O mercúrio é um metal prateado que na temperatura ambiente é líquido e sem cheiro. Quando aquecido, transforma-se em um vapor tóxico.

Esse metal foi muito utilizado na mineração do ouro e prata, sendo ainda usado na fabricação de espelhos, termômetros, lâmpadas fluorescentes, explosivos e amálgama dentário.

Arsênio: veneno tóxico para o cabelo

A intoxicação por arsênio é um questão de saúde global, seja pelo uso intencional em suicídios e homicídios ou pela exposição ambiental e ocupacional.

Apesar de crimes de envenenamento por arsênio serem a forma mais abordada pela mídia, a fonte primária de toxicidade por arsênio na população é por contaminação da água, solo ou produtos alimentares.

O arsênio é elemento químico quase sem gosto ou cheiro, sendo de ocorrência natural na solo, água e alimentos como frutos do mar.

Seu emprego industrial inclui pesticidas, aditivos de ração animal e ligas metálicas.

Classicamente, a intoxicação aguda por arsênio se apresenta com sintomas gastrointestinais seguida de queda de pressão arterial.

Entre os sintomas gastrointestinais observam-se: vômito, diarréia e dor de barriga.

Após 1 a 3 semanas, sintomas neurológicos como formigamento dos pés, dor de cabeça, esquecimento e até convulsão podem ocorrer.

A exposição crônica ao arsênio pode ainda cursar com problemas no fígado, rim e bexiga.

Além disso, o arsênio pode levar ao aparecimento de manchas na pele e das linhas de Mees nas unhas.

Já a associação entre arsênico e queda de cabelo não é tão bem estabelecida como para outros metais pesados.

Há apenas alguns poucos relatos de caso apontando o arsênio como possível tóxico para o cabelo.

Tóxico para o cabelo: ácido bórico

O ácido bórico é encontrado em diversas partes da natureza, sendo também usado nas indústrias de metais e vidros.

Outros empregos do ácido bórico incluem seu uso como inseticida, preservativos alimentares e antissépticos.

Estudos científicos têm apontado o ácido bórico como possível composto tóxico para o cabelo.

Dentre outros sintomas, há descrição de casos de intoxicação por ácido bórico com queda de cabelo e de cílios.

Outros sintomas da intoxicação por ácido bórico incluem distúrbios gastrointestinais, vermelhidão e descamação da pele, confusão mental e alterações neurológicas.

O selênio é tóxico para o cabelo?

Manter um nível adequado de selênio é importante para a manutenção da saúde capilar.

O selênio é um mineral que participa de diversas reações químicas no organismo, muitas delas envolvidas no crescimento e desenvolvimento do cabelo.

Dentre as funções associadas ao selênio estão a síntese de DNA, produção do hormônio da tiróide, preservação da imunidade, reprodução e sua atuação como antioxidante.

Apesar de ser fundamental para a saúde capilar, o excesso de selênio também pode ser tóxico para o cabelo.

A intoxicação por selênio provoca sintomas que se assemelham aos dos metais pesados, com queda de cabelo e formação das linhas de Mees nas unhas.

Outros sintomas da overdose aguda de selênio incluem náusea, vômito, diarréia e distúrbios neurológicos.

O mecanismo proposto para o aparecimento dos sintomas dermatológicos provocados pela selenose envolvem a substituição do enxofre da queratina, com perda das pontes dissulfeto responsáveis pela coesão das proteínas de queratina na unha e cabelo.

Grande parte dos relatos de queda de cabelo por overdose de selênio descritos na literatura médica são pelo uso de suplementos alimentares contendo o mineral.

Casos de consumo exagerado de castanhas também são relatados.

Nesse sentido, uma das principais fontes de selênio no mundo é a castanha do Pará.

Vitamina A: outro nutriente que pode ser tóxico para o cabelo

A vitamina A compreende um grupo de compostos químicos da família dos retinóides.

Fundamental para a saúde do organismo em diversos aspectos, como pele, imunidade e visão, a vitamina A também pode ser um tóxico para o cabelo.

Duas formas de vitamina A podem ser obtidas pela dieta:

  • Retinol: presente no fígado, leite ou derivados;
  • Carotenóides: como o betacaroteno encontrado em plantas.

A intoxicação por vitamina A pode ser derivada do consumo exagerado de alimentos, complexos vitamínicos ou remédios como a acitretina ou a isotretinoína oral, cujo medicamento original é o Roacutan.

O excesso de vitamina A pode causar queda de cabelo ou sobrancelhas, cansaço, mal-estar, perda de peso, alteração nas unhas, descamação da pele, dores musculares, alterações do colesterol e do fígado.

Colchicina: remédio agindo como tóxico para o cabelo

A colchicina é um medicamento prescrito por médicos para tratar doenças como Behçet, amiloidose e gota.

Trata-se de uma medicação capaz de provocar morte por choque cardiogênico ou mielossupressão.

A colchicina inibe a divisão celular, afetando principalmente órgãos e tecidos com grande taxa de proliferação, como a medula óssea, trato gastrointestinal e cabelo.

Além da queda de cabelo, a intoxicação por colchicina se caracteriza por náusea, vômito e diarréia, seguida de supressão da produção de células do sangue pela medula.

A toxicidade por colchicina costuma ser resultado de overdose do medicamento, seja por ingestão acidental ou por tentativa de suicídio.

Outros compostos investigados

Dentre as diversas substâncias estudadas com possível papel tóxico para o cabelo encontram-se ainda um cogumelo e uma droga psicoativa.

O Podostroma cornu-damae é uma espécie rara e altamente tóxica de cogumelo existente no leste asiático.

A maioria dos casos descritos envolve pessoas que fizeram uso inadvertido do cogumelo na preparação de chás.

Além da queda de cabelo, os relatos de intoxicação pelo cogumelo incluem febre, calafrio, desconforto abdominal e descamação nos pés e mãos.

Outro composto descrito como tóxico para o cabelo é o opióide sintético MT-45.

Inicialmente desenvolvido para o tratamento da dor, esse analgésico acabou sendo posteriormente também usado de forma ilegal como droga ilícita.

Além da queda de cabelo, alopecia e madarose, as pessoas intoxicadas pelo MT-45 também apresentaram foliculite, dermatite, danos no fígado e as linhas de Mees nas unhas.

Botox faz cair cabelo?

A toxina botulínica, popularmente conhecida como botox, tem sido cada vez mais empregada na medicina, particularmente no ramo da estética.

Inicialmente utilizado no controle de distúrbios musculares com movimentos involuntários, o botox só ficou realmente famoso depois que começou a ser aplicado para tratamento de rugas.

Outras indicações como controle da enxaqueca, bruxismo, suor excessivo nas axilas e mãos, dentre outras, foram surgindo posteriormente.

Alguns poucos casos na literatura médica descrevem queda de cabelo e madarose em pacientes tratados com toxina botulínica.

Por ser baixa quantidade de casos descritos e por não haver estudos comparativos controlados que avaliem essa associação, não é possível afirmar que o botox é tóxico para o cabelo.

O cabelo que cai por composto tóxico volta a nascer?

Na maior parte dos casos, queda de cabelo não significa perda de cabelo.

A queda pode ou não ser acompanhada de perda definitiva de cabelos, quadro conhecido como alopecia.

Para haver alopecia ou calvície definitiva, é preciso haver destruição das raiz do cabelo, particularmente das células-tronco.

A maioria dos agentes que atuam como tóxico para o cabelo provocam queda por alterar etapas da produção do fio, sem, no entanto, afetar suas estruturais vitais.

Assim, é esperado que os cabelos voltem a crescer normalmente após esses compostos que atuam como tóxico para o cabelo saírem completamente do corpo da pessoa.

Como cada veneno tem seu tempo próprio para ser eliminado, o tempo de recuperação capilar varia.

Mas, em geral, o cabelo deve parar de cair intensamente 6 meses após eliminação completa da substância que faz mal ao cabelo.

Como saber se a calvície ou queda de cabelo foi provocada por algum composto tóxico para o cabelo?

Seja por acidente ou mesmo intencionalmente, existem diversos compostos químicos que, quando ingeridos em níveis tóxicos, estão associados a alopecia e queda de cabelo.

Esses variam desde metais pesados como tálio e mercúrio, mais presentes em operários da indústria química e mecânica, até componentes de inseticidas como o ácido bórico e suplementos alimentares como vitamina A e selênio.

O reconhecimento do papel desses produtos químicos como possível causa da queda de cabelo e calvície faz parte do papel do médico especialista.

Para isso é preciso se fazer uma anamnese detalhada, com investigação de possível exposição ao agente tóxico, seja no trabalho ou na vida pessoal.

A história clínica associada à presença de sintomas característicos fecha o diagnóstico de alopecia ou queda de cabelo por overdose ou intoxicação.

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A Clínica Doppio possui uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície. Além disso, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema. Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

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