Queda de cabelo e alopecia após transplante de órgãos

A alopecia após transplante de órgãos é uma ocorrência rara, mas há relatos na literatura médica.

Já a queda de cabelo não é tão infrequente assim. Afinal de contas, sendo o folículo uma estrutura sensível, é de se esperar sua queda depois desse procedimento complexo.

Como ocorre a queda de cabelo e alopecia após transplante de órgãos?

Antes de entrar nos detalhes sobre mecanismos, é preciso diferenciar alopecia de queda.

A queda de cabelo consiste no desprendimento do fio, geralmente com substituição por um outro em algumas semanas.

Por outro lado, na alopecia há perda dos fios, muitas vezes permanente.

A principal forma de queda de cabelo após o transplante é o eflúvio capilar.

Já no caso da alopecia após transplante de órgãos, ainda não se conhece bem como isso ocorre.

Queda de cabelo

Existem 2 tipos de eflúvio capilar: anágeno e telógeno.

No eflúvio telógeno, o fio cai por uma alteração no ciclo capilar

Nessa condição, há uma passagem precoce de fios da fase de crescimento para a de queda, ou seja, telógena.

Já no eflúvio anágeno, a interrupção do ciclo ocorre abruptamente ainda na fase de crescimento, sem passagem para telógena.

Em ambos os casos, há desprendimento dos fios de cabelo, com queda desde a raiz.

A diferenciação entre eles nem sempre é fácil, sendo necessários exames microscópicos para fazer a distinção.

Alopecia após transplante de órgãos

Além da queda em si, geralmente passageira e reversível, em raros casos pode haver alopecia após transplante de órgãos.

Estudos sobre o tema apontam 2 perfis diferentes de perda de cabelo. Um padrão se assemelha à alopecia androgenética e outro ao líquen planopilaris (LPP), ou seja, 2 entidades totalmente diferentes.

A alopecia androgenética é a causa mais comum de perda capilar em homens e mulheres. Ela ocorre em pessoas com predisposição genética à calvície.

Além da hereditariedade, também se admite a participação de hormônios masculinos como, por exemplo, a testosterona e a diidrotestosterona (DHT).

O principal mecanismo da alopecia androgênica é a miniaturização. Nesse processo, os fios vão ficando cada vez mais finos e curtos até sumir.

Já o líquen plano pilar é uma alopecia cicatricial inflamatória na qual há ataque e destruição do folículo piloso.

No líquen, aos poucos os fios vão dando lugar à fibrose, com perda definitiva dos cabelos.

Causas de queda de cabelo e alopecia após transplante de órgãos

Cirurgias de grande porte tendem a fazer o cabelo cair durante o período de recuperação.

Mas no caso do transplante, além do procedimento, há outros motivos para a queda de cabelo. Fatores como, por exemplo, estresse, remédios e o próprio sistema imunológico da pessoa podem contribuir para o cabelo cair mais.

Estresse físico e emocional

O estresse é uma causa de eflúvio telógeno.

Por ser um procedimento complexo, o transplante de órgão é um evento estressante para o corpo.

Desse modo, por mais calmo que o paciente possa estar, o organismo acaba sentindo o baque do procedimento. Afinal de contas, ele tem que se adaptar ao novo órgão recém-implantado.

Portanto, o estresse envolvendo todo o processo do transplante pode provocar a queda temporária do cabelo no pós-operatório.

Remédios

Entre as principais causas de alopecia após o transplante de órgãos está o uso de medicamentos quimioterápicos e imunossupressores.

Os imunossupressores são fármacos capazes de modular o sistema imunológico para evitar a rejeição do órgão transplantado.

Em contrapartida, essas medicações deixam os pacientes mais suscetíveis a diferentes doenças e podem fazer o cabelo cair.

Entretanto, a queda de cabelo costuma ser temporária, com melhora conforme há suspensão dos remédios.

Por outro lado, no caso da alopecia após transplante de órgãos, o cabelo tende a não voltar.

Os principais medicamentos que levam à alopecia irreversível são: bussulfano e ciclofosfamida. Além desses, ainda há relatos envolvendo o melfalano, etoposide, carboplatina, docetaxel, paclitaxel e tiotepa.

Fatores genéticos

A predisposição genética para a calvície também pode desempenhar um papel importante em um quadro de alopecia após transplante de órgãos.

Para pacientes com calvície genética, por exemplo, o transplante de órgãos pode contribuir para manifestação precoce desse tipo de alopecia. 

Doença do enxerto-versus-hospedeiro (GVHD)

A GVHD é uma reação do corpo após transplante de medula óssea. 

A medula óssea é onde ocorre a produção das células do sangue como hemácias, glóbulos brancos e plaquetas.

Ao fazer o transplante de medula, o objetivo é reiniciar a produção dessas células em uma nova linhagem.

Dessa forma, o transplante de medula óssea faz parte do tratamento de leucemias, linfomas e outras doenças do sangue.

Uma das complicações do transplante de medula óssea é a doença enxerto contra hospedeiro (DECH) ou GVHD.

Na GVHD, ao “formatar” o sistema sanguíneo, as células de defesa não reconhecem e, por isso, atacam o próprio organismo.

Além da queda de cabelo e alopecia, a GVHD também pode acometer diversos órgãos e sistemas, inclusive a pele.

Entre as manifestações cutâneas da doença estão lesões semelhantes ao vitiligo, esclerodermia ou líquen plano.

Os primeiros sinais da GVHD costumam ocorrer em torno de 100 dias após o procedimento, mantendo-se a seguir.

Como identificar a alopecia após transplante de órgãos?

É importante o paciente informar ao médico responsável qualquer alteração significativa no decurso do transplante, incluindo a queda de cabelo.

Uma forma de identificar a queda ou alopecia após transplante de órgãos é atentar-se ao volume capilar.

A redução do volume do cabelo pode ocorrer por redução da quantidade de fios ou afinamento deles.

Mesmo em pessoas saudáveis, é normal ter queda de cerca de 100 fios por dia. O cabelo tende a cair mais durante o banho, escovação ou manipulação dos fios.

Outro indicativo importante, dessa vez da alopecia, é o afinamento. No caso, a redução do volume capilar ocorre por miniaturização dos fios.

Essa manifestação é ainda mais comum em pacientes com antecedentes de alopecia androgenética na família.

Nesses casos, o fio torna-se progressivamente mais fino, perdendo calibre. 

Na evolução, pode haver alopecia definitiva.

Além da perda capilar do padrão calvície genética, é preciso atentar-se aos sinais mais comuns da perda tipo líquen planopilar. 

Nesse caso, devido ao processo inflamatório, as manifestações incluem coceira, vermelhidão, ardor, descamação, queda e falhas no couro cabeludo.

A condição pode ser permanente, com alopecia secundária às fibroses ao redor do folículo.

Alopecia após transplante de órgãos: o que fazer?

Caso identifique qualquer alteração capilar significativa, é preciso informar o médico para o direcionamento correto.

As opções de tratamento da queda de cabelo dependem de seus fatores causais.

Já a alopecia após transplante de órgãos tem a ver com os imunossupressores, genética e reação do organismo (GVHD).

Independente do tipo de acometimento capilar, no entanto, sua identificação precoce melhora as chances de reversão do quadro.

Portanto, ao notar diferenças no cabelo, procure um médico especialista!

A Clínica Doppio  possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície. Além disso, contamos ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.

Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

 

Dr. Nilton de Ávila Reis

CRM: 115852/SP | RQE 32621


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