Lúpus e cabelo: qual a relação?

A queda de cabelo por lúpus é uma queixa frequente dos portadores da doença.

Ao ver os cabelos caindo, é normal haver a associação com a piora do quadro clínico.

Afinal de contas, o cabelo reflete a saúde do organismo.

No caso do lúpus, a queda pode ocorrer tanto pelo comprometimento sistêmico da doença quanto ela pode manifestação de uma de suas formas cutâneas.

Em ambas as situações, no entanto, a detecção e tratamento precoces da queda ajudam no controle do  quadro.

O que é lúpus?

O lúpus é uma doença autoimune crônica, ou seja, de longa duração.

Trata-se de uma condição em que o organismo produz anticorpos contra si próprio.

Anticorpos ou imunoglobulinas são  pequenas moléculas sinalizadoras produzidas pelas células de defesa para reconhecer patógenos e estruturas estranhas ao corpo.

Ao se ligar em um microorganismo ou corpo estranho, os anticorpos desencadeiam uma resposta inflamatória.

Por sua vez, a inflamação leva à destruição ou eliminação do elemento sinalizado pelos anticorpos.

Na doença autoimune, no entanto, há uma disfunção do sistema, que passa a produzir anticorpos contra si mesmo.

Esse é o caso, por exemplo, do lúpus.

O lúpus acomete mais frequentemente a população feminina em idade fértil.

Estima-se haver cerca de dez mulheres para cada caso de homem com a doença dentro do mesmo grupo etário.

No Brasil, há uma média de 150 mil novos casos por ano.

Origem do termo lúpus

O nome lúpus deriva do latim lupus e significa lobo

A origem dessa associação remonta às primeiras descrições da patologia na Europa do século XVIII.

Os médicos da época comparavam as manchas da face de pacientes lúpicos com lesões semelhantes vistas em lobos.

Formas de lúpus

Além da típica mancha vermelha no centro da face, hoje conhecida como lesão em “asa de borboleta”, há também outras manifestações clínicas.

Essas variam de acordo com a forma ou tipo da doença, geralmente dividida em:

1. lúpus eritematoso sistêmico (LES);

2. lúpus cutâneo:

  • agudo;
  • subagudo;
  • túmido;
  • crônico ou discoide.

Apesar dessa classificação levar a crer que existem diferentes durações da doença, na verdade não é bem assim.

De maneira geral, o lúpus é considerado uma doença autoimune crônica, mesmo em sua forma aguda.

Isso porque o lúpus tem períodos de crise alternados com momentos de remissão em todas as suas formas.

Assim, os termos agudo, subagudo e crônico se referem ao tempo da apresentação inicial da doença e não a sua duração.

O lúpus eritematoso sistêmico (LES), por exemplo, é uma forma aguda da doença. 

Apesar de se apresentar de forma aguda, no entanto, sua evolução é crônica, com períodos de remissão e recorrências.

Causas

O motivo pelo qual uma pessoa desenvolve o lúpus não está totalmente claro.

Admite-se, entretanto, a participação de fatores genéticos, hormonais e ambientais no desenvolvimento da doença.

É bem característica a sensibilidade à  irradiação solar em todas as formas de lúpus.

Além disso, um quadro muito  semelhante ao lúpus pode ocorrer pelo uso de certos remédios.

A lista de medicamentos inclui, por exemplo, procainamida, hidralazina, metildopa, minociclina e clorpromazina.

Ao contrário do lúpus eritematoso sistêmico, no entanto, no lúpus induzido por drogas há resolução do quadro com a suspensão da medicação.

Quadro clínico

A deposição de imunoglobulinas pode ocorrer em diferentes partes do corpo, sendo, por isso, responsável pelas múltiplas apresentações e formas da doença.

Dentre os locais de depósito estão, por exemplo, articulações, pele, rins, pulmões, sistemas nervoso, vasos e células sanguíneas.

Dependendo de onde se depositam, esses anticorpos podem gerar inflamação e até destruição da estrutura ou órgão.

Dessa forma, os sintomas mais comuns do lúpus incluem:

  • gerais: cansaço, fraqueza, mal-estar, febre baixa, emagrecimento;
  • inchaço, dores e rigidez nas articulações;
  • anemia, diminuição da imunidade, sangramentos;
  • trombose, embolia, obstruções arteriais, infarto cardíaco e derrame cerebral;
  • dor no peito, palpitações e falta de ar;
  • redução da diurese e falência renal progressiva;
  • dor de cabeça, confusão mental, perda de memória, depressão, convulsão e alteração de comportamento (psicose);
  • feridas na boca;
  • manchas, lesões e cicatrizes na pele, principalmente em áreas expostas ao Sol. É bem típica a mancha vermelha acometendo nariz e bochechas, a chamada “lesão em asa de borboleta”;
  • queda de cabelo e alopecia.

Queda de cabelo por lúpus, quais as causas?

A queda de cabelo por lúpus é comum em pessoas diagnosticadas com a patologia.

De acordo com estudos, ela ocorre em mais da metade dos pacientes em algum momento do curso da doença.

Na maior parte dos casos, a queda de cabelo por lúpus é temporária, com melhora após estabilização da doença.

Em alguns casos, no entanto, ela pode resultar em alopecia definitiva.

Asim como nas outras manifestações clínicas, a queda de cabelo por lúpus também varia de acordo com a forma clínica da doença.

Eflúvio capilar

Uma das formas mais comuns de queda de cabelo por lúpus, na verdade, não é específica da doença.

O eflúvio capilar é uma reposta do cabelo aos agravos ao organismo ou couro cabeludo.

Existem basicamente 2 tipos de eflúvio: o anágeno e o telógeno.

No eflúvio anágeno, o cabelo cai ainda na fase de crescimento, ou seja, na fase anágena. 

Esse tipo de queda de cabelo por lúpus pode ocorrer ao longo do tratamento da doença. No caso, os remédios usados para tratar a doença são os responsáveis por induzir a queda.

As drogas mais associadas à queda de cabelo por lúpus são a ciclofosfamida e o metotrexate.

Eflúvio telógeno

Uma causa ainda mais comum de queda de cabelo por lúpus é  o eflúvio telógeno.

Nesse caso, o cabelo cai em excesso por conta de uma alteração no seu ciclo de renovação.

Devido aos agravos locais ou sistêmicos,  fios que deveriam estar crescendo em fase anágena passam precocemente para fase de queda, chamada telógena.

O aumento de fios na fase telógena leva à percepção de cabelo caindo muito.

Algumas condições associadas ao eflúvio telógeno são especialmente presentes no lúpus. Dentre elas estão, por exemplo:

  • a própria natureza inflamatória sistêmica da doença;
  • comprometimento metabólico;
  • anemia;
  • remédios;
  • estresse.

Como no eflúvio a queda de cabelo ocorre por conta desses fatores, seu  tratamento envolve a busca pelo reconhecimento e eliminação deles.

Portanto, nesse caso, a queda de cabelo por lúpus é temporária e pode servir como um sinal de atividade da doença.

Assim, a tendência é haver interrupção da queda excessiva com retomada dos cabelos ao normal alguns meses após controle do quadro.

Lúpus eritematoso discoide 

Uma das principais formas de queda de cabelo por lúpus específica da doença é o lúpus eritematoso discoide (LED).

Nessa forma cutânea de lúpus,  o couro cabeludo é acometido em 30 a 50% dos casos.

As lesões, assim como nas outras formas cutâneas, tendem a ser mais frequentes em áreas fotoexpostas do corpo.

O quadro clínico da queda de cabelo por lúpus discoide é bem característico.

Inicialmente ocorre queda de cabelo acompanhada de um processo inflamatório em uma ou mais áreas do couro.

Em aproximadamente 60% dos pacientes, aos poucos, essas lesões vão se tornando mais lisas e o vermelhidão vai dando lugar a cicatrizes, muitas vezes com áreas escuras ao redor.

Na queda de cabelo por lúpus discoide, a inflamação acomete o bulbo capilar e as células-tronco localizadas no couro.

Com isso, há destruição e substituição do folículo piloso por fibrose.

Por sua vez, a fibrose gera uma incapacidade definitiva de produzir novos fios.

Dessa forma, há evolução para alopecia cicatricial, resultando em perda de cabelo permanente e irreversível.

Os quadros de LED representam entre 30 a 40% do total de casos de alopecia cicatricial.

Apesar de ser uma forma cutânea de lúpus, cerca de 5% dos pacientes com LED podem evoluir para sua forma sistêmica.

Nesses casos, o comprometimento do quadro sistêmico costuma ser mais grave.

Alopecia específica do lúpus

Além da alopecia cicatricial por lúpus discoide, existe uma forma de alopecia descrita no lúpus.

O quadro, que se desenvolve no decurso do lupus eritematoso sistêmico, é caracterizado por uma rarefação capilar difusa não cicatricial com alterações histopatológicas específicas do lúpus. 

Essa alterações vistas através do exame com microscópio, inclusive, diferenciam essa alopecia do eflúvio capilar.

Na alopecia por lúpus há uma típica faixa de inflamação ao redor do folículo. Essa inflamação não está presente no eflúvio.

Por sua vez, ao contrário do lúpus discoide, na alopecia por lupus não há formação de cicatriz ao final da doença. 

Portanto, nesse caso, a queda de cabelo por lupus seria reversível.

Essa forma de alopecia, no entanto, não é uma unanimidade na comunidade médica

Boa parte dos médicos não reconhecem esse termo e questionam a própria separação dessa forma de queda de cabelo por lúpus.

Cabelo lúpus

Uma outra entidade descrita em pacientes com lupus é o chamado lupus hair ou cabelo lúpus.

Um aspecto característico dessa condição é a presença de fios secos, curtos e frágeis na parte da frente do couro cabeludo. 

Segundo alguns pesquisadores, trata-se de um indício tão característico de lúpus que até poderia ser usado para diagnóstico da doença.

Assim como na entidade anterior, no entanto, esse conceito não é totalmente aceito pelos médicos.

Boa parte deles não reconhecem esse termo e questionam a existência dessa classificação.

Para eles, o chamado cabelo lúpus seria simplesmente uma área de pelos velus, ou seja, de cabelos involuídos.

 Alopecia areata

A alopecia areata é uma doença autoimune que acomete pelos e cabelos.

Nessa condição, há uma queda abrupta de tufos de cabelo com surgimento de áreas circulares completamente sem fios.

Além do couro cabeludo, barba, cílios, sobrancelhas e pelos corporais também podem cair.

Embora não seja uma queda de cabelo por lúpus, há uma maior incidência de alopecia areata entre os pacientes diagnosticados com lúpus.

Como tratar a queda de cabelo por lúpus?

O lúpus não tem cura, mas tem controle.

Os tratamentos disponíveis atualmente melhoram os sintomas, estabilizam a doença e promovem aumento da qualidade de vida dos pacientes.

Para que isso ocorra, no entanto, é preciso se ter cuidados específicos como, por exemplo, adotar uma alimentação balanceada, reduzir a exposição solar, ficar atento ao uso de medicamentos e ter acompanhamento médico.

Assim como em outros aspectos da doença, a queda de cabelo por lúpus também pode ser controlada.

Para isso, é preciso se ter um avaliação e seguimento de um médico especialista em cabelos.

Por meio de uma avaliação clínica especializada é possível se obter um diagnóstico mais preciso das causas da queda.

Dessa forma,  aumentam-se as chances de se definir  uma abordagem mais eficaz às necessidades nas diferentes fases e formas da doença.

Portanto, se você tem queda de cabelo por lúpus, faça-nos uma visita!

A Clínica Doppio além de possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.
Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.
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Dr. Nilton de Ávila Reis

CRM: 115852/SP | RQE 32621


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