Remédio para calvície: como escolher?

A todo momento surgem propostas de um novo remédio para calvície.

As opções de medicamentos são as mais diversas possíveis, para atender todos os gostos e bolsos.

Dentre elas, estão, por exemplo, produtos tópicos, caseiros, naturais, manipulados, homeopáticos, injetáveis e até personalizados.

A criatividade não tem fim.

Diante dessa situação, torna-se fundamental saber qual remédio para calvície realmente funciona.

Dessa forma, evita-se perder tempo e dinheiro com opções sem resultados efetivos no tratamento da alopecia.

Calvície: causas

O termo científico para se referir à calvície é alopecia.

Apesar do resultado final ser semelhante, ou seja, a falta de cabelo, existem diferentes mecanismos e padrões de perda capilar.

Portanto, de acordo com esses parâmetros, tem-se os tipos de calvície descritos a seguir.

Alopecia androgenética

A alopecia androgenética é a causa mais comum de calvície masculina e feminina.

Não se trata apenas de uma queda de cabelo, mas de uma condição genética na qual há perda capilar progressiva.

O processo, conhecido como miniaturização, leva à atrofia dos folículos pilosos com o tempo.

O resultado é o afinamento e encurtamento gradual dos fios até seu completo desaparecimento.

Além da predisposição hereditária, o fator hormonal, especialmente de hormônios masculinos, é decisivo nas chances de ficar careca.

Como a herança genética é imutável, uma das estratégias do remédio para calvície é justamente modular a ação hormonal.

Alopecia areata

Além da alopecia androgenética, uma outra forma de ficar careca é pela alopecia areata.

Essa condição acomete principalmente o cabelo, mas também pode afetar sobrancelhas, cílios, barba ou qualquer pelo corporal.

A alopecia areata é uma doença autoimune na qual há uma queda intensa e abrupta do cabelo.

Os motivos pelos quais o corpo não reconhece e, portanto, passa a atacar o próprio cabelo não são claros.

Entretanto, mesmo não se conhecendo a causa, é possível se tratar essa condição.

Nesse caso, o remédio para calvície direciona ao mecanismo causador da queda, ou seja, a resposta imune.

Alopecia de tração

A tensão sobre a raiz dos cabelos pode levar à perda definitiva dos fios.

Isso porque pode haver arrancamento dos fios ao puxá-los com apliques do tipo Mega hair, tranças ou penteados apertados.

Por sua vez, ao sair desde a raiz, o folículo pode dar lugar à fibrose, causando calvície permanente.

Como a tração é um ato mecânico, não há um medicamento capaz de impedir ou retardar o processo.

O remédio para a calvície, no caso, visa tentar recuperar os cabelos ainda viáveis, ou seja, os não completamente fibrosados.

Alopecia cicatricial

Existem diversas situações pelas quais uma pessoa pode vir a ficar calva por alopecia cicatricial.

A própria tração é uma delas.

Além disso, traumas e algumas doenças inflamatórias do couro também podem levar à perda dos cabelos.

Alguns exemplos  incluem o líquen planopilar, lúpus discoide, alopecia frontal fibrosante e foliculites decalvante, dissecante e queloidiana da nuca.

Como se vê, a alopecia cicatricial não é uma doença específica. 

Há diversas possibilidades de causas e mecanismos de ação capazes de levar à fibrose do folículo.

Dessa forma, na alopecia cicatricial, o  remédio para calvície é direcionado à doença de base.

Remédio para calvície: principais opções

Existem muitas medicações vendidas como remédios para calvície, porém nem todas têm eficácia cientificamente comprovada.

Aliás, boa parte desses supostos produtos para alopecia nem sequer têm registro na ANVISA como medicamentos.

A grande maioria das formulações são xampus antiqueda ou suplementos alimentares com registros nas áreas de cosméticos ou alimentos, respectivamente.

Isso mesmo: o primeiro critério para ser um remédio para calvície é ter registro na ANVISA como medicamento.

Além disso, não basta ser medicação, é preciso mostrar resultados através de estudos científicos clínicos, ou seja, com seres humanos. Esses estudos precisam ser significativos, confiáveis e com achados semelhantes quando são repetidos.

Por fim, é claro, o remédio para calvície também deve ser seguro e com diferença no antes e depois do tratamento.

Minoxidil: remédio para calvície 

O minoxidil é um clássico tratamento para alopecia androgenética.

Aliás, ele foi o primeiro medicamento para calvície com aprovação e regulamentação nos órgãos de saúde.

Além disso, o minoxidil tópico também é o único remédio para calvície tanto masculina quanto feminina.

As doses de minoxidil tópico com registro no FDA (Food and Drug Administration) e ANVISA variam entre 2 a 5%. São disponíveis versões em solução capilar, spray e espuma.

Outra forma de uso do minoxidil para tratar a calvície é em comprimidos.

Entretanto, esse uso é off-label, ou seja, sem indicação em bula.

Originalmente, o minoxidil é um medicamento oral para tratar hipertensão arterial, com dose de 10 mg ao dia.

Por não ter registro como remédio para calvície, quando um médico quer prescrevê-lo na forma oral, é preciso manipular.

As doses do minoxidil oral manipulado variam de 0,5 a 5 mg ao dia.

Resultados do minoxidil como remédio para calvície

Diversos estudos demonstram a eficácia do minoxidil como remédio para calvície masculina e alopecia em mulheres.

Os principais efeitos do minoxidil para o cabelo são:

  • aumento da taxa de crescimento do cabelo;
  • ganho de espessura do fio;
  • alteração do ciclo capilar, com prolongamento da fase anágena, ou seja, do tempo de atividade do fio. 

Efeitos adversos

Os efeitos colaterais mais comuns do minoxidil tópico incluem coceira, irritação e descamação local. Além disso, pode ainda haver crescimento de pelos faciais e aumento da queda de cabelo.

Boa parte desses sintomas se deve à presença do propilenoglicol ou álcool na formulação.

O minoxidil de uso oral apresenta efeitos colaterais mais críticos. Esses podem incluir inchaço, queda da pressão arterial, palpitação e crescimento de pelos faciais e corporais.

Finasterida

A finasterida é um remédio para calvície masculina devidamente testado e aprovado por órgãos oficiais de saúde. 

No Brasil, a medicação é liberada para tratamento da alopecia androgenética em homens desde 1998.

A finasterida é um inibidor da enzima 5 alfa-redutase tipos II e III. Ao bloquear essas enzimas, ela inibe a conversão do hormônio masculino testosterona em seu metabólito di-hidrotestosterona (DHT)

Portanto, a finasterida diminui os níveis de DHT, principal hormônio andrógeno responsável pela miniaturização dos fios.

A dose de finasterida para tratamento da calvície masculina é de 1 mg ao dia.

Seu uso deve ser contínuo, uma vez que a alopecia androgenética não tem cura, somente controle. Por isso, a finasterida é um remédio para calvície masculina de uso a longo prazo.

Dentre os efeitos colaterais da finasterida estão o aumento e dor nas mamas, dor nos testículos e aumento das enzimas hepáticas. 

Além disso, na bula ainda constam a disfunção erétil,  perda da libido e síndrome pós-finasterida.

A finasterida não tem liberação como remédio para alopecia feminina. Por isso, seu uso deve ser evitado especialmente por mulheres em idade fértil.

A finasterida tópica também não tem aprovação na ANVISA, sendo portanto, necessário manipulá-la para uso.

Dutasterida

É comum se ver uma prescrição da dutasterida para pacientes sem resposta satisfatória com uso da finasterida.

Entretanto, a dutasterida não tem aprovação ou regulamentação como remédio para calvície nos Estados Unidos. No Brasil, a ANVISA liberou a dutasterida (Avodart) como remédio para calvície masculina somente em 2022.

Agora com indicação em bula, a medicação passa a ser uma opção de médicos para tratar a alopecia.

Em partes, a preferência pela dutasterida se deve ao fato dela ser mais potente do que a finasterida. Ela é capaz de bloquear mais intensamente a 5 alfa-redutase (tipos I, II e III) e, portanto, reduzir ainda mais os níveis de DHT.

Só que a maior potência da dutasterida tem um preço: os efeitos adversos são mais comuns e intensos. Entre os efeitos colaterais da medicação incluem-se perda da libido, alterações gástricas, disfunção sexual e cansaço.

Espironolactona

A espironolactona é um medicamento diurético com indicação para tratar pressão alta.

Além disso, ela também é muito  utilizada como remédio para alopecia feminina. 

Ela atua tanto inibindo a produção de hormônios masculinos como também  competindo pela ligação desses hormônios aos seus receptores celulares. 

A ligação dos hormônios testosterona e DHT aos receptores andrógenos é um dos passos responsáveis pelo processo de miniaturização.

Embora seja um remédio para calvície feminina, a espironolactona não é indicada para homens.

Isso porque ela tem efeito feminilizante, ou seja, ela tem potencial de acentuar os caracteres femininos.

Por ser hipotensor, os principais efeitos colaterais da espironolactona são: tontura, fraqueza, cansaço, dor de cabeça, palpitação e mal-estar. Graças ao seu efeito anti-andrógeno, ainda é possível se ter perda de libido, aumento e dor nas mamas.

Adenosina

A adenosina é uma opção de remédio para calvície de uso tópico.

No Japão, a medicação tem aprovação tanto para tratamento da alopecia masculina quanto da feminina.

No Brasil, o produto não é regulamentado e portanto, não está disponível para venda em farmácias.

Dessa forma, para ser usado ele precisado ser manipulado.

Clascoterona

A clascoterona é uma medicação de uso tópico.

Ela compete com o DHT pela ligação aos receptores andrógenos, reduzindo a ação desse hormônio sobre o folículo.

Por ser tópica, a medicação torna-se uma alternativa de tratamento para pacientes receosos de possíveis efeitos colaterais dos remédios orais.

Bicalutamida

A bicalutamida é um medicamento oral para  tratamento do câncer de próstata avançado.

Ela atua reduzindo a estimulação dos hormônios andrógenos no crescimento tumoral.

Graças ao sei efeito antiandrógeno, ela  poderia ser uma opção remédio para alopecia feminina.

Entretanto, seu uso não tem regulamentação das agências de saúde.

Saw palmetto

Saw palmettotambém conhecido como Serenoa repens ou Serenoa Serrulata, é uma palmeira originária da América do Norte.

Trata-se de um composto frequentemente presente em fórmulas de manipulação como remédio para calvície.

Isso porque em alguns estudos experimentais, o Saw Palmetto mostrou ser capaz de bloquear a enzima 5-alfaredutase.

Essa enzima é a responsável pela conversão de testosterona em DHT, principal hormônio da calvície.

Aliás, seu modo de ação é  semelhante ao da finasterida e dutasterida, ou seja, o bloqueio da 5-alfaredutase.

Entretanto, ao contrário da finasterida, na prática o Saw Palmetto não tem o mesmo desempenho.

Até por isso ele não tem registro como remédio para calvície no Brasil ou nos Estados Unidos.

Corticoide

O uso de corticoide como remédio para calvície tem indicações bem precisas.

Ele não age no tratamento da alopecia androgenética ou calvície hereditária, por exemplo.

Seu uso é restrito aos casos de alopecia areata e algumas alopecias cicatriciais.

Os corticoides estão disponíveis por via oral, tópica, intramuscular e intravenosa.

A forma, potência e tempo de uso desse tipo de medicamento precisam ser bem avaliados.

Isso porque o uso incorreto dessa medicação pode acarretar danos graves à saúde.

Imunoterapia: difenciprona e antralina

Uma das opções de medicações para alopecia areata é a imunoterapia.

Nessa doença autoimune o corpo não reconhece e, portanto, passa a atacar os próprios cabelos.

Como consequência, há queda abrupta e intensa de cabelo, com formação de falhas na cabeça.

Por sua vez, a imunoterapia visa modificar a resposta imune do organismo.

Para isso, a técnica envolve à  exposição gradual da pele a substâncias específicas, altamente imunogênicas.

A ideia é despistar a defesa do organismo para que ela pare de atacar os folículos pilosos e provocar queda.

Nessa categoria, os principais medicamentos são a difenciprona e a antralina.

Os resultados da imunoterapia para alopecia areata são muito variáveis e pouco consistentes.

Assim, apesar de alguns estudos apontarem boas taxas de sucesso, na prática não é bem dessa maneira.

Há muita intolerância ao tratamento por irritação intensa no local da aplicação.

Além disso, as respostas terapêuticas são frustas e não sustentadas, com alta taxa de reincidência.

Imunobiológicos

Outra opção de tratamento para a alopecia areata são os imunobiológicos.

Esses medicamentos atuam em diferentes etapas da resposta do sistema imunológico, modulando-as.

Em geral, eles bloqueiam pequenas moléculas sinalizadoras da reação imune como as citocinas e as interleucinas.

Os principais imunobilógicos para alopecia areata são:

  • Ritlecitinibe: inibe a ação da citocina JAK3;
  • Tofacitinibe: bloqueia as citocinas JAK1 e JAK3;
  • Ruxolitinibe: atua nas citocinas JAK1 e JAK2;
  • Dupilumabe: anticorpo monoclonal capaz de inibir as moléculas interleucinas IL4 e IL13.

Os resultados do tratamento da alopecia areata com imunobiológicos são imprevisíveis, com taxas de resposta muito variáveis.

Remédio para calvície: como escolher?

A definição do tratamento para alopecia depende da prévia avaliação médica da doença e da saúde do paciente.

Assim, o remédio para calvície visa não somente controlar o avançar do quadro, mas também em preservar o organismo.

Por isso, torna-se fundamental se identificar antes quais as causas da queda de cabelo.

Com o avanço da ciência e mais estudos na área, há sempre novidades e opções de remédio para calvície.

Para saber qual o mais recomendado para seu caso, faça-nos uma visita!

A Clínica Doppio além de possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.

Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.
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Dr. Nilton de Ávila Reis

CRM: 115852/SP | RQE 32621


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