Riscos e efeitos colaterais da dutasterida para tratamento capilar

Desde a sua aprovação para tratamento da calvície masculina pela ANVISA, aumentou-se o interesse por saber os efeitos colaterais da dutasterida.

Assim como ocorre com a finasterida, essa costuma ser a primeira pergunta dos homens quando se fala sobre o medicamento.

Por isso, é indispensável conhecer quais são os efeitos colaterais da dutasterida antes de pensar em iniciar seu uso. 

Como a dutasterida age?

A dutasterida é um fármaco sintético cuja ação é inibir a 5-alfa redutase.

Essa enzima é responsável pela conversão do hormônio masculino testosterona em seu derivado di-hidrotestosterona (DHT).

O DHT é um hormônio bem mais potente do que a testosterona para induzir a perda capilar em pessoas predispostas.

Desse modo, em homens com tendência à calvície, o DHT age matando as células do bulbo capilar.

Esse processo, conhecido como miniaturização, leva ao progressivo afinamento e encolhimento dos fios até sua extinção.

Assim, a dutasterida age na calvície por diminuir a formação do hormônio di-hidrotestosterona reduzindo, dessa forma, a morte dos fios.

Para que serve a dutasterida?

O DHT é um dos maiores responsáveis pelo crescimento da próstata e calvície em homens.

Após os 55 anos, a próstata vai aumentando de volume, causando alguns transtornos urinários com o tempo.

Esse quadro é conhecido como hiperplasia benigna prostática (HBP).

Aliás, essa foi a primeira recomendação terapêutica presente na bula da dutasterida.

Portanto, as indicações da dutasterida são para tratar o aumento da próstata e a calvície em homens.

A medicação até pode ser prescrita para outras situações, mas como uso off label, ou seja, não tem na bula.

Aspectos legais

Até 2021, a dutasterida não tinha regulamentação para tratamento da alopecia androgenética na ANVISA

Seu uso, dessa forma, era off label.

Antes do Brasil, a dutasterida tinha liberação para tratar calvície em poucos países como México, Coreia do Sul e Japão.

A ANVISA autorizou a inclusão do tratamento da alopecia androgenética masculina na bula do medicamento referência Avodart somente em 2022.

Já a finasterida tem aprovação para tratar calvície masculina na ANVISA desde 1998.

O FDA aprovou a finasterida como tratamento da alopecia androgenética masculina nos Estados Unidos em 1997.

A dutasterida, por sua vez, ainda não tem legalização para área capilar seja pelo FDA ou pela Agência Europeia de Medicamentos.

O motivo desses importantes órgãos de vigilância internacionais não regulamentarem a medicação não são revelados.

Assim, fica a dúvida se a não-aprovação se deve à ineficácia ou aos efeitos colaterais da dutasterida.

Quais são os efeitos colaterais da dutasterida?

De acordo com a bula, os principais efeitos colaterais da dutasterida são:

  • disfunção erétil;
  • diminuição da libido;
  • distúrbios da ejaculação;
  • sensibilidade nas mamas e/ou ginecomastia.

Outros efeitos adversos da medicação listados entre ocorrências raras ou muito raras incluem: 

  • alopecia, com perda de pelos corporais;
  • hipertricose;
  • reações alérgicas;
  • dor e inchaço nas mamas e nos testículos.

A impotência, grande receio de quem usa o medicamento, atinge até 6% dos usuários no primeiro ano de tratamento. Essa taxa, no entanto, reduz para 2% após o segundo ano de uso do remédio, segundo informações do fabricante.

Aliás, a bula relata que todos os efeitos colaterais da dutasterida apresentaram redução da incidência conforme continuidade do tratamento.

Efeitos colaterais da dutasterida x finasterida

Uma dúvida que passou a surgir após aprovação em 2022 pela ANVISA foi se é melhor usar dutasterida ou finasterida

Um dos critérios para tomar essa decisão são as chances de se ter reações adversas com as medicações.

O mecanismo de ação da dutasterida é semelhante ao da finasterida, ou seja, ambas bloqueiam a enzima 5-alfaredutase.

Se agem no mesmo lugar, os efeitos colaterais da dutasterida também devem ser semelhantes aos da finasterida.

Mas enquanto a finasterida bloqueia apenas a 5-alfaredutase tipo 2, a dutasterida inibe as enzimas 5-alfaredutase tipo 1 e 2.

Desse modo, a dutasterida é mais potente do que a finasterida para bloquear a formação da di-hidrotestosterona.

Mas será que os efeitos da dutasterida também são mais intensos ou frequentes do que os da finasterida?

Algumas pesquisas cientificas vêm tentando esclarecer essa dúvida.

Um dos artigos a comparar os efeitos colaterais da dutasterida com os da finasterida foi o do Annals of Dermatology.

No estudo de 2022, os efeitos colaterais da dutasterida foram similares aos da finasterida. Eles ocorreram em 1,6% dos pacientes com dutasterida e 1,1% dos usuários de finasterida.

A queixa mais frequente em ambos os grupos foi perda de libido. Do total de 600 pacientes acompanhados por 10 anos, 1,2% relatou diminuição da libido com dutasterida versus 0,7% da finasterida.

Além disso, apenas 1 dos 250 pacientes usando dutasterida relatou impotência. Nenhum paciente usando finasterida teve essa queixa no período.

Outra revisão, desta vez de 2016, também aponta taxas semelhantes entre efeitos colaterais da dutasterida e finasterida.

Mas, essas taxas podem variar.

Uma revisão de 2019, por exemplo, traz dados diferentes sobre possíveis efeitos colaterais da dutasterida e finasterida.

Nessa meta análise, envolvendo 576 pacientes, dos 290 que usavam dutasterida, 26 (8,9%) se queixaram de perda de libido. Já dos 286 usando finasterida, 22 deles, ou seja, 7,7%, tiveram essa mesma queixa.

Como definir o tratamento para alopecia androgenética?

A dutasterida passou a ser uma opção terapêutica para calvície masculina.

Por isso, antes de se decidir por esse ou outros medicamentos, o paciente precisa ser informado quanto aos seus possíveis riscos e benefícios.

Esse passo é fundamental tanto para adesão quanto para continuidade do tratamento.

Afinal de contas, o paciente precisa entender a situação para conseguir decidir sobre qual caminho seguir.

Portanto, cabe ao médico especialista explicar possíveis benefícios e efeitos colaterais da dutasterida e outros remédios para tratar a alopecia.

Precisa de ajuda? Então, fale conosco!

A Clínica Doppio  possui uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície. Além disso, contamos ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema na busca de um bom resultado.

Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

Dr. Nilton de Ávila Reis

CRM: 115852/SP | RQE 32621


Posts Relacionados

Queda de cabelo por Ozempic e outros inibidores de apetite
A possibilidade de haver queda de cabelo por Ozempic é uma das preocupações das pessoas... (Leia mais)
Terapia com células estaminais para calvície
A alopecia androgenética, popular calvície, pode ter na terapia com células estaminais a resposta que... (Leia mais)
Minoxidil com propilenoglicol faz mal?
Nos últimos tempos, vem aumentando o interesse em saber se o propilenoglicol faz mal. Foi... (Leia mais)

Deixe um comentário

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *