SARMs e queda de cabelo: qual a relação?

SARMs e queda de cabelo: qual a relação?

Uma nova classe de substâncias para ganho de massa muscular tem ganhado adeptos: os SARMs. Entre os vários questionamentos feitos sobre o assunto, está o de se existe relação entre SARMs e queda de cabelo.

O que significa SARMs?

O termo SARMs vem do inglês “Selective Androgen Receptor Modulators”, que em português seria “Moduladores Seletivos de Receptores Androgênicos”.

Trata-se de uma nova classe de drogas capazes de controlar seletivamente a atividade do receptor de androgênio (AR).

São chamados de androgênios ou andrógenos hormônios masculinos como, por exemplo, a testosterona e a diidrotestosterona (DHT).

Os principais SARMs em estudo, e seus respectivos codinomes, são:

  • Ostarine: enobosarm, GTx-024, MK-2866, S-22, S22
  • Andarine: GTx-007
  • LGD-4033: ligandrol

Existem ainda outros produtos erroneamente anunciados como SARMs, como os seguintes:

  • Estimulador de GH: ibutamoren, MK-677, L163, 191
  • RAD140: testolona 
  • GW501516: Cardarine, Endurobol
  • GSK-516, GW1516
  • SR9009: stenabolic

Essa confusão de nomes foi abordada por um artigo de 2017 da importante revista científica JAMA.

Esse artigo fez a identificação de suplementos para musculação vendidos na internet como sendo SARMs.

Do total de 44 produtos comercializados nos EUA como SARMs, somente 23 (52%) continham ostarine, LGD-4033 ou andarine.

Outros 17 produtos (39%) continham outras substâncias diferentes dos SARMs, também não aprovadas para uso.

Além disso, 4 (9%) não tinha nenhum princípio ativo e 11 (25%) continham outras substâncias não informadas no produto.

Esse estudo reforça o risco de consumir produtos vendidos pela internet.

Em apenas 18 dos 44 produtos, os ativos e as quantidades informadas no rótulo correspondiam aos encontrados na análise

Como funcionam os SARMs?

Os SARMs foram desenvolvidos para reduzir complicações que resultam da inibição ou ativação sistêmica desses receptores.

Por serem específicos, eles acabam agindo somente no local de interesse: músculos e ossos, por exemplo.

Como a hipertrofia muscular é uma das ações da testosterona, essas drogas estão sendo testadas na sarcopenia. 

A sarcopenia é a debilidade muscular causada por doenças como câncer, queimaduras ou doenças degenerativas.

Outra possível ação dos SARMs seria bloquear a progressão da osteoporose em homens idosos e mulheres após menopausa.

Os SARMs atuam nos tecidos pelos mesmos caminhos dos anabolizantes.

Entretanto, por serem seletivos, estudos sugerem que teoricamente eles não causam efeitos colaterais na próstata, pele e cabelos.

Outra vantagem em relação à testosterona ou anabolizantes é que os SARMs não inibem o eixo hormonal e portanto, não levam à dependência.

Quem usa anabolizantes por longos períodos acaba ficando dependendo da reposição hormonal, uma vez que vai aos poucos perdendo a capacidade de produzir seus próprios hormônios. Essa falência ocorre justamente porque os anabolizantes bloqueiam o eixo responsável pelo controle da produção de testosterona pelo corpo.

Como a testosterona está sempre alta em quem faz reposição com testosterona, o organismo sinaliza que as glândulas não precisam mais produzir esse hormônio. Dessa forma, elas vão atrofiando e diminuindo sua produção de hormônios.

Por não interferir no eixo, os SARMs não interfeririam na produção dos hormônios.

SARMs e queda de cabelo: estudos

Teoricamente os SARMs não atuam nos cabelos por serem serem seletivos.

Segundo estudos, eles também não sofrem ação da enzima 5-alfaredutase, responsável pela conversão da testosterona em diidrotestosterona (DHT).

O DHT é o principal hormônio associado à calvície ou alopecia androgenética.

Quanto à associação SARMs e queda de cabelo, não existem estudos científicos suficientes para que se possa ter uma posição.

SARMs: aspectos legais 

A possibilidade de ganho muscular com os SARMs logo atraiu a atenção de adeptos da musculação e fisiculturismo.

Isso fez com que aumentasse muito a busca por informações sobre essas substâncias na internet, academia e consultórios médicos.

Por sua vez, esse interesse fez explodir a oferta de produtos contendo tais substâncias milagrosas.

A banalização do seu uso, no entanto, pode comprometer seus possíveis benefícios e trazer riscos à saúde.

Os SARMs não estão liberados para comercialização e seu uso é proibido, seja em produtos prontos ou manipulados.

Agências de controle de medicamentos como o FDA (Food and Drug Administration) nos EUA e a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Brasil não autorizam seu uso.

Muito pelo contrário, o FDA divulgou uma nota condenando a comercialização irresponsável de produtos supostamente contendo SARMs.

Na nota , o FDA ainda alerta para a possibilidade de infarto, derrame cerebral e risco de morte por danos no fígado.

SARMs e queda de cabelo: considerações finais

Os SARMs são drogas promissoras. 

A proposta de direcionar a ação dos hormônios apenas para locais específicos, como músculos e ossos, é valiosa.

Agindo somente nos tecidos alvos, evitaria-se possíveis efeitos adversos sistêmicos dos hormônios masculinos, como acne, oleosidade e calvície.

Apesar de até o momento não ter se comprovado a associação entre SARMs e queda de cabelo, seu uso deve ser desencorajado.

Isso porque trata-se de uma medicação ainda em estudos, sem liberação para uso.

Importantes questões como  a manutenção dos resultados com o tempo e efeitos colaterais a longo prazo permanecem desconhecidos.

Portanto, fique atento e sempre que precisar de informações, procure um médico especialista, com registro de qualificação de especialista (RQE).

A Clínica Doppio, além de possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.

Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

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