Sfíngoni 0 5 cabelo minoxidil

Sfíngoni 0,5% funciona como tratamento capilar?

A indústria farmacêutica, incluindo a de manipulação, está sempre lançando produtos para tratamento da queda de cabelo e calvície. Um desses produtos é o Sfíngoni 0,5%

O que é Sfíngoni?

O Sfíngoni é um ativo usado em loções para tratamento capilar desenvolvido pela empresa alemã Evonik e distribuído no Brasil pela Galena.

Além do Sfíngoni, a Galena é responsável pela comercialização e distribuição de diversos outros insumos e matérias-primas para o mercado de nutrição, cosméticos e farmacêutico, principalmente de manipulação.

Segundo o site da Evonik, o Sfíngoni, em inglês Sphingony, é um molécula idêntica à esfinganina, encontrada na pele humana.

Do ponto de vista molecular, a esfinganina é um aminoálcool de cadeia longa que se associa a ácidos graxos para formarem um esfingolipídeo.

Por sua vez, os esfingolipídeos fazem parte de um grupo maior de lipídeos ou gorduras chamadas fosfolipídeos.

Além dos esfingolipídeos, os fosfolipídeos ainda incluem glicerofosfolipídeos como por exemplo, a fosfatidilcolina ou lecitina.

Os esfingolipídeos mais simples são as ceramidas, constituinte da pele e da cutícula, camada mais superficial do fio de cabelo.

Assim, o Sfíngoni ou esfinganina é um esfingolipídeo, fosfolipídeo ou ceramida de ocorrência natural encontrado na membrana das células de diversos organismos vivos, incluindo humanos.

Além de fazer parte do revestimento das células, os esfingolipídeos desempenham outras funções como mensageiros celulares, com possível efeito antiinflamatório e antimicrobiano.

Para que serve o Sfíngoni 0,5%?

O Sfíngoni é comercializado por farmácias de manipulação na forma de loções capilares na concentração de 0,5%, associado ou não ao minoxidil 5%.

Segundo os anúncios das farmácias e da própria distribuidora do insumo, a Galena, o Sfíngoni serve para auxiliar no crescimento e no controle da oleosidade dos fios.

Além disso, o Sfíngoni poderia ser usado para a prevenção e combate da caspa, calvície e queda de cabelo.

Dentre seus benefícios, estariam a regularização do ciclo de vida do cabelo, a melhora da saúde do couro cabeludo e da qualidade dos fios.

Outra aplicação menos usual, mas também anunciada por algumas farmácias de manipulação, seria o aumento dos cílios quando usada em fórmulas de máscaras e delineadores.

Como o Sfíngoni age?

Um dos mecanismos de ação do Sfíngoni seria através do bloqueio de uma enzima chamada 5-alfa-redutase tipo 1.

Essa enzima é responsável pela conversão do hormônio masculino testosterona em seu metabólito mais potente, a diidrotestosterona (DHT).

O DHT é o principal hormônio associado ao afinamento, encurtamento e desaparecimento dos fios na alopecia androgenética, principal causa de calvície em homens e mulheres.

O bloqueio da enzima 5-alfa-redutase, aliás, é também o mecanismo de ação da finasterida 1 mg, medicação oral aprovada e comprovadamente eficaz no tratamento da calvície masculina.

Além do bloqueio da conversão de testosterona em DHT, outras ações da Sfíngoni seriam a formação de uma barreira lipídica para maior proteção do fio e do couro, com melhora da oleosidade, do ressecamento e a produção de um peptídeo chamado HBD2, com possível ação contra a proliferação de fungos e bactérias.

O controle da oleosidade, a manutenção da barreira cutânea e a ação antimicrobiana do Sfíngoni poderiam colaboram para controle da caspa e dermatites do couro cabeludo, como a seborréia.

Sfíngoni 0,5% funciona?

Devido ao fato dos cabelos estarem sempre crescendo, fica difícil avaliar sua evolução, uma vez que as mudanças costumam ser lentas e progressivas.

Além disso, existem muitos fatores que influenciam a percepção de melhora na quantidade, crescimento e qualidade dos cabelos.

Assim, mesmo que contribuam para a formação de opinião, relatos de usuários não devem ser considerados como único critério de avaliação da eficácia de tratamentos capilares.

Sempre que possível, é importante buscar por fontes científicas confiáveis antes de se decidir por comprar e usar um produto capilar.

Nesse sentido, quando se faz uma pesquisa na literatura médica pelo princípio ativo do Sfíngoni, ou seja, a esfingonina, poucos dados são encontrados.

Um dos poucos estudos a abordar o tema foi publicado em 2016 na revista Clinical Cosmetic and Investigational Dermatology.

No estudo, realizado em vários braços, testou-se cada uma das possíveis ações e propriedades da esfinganina no combate a caspa, queda de cabelo e calvície.

Absorção

Um pré-requisito obrigatório para saber se um medicamento tópico como o Sfíngoni funciona é determinar se ele é eficientemente absorvido pela pele.

Por isso, o primeiro braço do estudo avaliou a absorção da esfinganina na pele de modelos animais, no caso, na pele de porco.

Após 24 horas de contato da solução com a pele do animal, houve absorção de cerca de 40% do produto, sendo que 3,1% atingiram a derme, local onde ficam os bulbos capilares.

Redução do hormônio masculino DHT

Um outro importante braço do estudo, também realizado em laboratório, testou a eficácia da esfinganina no bloqueio da enzima 5-alfa-redutase, responsável pela conversão da testosterona em DHT.

Esses testes foram feitos em culturas de células embrionários renais humanas.

Os resultados dessa análise mostraram que a esfinganina tem um potencial de inibir a enzima 5-alfa-redutase em laboratório.

Entretanto, sua potência em bloquear a enzima foi 10 vezes menor do que a proporcionada pela finasterida.

Ação antimicrobiana

A atividade da esfinganina no combate a fungos e bactérias foi testada por outra parte do estudo, também realizada em laboratório.

Para isso, foram feitas mensurações do peptídeo HBD2 por PCR e imunohistoquímica.

O HBD2 é uma molécula que faz parte da defesa inata do organismo contra bactérias e fungos, dentre eles a Malassezia, envolvida na dermatite seborréica do couro cabeludo.

Os resultados mostraram que houve aumento da HBD2 e portanto, uma melhora da resposta imune contra microorganismos cutâneos.

Tratamento capilar

O braço mais importante do estudo para efeitos práticos foi também o único realizado em humanos.

Para avaliar a eficácia e segurança da esfinganina, base do Sfíngoni, no tratamento capilar, foram feitos testes em 3 etapas e grupos distintos.

Na primeira etapa, 32 voluntários com calvície leve, entre homens e mulheres, testaram o produto por 16 semanas.

Metade do grupo usou a loção tópica na concentração de 0,2% e outra metade uma loção sem efeito, chamada placebo.

A análise dos resultados do antes e depois desses participantes não mostrou diferença significante entre quem usou a loção tópica com esfinganina e quem usou a loção placebo.

Em outras palavras, o produto não funcionou.

Em seguida, outro grupo de estudos foi feito, dessa vez somente com homens.

Foram selecionados 80 voluntários com alopecia para testarem 3 loções capilares contendo esfinganina a 0,1%, 0,2% e 0,5% , além de um grupo sem esfinganina, usando placebo.

Os participantes foram orientados a usar 3 mL do produto 2 vezes ao dia por 16 semanas.

A primeira análise de resultados foi feita após 8 semanas de tratamento.

Os dados obtidos mostraram um aumento da proporção de fios em fase anágena nos grupos que usaram o produto em relação aos que usaram placebo.

Quanto mais fios em fase anágena do ciclo capilar, menor a queda de cabelo.

Essa proporção aumentou ainda mais na segunda avaliação, realizada após 16 semanas de uso dos produtos.

A partir dos resultados positivos, uma terceira fase dessa pesquisa foi criada, estendendo o período de uso e avaliação para 12 meses.

Essa fase foi realizada apenas com 3 participantes com boas respostas de cada grupo.

A análise após 1 ano de tratamento mostrou que a reposta mais significativa foi obtida aos 4 meses, com pequenas flutuações dos resultados após esse período.

Como usar Sfíngoni?

Como se trata de um ativo para remédios de manipulação, não há um uma orientação única.

Cada farmácia que fornece o produto tende a adaptá-lo a sua formulação.

A forma mais comum de apresentação é o Sfingoni 0,5% em loção capilar. Nesse caso, a recomendação em geral é pra borrifar o produto em toda a área acometida do couro cabeludo 1 vez ao dia.

Já na formulação Sfingoni 0,5% + minoxidil 5%, deve-se aplicar 1 mL, ou seja, 20 gotas ao dia.

A forma de aplicar, nesse caso, seguem as mesmas orientações de uso do minoxidil.

Quem pode usar Sfíngoni?

O componente ativo do Sfíngoni, a esfinganina, foi testado apenas em adultos.

Não houve testes de segurança em crianças, adolescentes, grávidas ou mulheres em amamentação.

Portanto, o Sfíngoni contraindicado para menores de 18 anos, gestantes ou lactantes.

Além disso, não se deve aplicar o produto sobre a pele irritada, com cortes ou lesões, pelo risco de absorção e efeitos sistêmicos.

Efeitos colaterais do Sfíngoni

As publicações comerciais do Sfíngoni não relatam a presença de efeitos adversos significativos.

Durante o estudo, também não foram observadas reações adversas sistêmicas ou graves.

Do total de 32 voluntários, homens e mulheres, do primeira fase de estudos, 4 (11,1%) se queixaram de sintomas cutâneos leves.

Entre as queixas estavam queimação, coceira, vermelhidão, caspa e espinhas no couro cabeludo, além de descamação ao redor dos olhos.

Em geral, os sintomas duraram entre 4 a 8 semanas.

Já no segundo grupo com 80 participantes homens, apenas 1 (1,5%) apresentou coceira da pele, ardência nas pálpebras, com lacrimejamento e forte sensação queimação nos olhos.

Os sintomas melhoraram após 4 a 6 semanas.

O estudo não informa se a melhora foi espontânea, se o produto foi suspenso ou se foram usados remédios para amenizar os sintomas.

Sfíngoni: informações finais

Um fator que pesa muito contra na validação do estudo que avaliou a esfinganina como fonte científica é o fato de que parte dos pesquisadores do estudo pertencem à Evonik, empresa que desenvolveu o ativo.

Mais estudos, de pesquisadores independentes, precisam ser feitos para saber se os resultados obtidos no estudo podem ser reproduzidos.

Além disso, um dos principais mecanismos de ação do ativo, o bloqueio da enzima 5-alfa-redutase, mostrou ser pelo menos 10 vezes menor do que o da finasterida.

A partir disso, os próprios autores do artigo sugerem que talvez o produto possa ser usado como uma alternativa cosmética ao tratamento capilar.

Como tratar a caspa, queda de cabelo e calvície?

O tratamento de condições que afetam a saúde dos cabelos e couro cabeludo dependem de uma prévia avaliação médica.

Existem muitos ativos e produtos disponíveis no mercado, seja eles manipulados ou industrializados.

A decisão sobre qual a melhor opção deve ser feita de forma individual e baseada em uma criteriosa avaliação.

Para saber qual a opção mais adequada para o seu caso, faça-nos uma visita!

A Clínica Doppio possui uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície. Além disso, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.

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