Transplante capilar feminino: indicações, riscos e limitações
À primeira vista, parece estranho pouco se ouvir falar de transplante capilar feminino para tratamento da alopecia em mulheres.
Embora a calvície venha deixando de ser um assunto quase exclusivamente masculino, o transplante ainda continua bem mais popular entre os homens. Mas existem razões para isso.
Ainda que a técnica apresente resultados satisfatórios em casos selecionados, ela também envolve riscos e limitações, não sendo indicada rotineiramente.
Desse modo, para saber quem realmente pode se beneficiar do procedimento, é preciso antes entender um pouco mais sobre a calvície feminina e sobre essa técnica cirúrgica.
Com essas informações, fica mais fácil tomar uma decisão consciente e segura sobre fazer ou não o transplante capilar feminino.
Entendo a calvície feminina
A alopecia androgenética ou calvície hereditária é a principal forma de perda de cabelos em homens e mulheres.
Nessa condição, os fios vão progressivamente se tornando mais finos e curtos até desaparecerem por completo. Esse processo, chamado de miniaturização, é responsável por deixar o cabelo ralo e o couro cabeludo aparente.
Além do componente genético, há uma importante participação de fatores hormonais na calvície.
Sabe-se, por exemplo, que hormônios masculinos como a testosterona e a diidrotestosterona (DHT) estão envolvidos no processo de miniaturização.
A ação desses hormônios andrógenos sobre os cabelos é determinada por herança genética.
Dessa forma, cada pessoa herda de seus familiares áreas em que os fios são mais propensos a afinar e áreas que o cabelo é preservado.
Principais diferenças entre alopecia masculina e feminina
Embora o mecanismo da perda capilar seja semelhante em homens e mulheres, existem diferenças na frequência, apresentação e severidade da alopecia entre eles. Algumas dessas diferenças, inclusive, são cruciais para entender porque quase não se faz o transplante capilar feminino.
A calvície genética pode acometer até metade dos homens aos 50 anos. Na mesma faixa etária, 1 em cada 4 mulheres sofrem de alopecia, aumentando para 1/3 após a menopausa.
O padrão da alopecia também é diferente entre os homens e mulheres.
Enquanto a calvície masculina geralmente se inicia pelas “entradas” ou “coroa”, o afinamento dos cabelos da mulher é mais difuso.
Embora também ocorra um maior comprometimento do topo da cabeça nas mulheres, estudos científicos mostram haver acometimento das laterais e da nuca na alopecia feminina.
Assim, a miniaturização entre as mulheres resulta em menor densidade capilar, com couro cabeludo progressivamente mais visível.
Essa característica dificulta o transplante, pois as regiões que poderiam doar fios também tendem a ser afetadas.
Por fim, a evolução também é diferente entre os homens e mulheres.
Homens frequentemente evoluem com perda completa de cabelos na parte superior da cabeça, o que raramente ocorre em mulheres.
Além disso, a perda de cabelos em mulheres tende a ser mais lenta e gradual do que a dos homens.
Quais são as técnicas disponíveis no transplante capilar feminino?
O transplante capilar é um procedimento cirúrgico que visa realocar fios de áreas com mais cabelos para cobrir outras áreas com falhas.
A região da qual se retiram os fios é chamada doadora, sendo a receptora onde os fios são implantados.
As principais técnicas cirúrgicas de transplante capilar feminino são a FUT (Transplante de Unidade Folicular) e a FUE (Extração de Unidade Folicular).
Na FUT, retira-se uma faixa de pele do couro cabeludo, de onde então se separam as unidades foliculares para implantação posterior.
Já na FUE, a extração das unidades foliculares é feita diretamente do couro, retirando os fios individualmente.
Desde que surgiu, a técnica FUE vem ganhando a preferência de pacientes que se submetem ao transplante capilar feminino ou masculino.
A razão principal da escolha pela FUE é evitar a cicatriz linear característica da FUT.
Transplante capilar feminino de fios longos
Uma variação da FUE que atrai bastante a atenção de mulheres é a possibilidade de fazer transplante fios longos.
A técnica, conhecida como Preview Long Hair, Long Hair FUE ou transplante capilar de fio longo, a princípio, parece super interessante.
Afinal de contas, um dos dramas do transplante capilar feminino é justamente ter de raspar a cabeça para fazer o procedimento.
Entretanto, embora a proposta do implante capilar de fios longos pareça altamente atrativa e conveniente, o resultado não é tão vantajoso.
Primeiro porque dá muito mais trabalho para coletar e implantar os fios longos, aumentando a chance deles não ficarem bem implantados.
Além disso, fios longos exigem cuidado extra no pós-operatório para não serem puxados e perdidos.
Não bastassem esses problemas, os fios longos caem logo após serem implantados na área receptora, não havendo benefícios em se optar por essa técnica.
Portanto, diante de todas essas limitações, não se justifica optar pelo transplante capilar feminino de fios longos.
Quais são os riscos e complicações mais comuns?
Como toda cirurgia, o transplante capilar feminino envolve riscos.
Entre os eventos adversos mais comuns estão:
- dor;
- inchaço ou edema facial;
- espinhas ou foliculite;
- formação de cicatrizes;
- formigamento ou dormência;
- queda de cabelo.
A frequência de tais reações foi determinada por um estudo coreano que avaliou 195 mulheres submetidas ao transplante capilar.
Nesse grupo, cerca de 66% das pacientes apresentaram dor no primeiro dia após a cirurgia, 15% tiveram edema facial e 45% sofreram queda de cabelo.
Por que não vale a pena fazer transplante capilar feminino?
Nos homens, tipicamente há preservação de uma faixa de cabelos nas laterais e na nuca.
Nessas áreas do couro cabeludo masculino, os fios são geneticamente menos propensos a afinar.
Essa é uma característica do fio e não da área do couro cabeludo onde se encontram.
Assim, ao retirá-los dessas áreas e implantá-los nas áreas calvas, a tendência é que esses fios continuem resistentes à calvície.
Por outro lado, em mulheres, como a alopecia costuma acometer todo o couro cabeludo, o transplante capilar feminino se torna mais difícil.
Teoricamente, todos os fios podem ser comprometidos na alopecia feminina, o que acaba tornando a transposição dos fios menos interessante.
Além disso, como mulheres não costumam ter áreas totalmente lisas, os implantes precisam ser feitos entre os fios existentes.
Dessa forma, caso os enxertos não sejam feitos com técnica cirúrgica apurada, eles podem acabar prejudicando os fios ao redor, aumentando a área calva.
A queda dos fios ao redor das áreas transplantadas pode criar “ilhas” de cabelos, o que é extremamente não natural.
Por fim, é possível ocorrer uma queda ainda maior dos cabelos após o implante, conhecida como shock loss.
Essa queda costuma ser temporária, mas dependendo do grau de rarefação da pessoa, ela pode causar grande desconforto.
Quais são as indicações do transplante capilar feminino?
Embora geralmente o transplante não seja uma boa opção de tratamento para mulheres com alopecia, nem sempre é assim. Existem algumas exceções à regra.
Uma boa indicação de transplante capilar feminino, por exemplo, é para corrigir a altura ou formato da linha de implantação capilar. Mulheres com testa grande ou com entradas muito evidentes são ótimas candidatas ao transplante capilar, desde que não apresentem alopecia.
Entretanto, mesmo mulheres com calvície também podem ter uma indicação de transplante capilar.
Nesse caso, ele seria recomendado para aquelas com grau avançado de alopecia androgenética de padrão clássico.
O padrão clássico da calvície é o tipicamente masculino, ou seja, com perda de cabelo no topo da cabeça, preservando as laterais e nuca.
Não é comum encontrar esse tipo de calvície em mulheres porque quase sempre a rarefação capilar é difusa no público feminino.
Mas, para mulheres com esse padrão de alopecia e grau avançado de perda capilar, o transplante capilar feminino pode gerar resultados satisfatórios e duradouros.
A cirurgia para reposição de cabelos também pode ser uma opção em casos selecionados de outros tipos de alopecia, como na alopecia de tração e algumas outras alopecias cicatricias.
Transplante capilar feminino na alopecia frontal fibrosante
Como regra geral, alopecias cicatriciais não são boas indicações de transplante capilar.
Isso porque além de ter uma “pega” menor de enxertos por conta da fibrose, muitas vezes há um processo inflamatório por trás da alopecia.
Desse modo, ao fazer o procedimento cirúrgico, pode haver uma exacerbação ou reativação da inflamação com perda dos fios novamente.
Por isso, é preciso ter muita cautela para indicar o transplante capilar em alopecias cicatriciais inflamatórias como líquen plano, lúpus ou foliculites.
No caso da alopecia frontal fibrosante, o transplante capilar feminino gera a possibilidade de recuperar a linha de implantação do cabelo.
Como a doença evolui com perda do cabelo em faixa, a linha do capilar vai sendo empurrada para trás, causando grande desconforto estético por criar um padrão de distribuição pouco observado na população feminina.
Embora o resultado do transplante capilar feminino não seja o mesmo do que em uma pele sem processo cicatricial, ainda assim é possível se obter um efeito satisfatório.
Mas para isso é preciso estar há alguns anos sem sinais de atividade de doença e ter uma boa área doadora.
Portanto, o transplante capilar feminino pode ser considerado na alopecia frontal fibrosante em paciente pelo menos 2 a 3 anos sem sinais de atividade de doença e com uma boa área doadora.
Transplante capilar feminino: quando e onde fazer?
A perda de cabelos em mulheres é um assunto cada vez mais discutido, assim como possíveis opções de tratamento.
Uma das possibilidades terapêuticas para casos de alopecia avançada em mulheres é o implante capilar.
O transplante capilar feminino é um procedimento cirúrgico complexo.
Devido a suas dificuldades técnicas, a sua indicação deve ser feita com muito cuidado, após criteriosa avaliação.
Para que se tenha bons resultados, o transplante capilar feminino precisa ser feito por cirurgiões tecnicamente muito preparados.
Com isso, eleva-se em muito o custo do procedimento, tornando-o muitas vezes inviável.
Por sua vez, o tratamento clínico da alopecia feminina se faz necessário mesmo em pessoas submetidas à cirurgia.
Assim, deve-se sempre considerar o uso de medicações e procedimentos em quem tem calvície.
Para saber mais informações sobre as possibilidades de tratamento da alopecia, incluindo o transplante capilar feminino, consulte um médico especialista.
A Clínica Doppio além de possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.
Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

O meu e fino e quebra bastante, tem algumas pequenas falhas na região frontal