Feridas no couro cabeludo: quando pode ser câncer?

Feridas no couro cabeludo: quando pode ser câncer?

Apesar de feridas no couro cabeludo serem majoritariamente benignas, é preciso saber quando suspeitar de câncer de pele.

Calvície e câncer de pele

Além do aspecto estético, os cabelos também têm grande importância na proteção do couro cabeludo contra os raios solares.

Assim, em pessoas com calvície, o couro cabeludo passa a ser uma das regiões do corpo com maior exposição ao Sol.

Por isso, é preciso ter uma atenção especial com as feridas no couro cabeludo.

Os tumores do couro cabeludo possuem um espectro clínico amplo e heterogêneo, sendo necessária uma avaliação detalhada para identificar o tipo de lesão.

Além disso, eles frequentemente exibem características específicas do couro cabeludo que os distinguem de tumores em outros locais do corpo.

Quais as principais lesões do couro cabeludo?

Mesmo sendo uma das regiões mais propensas a desenvolver câncer de pele, as lesões do couro cabeludo são predominantemente benignas e dificilmente formam ferida.

Segundo estudos, cerca de 40% dos tumores de couro cabeludo são cistos subcutâneos oriundos dos folículos pilosos, ou seja, cistos triquilemais.

Outros 30% são nódulos de gordura que se formam embaixo da pele, os chamados lipomas.

Por fim, 28% são pintas, também conhecidas como nevos melanocíticos.

Do total de tumores do couro cabeludo, apenas de 1 a 2% apresentam malignidade.

Mesmo assim, os cânceres de pele do couro cabeludo representam 13% de todas as neoplasias cutâneas.

Entre as lesões malignas do couro cabeludo, tem-se:

  • Carcinoma basocelular (41%);
  • Carcinoma de células escamosas ou espinocelular (16%);
  • Metástases (12%);
  • Linfoma (5%).

Os cânceres angiossarcoma, melanoma, carcinoma anexial e carcinoma de células de Merkel representam menos de 1% das condições cada.

Câncer de pele não-melanoma: feridas no couro cabeludo que não cicatrizam

O câncer de pele não-melanoma pode apresentar-se, em geral, como carcinoma basocelular ou carcinoma de células escamosas e sua variante doença de Bowen. 

Esse é o tipo mais comum de câncer de pele entre as pessoas de pele clara.

No couro cabeludo, esses tumores são clinicamente caracterizados por uma maior tendência à ulceração.

Portanto, frequentemente, eles se apresentam como espinha, machucado, ferida ou úlcera que não cicatriza.

Tumores melanocíticos: manchas ou pintas escuras

Existem diversas lesões que podem apresentar aspecto de mancha escura no couro cabeludo.

As mais frequentes são os nevus comuns, congênitos (de nascença), azuis, atípicos e o melanoma.

Para diferenciar essas lesões é preciso que o dermatologista faça um exame chamado dermatoscopia.

Através desse exame com lentes de aumento, o médico observa características que distinguem cada uma dessas lesões do couro cabeludo.

Em casos específicos, pode ser necessário se fazer uma biópsia.

Nesse procedimento, um pequeno fragmento contendo a lesão é retirado cirurgicamente para ser analisado no laboratório.

O exame, chamado anátomo-patológico, permite avaliar microscopicamente a lesão e dar um diagnóstico mais certeiro.

Mesmo que o diagnóstico deva ser feito sempre pelo dermatologista, é importante que as pessoas saibam quais os sinais que podem indicar que uma pinta possa ser um câncer de pele no couro cabeludo.

Para facilitar essa tarefa, existe uma dica fácil de se memorizar: a regra do ABCDE.

Assim, ao observar uma pinta escura no couro cabeludo, avalie:

  • Assimetria: lesões malignas costumam ser assimétricas, ou seja, diferentes quando se comparam as metades da lesão entre si.
  • Bordas: as bordas da do câncer de pele geralmente são irregulares.
  • Cor: o melanoma costuma apresentar mais de uma cor na mesma lesão, com diferentes tons de preto, marrom, cinza e branco.
  • Diâmetro: lesões maiores do que meio centímetro são mais suspeitas.
  • Evolução: crescimento rápido, coceira, sangramento e formação de feridas no couro cabeludo são sinais de alerta.

Tumores anexiais

A pele do couro cabeludo contém outras estruturas, chamadas anexos, que também podem dar origem a tumores.

Entre eles estão os folículos pilosos, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas.

Apesar de poderem aparecer de forma isolada, esses tumores anexiais também podem estar associados a doenças genéticas raras.

Queimadura solar

A queimadura solar também pode levar ao aparecimento de feridas no couro cabeludo.

Essas são causadas por uma intensa reação inflamatória aguda da pele.

Outros sintomas incluem vermelhidão, inchaço, com ou sem formação de bolhas, seguido de descamação. Podem ainda ocorrer dor e coceira.

Tanto a queimadura solar quanto a exposição crônica à radiação UV são fatores de risco para o surgimento do câncer de pele.

A radiação solar causa danos celulares que, no longo prazo, podem dar origem a lesões pré-malignas como queratoses actínicas.

Geralmente as queratoses se caracterizam por lesões ásperas, mas elas também podem se apresentar como feridas no couro cabeludo.

Fatores de risco de câncer no couro cabeludo

A exposição aos raios UV é o principal fator de risco ao desenvolvimento de tumores malignos no couro cabeludo de pessoas com alopecia.

Nessas pessoas, o padrão clínico da alopecia determina tendências quanto ao local das ocorrências.

Como mulheres e homens apresentam padrões diferentes de perda de cabelo, é esperado que a distribuição do câncer também acompanhe essas diferenças.

Assim, por exemplo, mulheres apresentam mais feridas no couro cabeludo localizadas na parte da frente e na coroa do couro cabeludo.

Como os homens calvos são expostos em toda a parte de cima da cabeça, além daqueles locais, há ainda maior tendência ao surgimento de tumores nas laterais e nuca do que em mulheres.

Além disso, por serem mais acometidos pela calvície, também é esperado que os tumores malignos no couro cabeludo sejam até quatro vezes mais comuns em homens.

Outros fatores favoráveis ao surgimento de cânceres no couro cabeludo são:

  • exposição a produtos químicos como hidrocarbonetos policíclicos;
  • feridas crônicas e cicatrizes;
  • papilomavírus humano (HPV);
  • radioterapia prévia na região do couro cabeludo;
  • idade avançada, devido à baixa resistência imunológica;
  • pacientes imunossuprimidos.

A amplitude dos riscos exige cuidados adicionais principalmente às populações mais suscetíveis.

Riscos do diagnóstico tardio

Em geral, devido à dificuldade de identificação das feridas no couro cabeludo, o diagnóstico costuma ser tardio.

A inacessibilidade de algumas áreas para auto-inspeção dificultam a verificação de tumores e também um relato confiável sobre surgimento e crescimento das lesões.

O diagnóstico precoce melhora o prognóstico da condição e minimiza as chances de metástase, elevando as chances de sobrevida no caso de tumores malignos, ainda que eles sejam raros.

Dessa forma, a realização periódica de avaliações capilares e a procura por um médico especialista assim que identificar anormalidade são essenciais.

A Clínica Doppio, além de possuir uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.

Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

2 respostas

    1. Olá, Elizabete

      A disestesia é a alteração da sensibilidade da pele. Ela pode se expressar por ardência (https://clinicadoppio.com.br/ardencia-no-couro-cabeludo-o-que-pode-ser/), formigamento ou arrepio, por exemplo.
      Existem algumas possibilidades para o seu quadro.
      Sugiro que passe por uma avaliação médica completa (https://clinicadoppio.com.br/diagnostico-e-exames-para-queda-de-cabelo/), com análise do fio de cabelo, couro cabeludo e exames de sangue, para determinar os motivos dos seus arrepios.
      Caso queira mais informações, entre em contato conosco pelo número (11) 38539175.
      Estamos à disposição para ajudá-la.

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