Queda de cabelo por canetas emagrecedoras e outros inibidores de apetite

A possibilidade de haver queda de cabelo por canetas emagrecedoras é uma das preocupações de pessoas em uso desse tipo de medicamento.

Conforme crescem em popularidade, também se aumentam as dúvidas sobre a segurança dessas medicações.

No que diz respeito à área capilar, investiga-se o papel desses remédios na queda e perda definitiva dos fios.

O que é e como funcionam os inibidores do apetite?

Existem diversas canetas emagrecedoras e inibidores do apetite no mercado, com diferentes princípios ativos, dentre eles:

  • semaglutida:
  • liraglutida:
  • tirzepatida:
  • dulaglutida:
  • exenatida;
  • lixisenatida
  • retratutida.

Esses medicamentos atuam na regulação do apetite e da digestão através da ativação de receptores hormonais existentes no corpo como o GLP-1, GIP e glucagon. 

Ao imitarem os hormônios, essas moléculas sintéticas se ligam aos receptores e geram no organismo uma resposta semelhante a se os hormônios estivessem presentes.

Desse modo, eles reduzem a fome  e retardam o trânsito dos alimentos pelo sistema digestivo, aumentando o tempo de saciedade do paciente. 

Além disso, esses remédios também melhoram a liberação de insulina e aproveitamento da glicose, reduzindo os níveis de açúcar no sangue.

Por isso, essas medicações se tornaram uma das opções de tratamento para controle da diabetes.

Essa, inclusive, foi a primeira indicação das canetas emagrecedoras a ter aprovação pelo FDA nos Estados Unidos e Anvisa no Brasil.

A regulamentação como tratamento para obesidade só ocorreu posteriormente, muito graças à popularidade e pesquisas sobre esse seu novo efeito.

De acordo com estudos científicos, por exemplo, a perda de peso pela semaglutida pode chegar a 15% em um ano, com níveis ainda maiores com a tirzepatida.

Queda de cabelo por canetas emagrecedoras: entenda a relação

Quem busca por explicações sobre uma possível queda de cabelo canetas emagrecedoras, encontra informações pouco conclusivas sobre o assunto.

Na bula das medicações, por exemplo, quase não há referência a problemas capilares com o uso da injeção.

De acordo com os fabricantes, os principais efeitos colaterais dos análogos de GLP-1 são sintomas gastrointestinais como náuseas, vômito, diarreia e gases.

Na literatura médica, há alguns estudos sobre a queda de cabelo por canetas emagrecedoras.

Em estudos pré-clínicos com semaglutida, por exemplo, apenas 3% dos pacientes apresentaram queda de cabelo como reação adversa.  Já no grupo controle, essa taxa foi de 1%.

Como essa diferença não foi significante do ponto de vista estatístico, esse dado não consta na bula dessa medicação.

Entretanto, com a massificação no uso dessas canetas e constantes relatos de pacientes em consultas e fóruns sobre cabelos, diversos outros estudos vêm tentando estabelecer essa relação.

Para avaliar o resultado desses estudos sobre queda de cabelo por canetas emagrecedoras, uma revisão sistemática analisou diversos dados da literatura médica sobre o assunto.

A conclusão foi de que realmente há evidências de perda capilar pelo uso de análogos de GLP-1, especialmente a semaglutida e a tirzepatida.

Embora reconheçam a queda de cabelo por canetas emagrecedoras, os estudos ainda divergem e divagam sobre os motivos e mecanismos envolvidos no processo.

Algumas hipóteses, no entanto, vêm surgindo e parecem fazer sentido.

Possíveis causas de queda de cabelo por canetas emagrecedoras

Nem todo efeito indesejável de um remédio se deve à ação direta do fármaco.

Muitas vezes, o problema ocorre porque há uma série de outros situações e fatores envolvidos no processo.

No caso da queda de cabelo por canetas emagrecedoras, por exemplo, há diversas variáveis a se considerar.

O próprio emagrecimento e possíveis déficits nutricionais, por exemplo, são alguns desses pontos.

Perda de peso

Embora a semaglutida e a tirzepatida não façam cair cabelo, o emagrecimento rápido que elas causam pode contribuir para isso.

Trabalhos científicos sugerem um aumento da queda capilar após uma perda de peso considerável, como na cirurgia bariátrica.

Dessa forma, a queda de cabelo por canetas emagrecedoras poderia ser, na verdade, uma consequência da drástica redução do peso.

Nesse tipo de situação, o mecanismo da queda capilar costuma ser o eflúvio telógeno, condição temporária secundária a alterações no ciclo capilar.

Em geral,  a queda por eflúvio capilar ocorre cerca de 1 a 3 meses após o evento desencadeador, melhorando em mais alguns meses após eliminação do seu fator desencadeante

Falta de energia

O principal responsável pela perda de peso no emagrecimento é a redução do consumo de calorias.

Pois bem, essa também é uma das possibilidades de justificar a queda de cabelo por canetas emagrecedoras. 

Ao ingerir menos alimentos, o organismo passa a contar com uma menor quantidade de calorias para realizar suas tarefas.

Dessa forma, atividades com alto gasto energético e com papel secundário para o seu funcionamento, como a produção de cabelo, passam a ficar em segundo plano.

Essa, inclusive, foi a tese de um artigo sobre queda de cabelo em pessoas sob regimes rigorosos. 

Nesse trabalho, 5 em cada 9 pessoas com perda rápida de peso observaram queda de até 50% do cabelo 2 a 5 meses após perderem entre 11 e 24 quilos.

Deficiências nutricionais

Além da perda de peso e déficit calórico em si, a inapetência pelo uso dessas medicações também pode gerar carência de certos nutrientes.

Isso porque ao não sentir fome, a pessoa costuma se alimentar bem menos. 

Desse modo, a tendência é acabar não fazendo refeições mais completas, dando preferência a beliscar pequenos lanches.

O resultado então não poderia ser outro: o desenvolvimento de déficits de vitaminas, ferro, zinco e outros minerais.

Portanto, além da perda de peso, a falta de nutrientes também poderia contribuir para o cabelo cair com a medicação.

Balanço negativo de nitrogênio

Uma outra possível causa de queda de cabelo por canetas emagrecedoras é o balanço negativo de nitrogênio.

O  nitrogênio é um elemento químico presente nas proteínas, moléculas formadoras de estruturas como músculos e cabelos.

Por sua vez, o balanço de nitrogênio é a subtração entre o ganho e perda de proteínas, sendo negativo quando se perde mais proteínas do que se ganha.

Essa situação é umas das teorias sobre a queda de cabelo por canetas emagrecedoras.

Isso porque ao comer menos e ter redução do aporte calórico, o corpo passa a mobilizar suas reservas e fontes alternativas de energia como gorduras e músculos. É assim que se emagrece.

O problema é que sem uma ingesta adequada de proteínas, o corpo entra então em um balanço negativo de nitrogênio.

Diante desse cenário, o organismo também diminui o fornecimento de proteínas para atividades não essenciais com alto consumo desses componentes, como, por exemplo, a produção dos fios de cabelos.

Essa, inclusive, foi a proposta de um artigo científico sobre queda de cabelo em pessoas com emagrecimento rápido.

No estudo, os pesquisadores analisaram mais de 200 pacientes com perdas de peso relevantes.

Após 4 anos de seguimento, os autores notaram queda de cabelo especialmente em pacientes com perdas acima de 200 gramas por dia durante períodos entre 40 e 330 dias.

Nesses pacientes, o aumento da ingesta de proteínas eliminou quase que completamente a queda de cabelo.

Queda de cabelo por canetas emagrecedoras: o que fazer?

Mesmo tendo a aprovação dos órgãos de saúde, os remédios para emagrecer sempre causam polêmica.

Uma vez que se conhecem seus benefícios, a dúvida recai sobre possíveis riscos e efeitos colaterais desses fármacos.

A pergunta no caso é simples: o preço que se paga vale a pena?

Aqui mais do que o investimento financeiro, deve-se considerar a saúde.

Portanto, converse com seu médico caso você note um aumento da queda capilar ou outros efeitos indesejados com as canetas emagrecedoras.

Quer saber nossa opinião sobre o assunto?

Então, faça-nos uma visita!

A Clínica Doppio  possui uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície. Além disso, contamos ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema na busca de um bom resultado.

Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

Dr. Nilton de Ávila Reis

CRM: 115852/SP | RQE 32621

Médico formado pela UNICAMP e dermatologista pela USP, com mais de 10 anos de experiência no tratamento de problemas capilares e do couro cabeludo. Integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein e Sírio-Libanês.


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