Tratamento da calvície com finasterida: ação, dose, resultados e efeitos
O uso da finasterida para calvície já é consagrado e bem conhecido pela população.
Afinal de contas, esse foi o primeiro remédio oral a obter regulamentação para tratamento da alopecia androgenética masculina no mundo.
Desde a sua aprovação, a finasterida passou a ser um dos principais pilares do tratamento da calvície em homens. Os bons resultados alcançados pela medicação, seja em pesquisas científicas ou na prática clínica, a tornaram extremamente popular.
O sucesso só não foi maior por conta da sua má fama em poder causar impotência e perda de libido.
Diante de tantas questões e dúvidas sobre o uso da finasterida para calvície, vale a pena verificar quais informações são realmente confiáveis.
Finasterida: aspectos legais
A finasterida surgiu entre as décadas de 70 e 80.
Já a aprovação da finasterida para calvície nos Estados Unidos pelo FDA (Food and Drug Administration) ocorreu em 1997.
Entretanto, antes mesmo de sua regulamentação para tratamento capilar, a finasterida já tinha liberação no FDA desde 1992 para tratar a hiperplasia benigna prostática.
No Brasil, o registro da finasterida para calvície se deu pela portaria no 312 da ANVISA no dia 27/04/1998, com publicação no Diário Oficial da União em 29/04/1998.
Na ocasião, o número do registro da medicação referência da finasterida no Ministério da Saúde foi 1.0029.0019.
Tanto o FDA quando a ANVISA aprovaram o uso de medicamentos contendo finasterida apenas para homens, não havendo permissão para uso feminino e nem por crianças.
Em 2005, a agência mundial de controle antidoping, WADA (World Anti-Doping Agency), proibiu o uso da finasterida por atletas. A partir de 2009, no entanto, retirou-se a finasterida da lista de medicações proibidas.
Uso feminino da finasterida
A finasterida não tem aprovação nem liberação das agências de saúde para uso na alopecia feminina.
Em mulheres em idade fértil, a medicação é contraindicada devido ao risco de malformações na genitália do feto masculino.
Além disso, os resultados do uso da finasterida para calvície em mulheres pós-menopausa também são bem inconsistentes.
Desse modo, suas indicações do uso feminino da finasterida acabam sendo bem restritas.
Em alguns casos, a finasterida pode entrar como tratamento off label de hirsutismo (excesso de pelos) e da alopecia frontal fibrosante.
Em ambos os casos, no entanto, é preciso ter uma avaliação especializada cuidadosa e monitoramento de sua evolução.
Como age a finasterida para calvície?
A finasterida é um inibidor seletivo da enzima 5-alfa-redutase, responsável pela conversão de testosterona em um andrógeno mais potente, a diidrotestosterona (DHT).
O DHT é o principal hormônio responsável pelo processo de miniaturização dos fios e rarefação dos cabelos.
De acordo com estudos, o uso diário de finasterida na dose recomendada reduz em 60% a 70% a concentração de DHT no sangue e no couro cabeludo, mantendo os níveis de testosterona iguais ou com leve aumento de 10 a 20%.
Qual a dose recomendada de finasterida para calvície?
A finasterida é um remédio para tratamento de 2 problemas masculinos: a hiperplasia benigna prostática e a alopecia androgenética.
Embora seja o mesmo medicamento, há uma variação da posologia do fármaco nessas duas condições.
A dose da finasterida para calvície é de 1 mg ao dia. Já para o tratamento da hiperplasia benigna prostática, a dose é consideravelmente maior, ou seja, de 5 mg ao dia.
Como fazer uso seguro da finasterida para calvície?
A finasterida não é um hormônio.
Trata-se de uma medicação sintética, ou seja, desenvolvida em laboratório.
A recomendação de uso da finasterida para calvície é de 1 comprimido de 1 mg por via oral uma vez ao dia.
A absorção da substância não sofre alteração significativa pela alimentação. Então, a sua ingestão pode ser com ou sem alimentos. O ideal é sempre tomá-la no mesmo horário.
A metabolização ou destruição da finasterida ocorre no fígado.
Cerca de 50% do medicamento sofre eliminação pela urina e fezes 6 horas após sua ingestão.
Por conta do seu metabolismo, antes de iniciar o tratamento, é bom realizar exames como função hepática, função renal e dosagem de hormônios.
Além disso, como a finasterida pode alterar o valor do PSA (antígeno prostático específico), homens acima de 40 anos também devem fazer esse exame antes de começar a medicação.
Resultados
Um dos primeiros e mais citados estudos sobre a eficácia da finasterida no tratamento da calvície masculina foi publicado no Journal of American Academy of Dermatology.
Nesse estudo foram seguidos 1553 homens entre 18 e 41 anos com alopecia androgenética.
Segundo os resultados desse estudo, a finasterida funciona a partir do 3o mês, com melhora de até 66% dos casos a partir de 2 anos de uso.
A conclusão do estudo foi que o tratamento com finasterida 1 mg ao dia diminui a progressão da calvície e aumenta o crescimento do cabelo em homens em uso por 2 anos.
Um outro estudo avaliou a eficácia após seguimento de 10 anos, notando que a medicação foi bem tolerada e que o efeito não diminui com o tempo.
Pelo contrário, uma grande parte dos homens que não haviam tido melhora após 1 ano de uso da finasterida, notaram resultados positivos posteriormente e mantiveram a tendência de melhora com o uso a longo prazo, sem aumento da incidência de efeitos colaterais com o passar do tempo.
Qual o período de tratamento com a finasterida?
Os resultados do uso da finasterida para calvície começam a aparecer depois de 3 a 4 meses, sendo a resposta máxima observada a partir de 12 meses de tratamento.
Como a alopecia androgenética é um quadro crônico, o uso da finasterida para calvície também deve ser contínuo e por tempo indeterminado
Por sua vez, a interrupção do medicamento gera uma nova elevação dos níveis de DHT e, por conseguinte, piora progressiva da calvície.
Quais são os efeitos colaterais da finasterida?
De maneira geral, a finasterida é uma medicação eficaz e segura para tratamento da calvície.
Porém, como toda medicação, há relatos de alguns eventos indesejáveis.
Os efeitos adversos mais temidos pelos homens em uso de finasterida para calvície são diminuição da libido, dificuldade de ereção e redução do volume ejaculatório.
Esses efeitos atingem uma pequena parcela dos usuários, em torno de 2% a 4%.
Outras reações adversas associadas à finasterida são alergia, tontura, fraqueza e, raramente, ginecomastia, ou seja, aumento das mamas.
Há ainda questionamentos sobre contribuição da medicação na piora da depressão e na mobilidade dos espermatozoides.
Além disso, estudos apontam um maior risco de câncer de mama em homens utilizando a medicação.
Por outro lado, há também estudos sugerindo um possível efeito protetor da finasterida contra o desenvolvimento de câncer de próstata.
Síndrome pós-finasterida: efeitos colaterais permanentes
Os efeitos colaterais relacionados à finasterida para calvície são incomuns e não duradouros.
Entretanto, ao longo dos anos foram surgindo relatos de quadros de disfunção sexual, alterações de humor e depressão persistentes mesmo após a interrupção do medicamento.
A condição, chamada síndrome pós-finasterida, continua sendo um assunto bem controverso e não aceito por boa parte da comunidade médica e científica.
Finasterida tópica x oral
Buscando evitar possíveis efeitos sistêmicos da finasterida, alguns médicos optam por mandar manipular finasterida tópica.
A ideia é que ao aplicar diretamente no couro cabeludo a loção capilar com finasterida para calvície, ela atue apenas localmente.
Alguns estudos até demonstram que a finasterida tópica é capaz de reduzir os níveis de DHT localmente.
No entanto, a resposta clínica ao uso de tônicos capilares com finasterida ainda não foi suficiente para regulamentá-los como medicamentos.
Dutasterida x finasterida para calvície
Por muito tempo a finasterida foi a única medicação oral a ter aprovação da Anvisa para tratamento capilar.
Entretanto, em 2022, a agência de saúde brasileira liberou também a dutasterida para tratar a alopecia androgenética masculina.
O mecanismo de ação da dutasterida é semelhante ao da finasterida para calvície, ou seja, ambas funcionam como inibidores da enzima 5-alfaredutase. Mas existem algumas diferenças entre elas.
Enquanto a dutasterida bloqueia os tipos 1 e 2 da enzima 5-alfaredutase, a finasterida inibe apenas o tipo 2.
Desse modo, de acordo com estudos, a dutasterida é capaz de reduzir os níveis DHT no sangue em até 90% contra apenas 70% da finasterida.
Com relação aos efeitos colaterais, os estudos apontam não haver uma diferença significativa dutasterida ou finasterida.
Combinação com outros tratamentos
Muitas pessoas têm dúvidas se devem usar minoxidil ou finasterida para calvície em homens.
Embora seja comprovadamente eficaz, não se deve utilizar a finasterida como tratamento único da calvície masculina.
Isso porque em uma boa parte dos casos seus efeitos se restringem a diminuir a velocidade de progressão da perda capilar.
Para ser mais eficaz, o tratamento com finasterida para calvície masculina deve ser associado a terapias como, por exemplo, minoxidil, laser capilar e outras.
A combinação dessas modalidades terapêuticas contribui para potencializar os resultados e permitir a reversão da alopecia androgenética.
Vale a pena tomar finasterida para calvície?
A finasterida segue sendo uma das opções mais eficazes e seguras no tratamento da alopecia androgenética masculina.
Desde que usada corretamente, sob orientação médica e com acompanhamento especializado, ela é capaz de proporcionar resultados bem satisfatórios com poucos riscos.
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