Novo remédio para calvície: PP405 e outros medicamentos em estudo
A busca por um novo remédio para calvície mobiliza cientistas do mundo inteiro.
Não é para menos, uma vez que cerca de 80% dos homens e até 40% das mulheres desenvolvem alopecia androgenética ao longo da vida.
Mesmo já existindo medicamentos eficazes e seguros como, por exemplo, minoxidil e finasterida, nem todas as pessoas podem utilizá-los.
Além disso, parte dos pacientes notam piora da alopecia mesmo já em uso dessas medicações.
Por isso, ainda há interesse em se descobrir um novo remédio para calvície.
Pesquisas recentes procuram entender os mecanismos biológicos da perda capilar para desenvolver novos fármacos capazes de revertê-la.
Nessa corrida, um dos mais populares é o PP405.
O que há de novo no tratamento da calvície?
Nos últimos anos, avanços em biologia molecular e medicina regenerativa permitiram identificar novos alvos terapêuticos com potencial de revolucionar o tratamento da alopecia androgenética.
Dentre as novas estratégias par se combater a calvície estão procedimentos como plasma rico em plaquetas (PRP), intradermoterapia, microagulhamento, enxerto de gordura no couro cabeludo, clonagem capilar, terapia com células estaminais e o botox de couro cabeludo.
Entre os novos medicamentos em teste estão aqueles que atuam bloqueando hormônios, ativando vias celulares específicas e até estimulando as células-tronco do couro cabeludo.
Os principais candidatos a novo remédio para calvície são: PP405, clascoterona, KX-826, GT20029, OLX104C, TDM-105795, SM04554, JW0061, KY19382 e DLQ01.
Um ponto que chama a atenção nessa lista é o fato de quase todos ainda não terem nomes, recebendo apenas siglas como designação. Isso ocorre porque eles ainda estão em fase de testes, sem aprovação ou regulamentação para serem comercializados.
Como agem os novos medicamentos para nascer cabelo?
Para facilitar a compreensão sobre quais são os novos ativos em estudo, é melhor dividi-los em grupos de acordo com seu modo de ação.
A seguir, serão expostos os principais mecanismos de atuação dos novos fármacos no combate à alopecia.
Novo remédio para calvície que atua em receptores hormonais
Uma das frentes de pesquisa sobre tratamentos para alopecia androgenética é a dos inibidores do receptor androgênico (AR).
O receptor AR é o local pelo qual hormônios como a testosterona e a di-hidrotestosterona (DHT) se conectam às células da raiz do cabelo.
Ao se ligarem a esses receptores de pessoas com predisposição à calvície, os hormônios masculinos induzem o afinamento e encurtamento dos fios.
Portanto, uma das formas de desacelerar a calvície é bloquear esses receptores e evitar a ligação dos hormônios a eles.
Já existe disponível nas farmácias um medicamento que atua dessa maneira: a espironolactona
A espironolactona é um diurético que compete com os hormônios masculinos pela ligação aos receptores AR.
Embora esse remédio já faça parte do tratamento da alopecia feminina, homens não devem usá-lo. Por ser um medicamento oral, a ação do ativo é sistêmica, podendo levar à feminilização dos homens.
Tentando evitar esse efeito, os pesquisadores têm procurado por um novo remédio para calvície que bloqueie os receptores AR, mas tenha ação local.
Assim, algumas opções de bloqueadores de receptor AR em estudo são a clascoterona e KX-826 (pirilutamida).
Em ambos os casos, a proposta é bloquear a ação dos hormônios masculinos diretamente no couro cabeludo com menos efeitos colaterais sistêmicos.
Outra linha de pesquisa em torno dos receptores androgênicos é a de moléculas que degradam essas estruturas.
Um novo remédio para calvície com esse perfil é o GT20029.
Nesse caso, a ideia não é só bloquear, mas reduzir a quantidade dos receptores AR nos folículos.
Por fim, uma frente promissora é a dos medicamentos baseados em RNA, como o OLX104C, que tentam “desligar” diretamente a produção do receptor androgênico.
Novo remédio para calvície via Wnt/β-catenina
Alguns compostos em estudo têm por objetivo ativar a via Wnt/β-catenina, essencial para o crescimento do folículo piloso.
Ao promover a ativação dessa via, fármacos como o SM04554, JW0061 e KY19382 buscam prolongar a fase de crescimento dos fios e diminuir a queda de cabelo.
Moduladores de hormônios tiroidianos, prostaglandinas e fatores de crescimento
Além dos receptores AR e via Wnt/β-catenina, existem outros mecanismos moleculares paralelos a serem explorados no desenvolvimento de um novo remédio para calvície.
Esse é o caso, por exemplo, das prostaglandinas, fatores de crescimento e também de substâncias que modulam os hormônios da tireoide, como o TDM-105795.
As prostaglandinas e os fatores de crescimento são moléculas naturalmente produzidas pelo corpo e que influenciam o ciclo do cabelo.
Na tentativa de proporcionar um estímulo extra para crescer os fios, diversos laboratórios têm tentado isolar e aplicar esses compostos no couro.
Um exemplo desse modelo em estudos é um tópico de prostaglandina 2 chamado DLQ01.
Medicina regenerativa
Uma outra linha de pesquisa que vêm crescendo bastante ultimamente é a de terapias baseadas em células-tronco e exossomos.
Os cientistas tentam encontrar formas de isolar células-tronco e promover sua diferenciação em novos folículos, permitindo, dessa forma, regenerar o cabelo onde ele sumiu.
Dentro desse conceito, estão procedimentos como o enxerto de gordura no couro cabeludo, clonagem capilar e terapia de células estaminais.
Os exossomos e a nanotecnologia capilar também poderiam colaborar nesse sentido.
Os exossomos são pequenas vesículas produzidas pelas células para comunicação e transporte intracelular.
O que os cientistas vêm tentando é isolar e reproduzir exossomos para eles servirem se transportadores de minúsculos ativos (nanopartículas) capazes de atuar e regenerar diretamente os folículos danificados.
Foco no metabolismo: PP405 como novo remédio para calvície
Entre as terapias capilares mais comentadas ultimamente está o PP405.
A mídia deu grande destaque a esse composto, colocando-o como a grande promessa de se ter um novo remédio para calvície.
O ativo foi licenciado pelo laboratório Pelage Pharmaceuticals e vem sendo testado na Universidade da Califórnia (UCLA), nos Estados Unidos.
Diferentemente dos tratamentos tradicionais, o PP405 age em outro ponto chave da dinâmica capilar: o metabolismo das células-tronco do folículo piloso.
Nos casos de alopecia androgenética, embora parte dos fios não sejam aparentes, seus folículos e células-tronco permanecem vivos, estando apenas “adormecidos”.
Conforme os pesquisadores, o PP405 estimula a produção de lactato por meio da modulação da enzima lactato desidrogenase (LDH). Com isso, a substância reativaria as células-tronco do folículo piloso, restaurando o ciclo natural de crescimento dos fios.
O PP405 é um medicamento tópico (em forma de loção), aplicado diretamente no couro cabeludo, sem necessidade de procedimentos invasivos.
De acordo com informações da empresa, os testes com PP405 em humanos vêm demonstrando alta tolerância e boa eficácia em reativar as células-tronco do folículo.
Novo remédio para calvície: perspectivas futuras
A ciência está cada vez mais próxima de oferecer soluções realmente transformadoras para a calvície.
Esses novos tratamentos nascem a partir de um maior entendimento de como o folículo piloso funciona.
Esse conhecimento é fundamental para abrir caminho a terapias mais inovadoras, eficazes, seguras e personalizadas.
Porém, apesar dos avanços nas pesquisas, essas opções ainda estão em fases de estudo, sendo necessário se aguardar por tempo indeterminado até que elas estejam realmente disponíveis para venda.
Então, embora a perspectiva de se ter um novo remédio para calvície nunca tenha sido tão promissora, ainda não há nada de concreto.
A expectativa é de que em um futuro próximo surjam mais opções disponíveis para tratar a perda capilar.
Mas até lá o que não vale é ficar esperando enquanto os cabelos vão sumindo.
Afinal de contas, atualmente existem tratamentos capazes de reverter a calvície com segurança e resultados satisfatórios.
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