Cabelo e estilo de vida: como eles se relacionam?
Saúde do cabelo e estilo de vida estão intimamente relacionados.
A vitalidade capilar vai muito além do uso de produtos e rotina de cuidados com os fios.
Ela depende diretamente de diversos fatores como, por exemplo, genética, hormônios e estado geral do organismo.
Mas, nesse contexto, qual serial o papel dos hábitos de vida na saúde dos cabelos?
Cabelo e estilo de vida: por que os fios caem?
Diversas atitudes e escolhas do dia a dia interferem na dinâmica capilar, podendo causar quebra ou queda dos fios.
Para entender como queda de cabelo e estilo de vida se relacionam, é preciso antes conhecer o ciclo natural de crescimento dos fios.
O ciclo capilar consiste em três fases principais:
- anágena: é o período mais longo do ciclo, com duração entre 2 a 8 anos. 80 a 90% dos fios estão nessa fase de crescimento máximo dos fios;
- catágena: trata-se de uma breve fase de transição de 30 dias na qual 2% dos fios sofrem rápida involução e se preparam para queda;
- telógena: fase na qual 10 a 15% dos fios permanecem em repouso por 3 meses até caírem e serem substituídos por novos fios.
- Por esse ciclo, é normal cair até 100 fios por dia. Faz parte do processo natural de troca do cabelo.
Entretanto, existem diversos fatores capazes de causar disrupturas no ciclo capilar, acelerando a queda. Essas situações podem fazer cair cabelo por forçarem uma maior quantidade de fios a interromper seu crescimento na fase anágena e entrarem precocemente na fase de queda ou telógena. Esse fenômeno é conhecido como eflúvio telógeno.
O eflúvio telógeno pode ter diversas outras causas, muitas delas relacionadas aos hábitos de vida e ao estado de saúde das pessoas.
Portanto, o eflúvio telógeno é o mecanismo pelo qual a queda de cabelo e estilo de vida se relacionam.
Após esclarecer como o modo de viver age no ciclo capilar provocando queda, é bom contextualizar sobre quais hábitos podem interferir nesse processo
Queda de cabelo e estilo de vida: causas
O cansaço seja pela rotina ou excesso de trabalho vai desgastando o emocional e a saúde das pessoas.
Com o tempo, sob pressão, o corpo e o cabelo vão se tornando cada vez mais fracos e menos resistente a agravos.
Nesse contexto, há menos força para resistir a momentos de grande estresse como luto, separação ou dificuldades financeiras.
Além disso, como a rotina e os problemas cotidianos demandam muito das pessoas, falta energia e motivação para buscar alternativas para combater o estresse e a ansiedade.
Dessa forma, há uma maior tendência a surgirem hábitos que relacionam queda de cabelo e estilo de vida como: sedentarismo, má-alimentação, sono ruim, reposição hormonal, tabagismo e abuso de álcool, dentre outros.
Além disso, a falta de tempo e interesse em cuidar de si faz com que cuidados básicos com o cabelo também sejam negligenciados.
Desse modo, dermatites e outras doenças do couro cabeludo tendem a se agravar, piorando a queda de cabelo.
Quais são os hábitos ruins para os cabelos?
Diversos fatores internos e externos impactam na vitalidade dos fios, sendo muitos deles decorrentes de um ritmo de vida mais acelerado, que não prioriza a saúde como um todo.
Nesse contexto, alguns hábitos se comportam como verdadeiros vilões para a vitalidade capilar.
Estresse e ansiedade
O estresse crônico e a ansiedade são dois fatores cada vez mais presentes na vida das pessoas.
Não por acaso, eles se tornaram duas peças chaves na relação entre queda de cabelo e estilo de vida.
A queda de cabelo por estresse ocorre por diversos motivos.
Um deles é pela ação direta de hormônios como o cortisol e adrenalina, por exemplo.
Outro mecanismo é pela liberação de radicais livres, produtos do estresse oxidativo.
Essas moléculas altamente reativas causam danos capazes de levar à morte precoce das células.
Por fim, o estresse também agrava dermatites no couro cabeludo, que, por sua vez, pioram a queda capilar.
Má-alimentação
A dieta diz muito sobre a vitalidade do cabelo e estilo de vida de uma pessoa.
Somos o que comemos e comemos como somos.
Esse trocadilho fala muito sobre o comportamento alimentar das pessoas.
A relação com a comida reflete a personalidade e momento de vida da pessoa, mas também diz bastante sobre sua saúde.
Com o cabelo não é diferente.
Dietas restritivas, principalmente aquelas que excluem grupos alimentares por completo, podem gerar déficits de nutrientes essenciais para o cabelo, comprometendo o seu desenvolvimento.
Segundo a Academia Americana de Dermatologia, a falta de biotina, ferro, proteína ou zinco, por exemplo, podem precipitar a queda.
Além disso, dados científicos sobre alopecia areata também sugerem um papel do zinco e vitamina D na evolução da doença.
Situações para ilustrar essa questão não faltam. A dieta vegana, por exemplo, pode cursar com deficiências de proteínas, ferro, vitamina B12 e zinco.
O mesmo pode ocorrer após cirurgia bariátrica, transtornos alimentares ou uso de inibidores de apetite.
Seja pelo emagrecimento rápido ou falta de nutrientes, causando deficiência de vitaminas e minerais, a alimentação é um ponto crítico entre queda de cabelo e estilo de vida.
Por isso, é importante ter acompanhamento de um profissional na elaboração e seguimento de uma dieta equilibrada.
Mesmo porque o uso indevido de multivitamínicos e suplementos alimentares também podem fazer o cabelo cair por excesso de vitaminas e minerais.
Sono de má-qualidade
Durante o sono, há um aumento da concentração do hormônio melatonina.
Esse hormônio é o responsável pelo controle da sensação de sono e de despertar.
Outra função da melatonina é atuar na manutenção e proteção das atividades fisiológicas, garantindo o bom funcionamento do organismo, inclusive dos cabelos.
A falta de sono, por sua vez, provoca a desregulação da melatonina, diminuindo assim a proteção e a capacidade de reparação do organismo.
Além disso, a privação do sono aumenta os níveis de estresse e de radicais livres, o que pode contribuir para o aumento da queda de cabelo. Portanto, dormir bem ajuda a ter um cabelo e estilo de vida mais saudáveis.
Sedentarismo
A prática esportiva regular é a melhor maneira de se manter o bom desempenho cardíaco e a circulação sanguínea, contribuindo para a melhora do fluxo de sangue no couro cabeludo.
Uma irrigação adequada é necessária para que nutrientes essenciais cheguem aos folículos, garantindo que os cabelos possam ser saudáveis.
Além disso, o exercício físico é uma arma poderosa no combate ao estresse, um dos grandes vilões da luta entre queda de cabelo e estilo de vida.
Remédios e o aumento da queda de cabelo
O consumo de polivitamínicos está atrelado a outro hábito que vem se tornando cada vez mais comum: a automedicação.
O hábito de se automedicar e a maior facilidade em adquirir medicamentos contribuem para um consumo desnecessário e por vezes até excessivo.
Dentre os produtos mais procurados recentemente, destacam-se certos remédios que podem causar queda de cabelo.
Alguns exemplos são os antidepressivos, inibidores de apetite e hormônios sintéticos.
Outra classe de medicamentos frequentemente associada ao aumento da queda de cabelo e calvície em mulheres são os anticoncepcionais.
Anticoncepcionais
O uso de anticoncepcionais cresceu exponencialmente desde sua aprovação como método contraceptivo na década de 60.
Não por coincidência, também se intensificaram os casos de aumento da queda de cabelo e calvície feminina.
A importância dos hormônios sexuais femininos na saúde capilar pode ser percebida por período pós-parto e menopausa.
Em ambas as situações, mudanças bruscas no nível desses hormônios levam ao aumento da queda de cabelo.
Assim, é esperado que tanto a introdução, substituição ou interrupção de anticoncepcionais possam provocar queda.
Outro aspecto importante é que a progesterona dos anticoncepcionais pode tanto ajudar quanto piorar quadros de alopecia feminina.
Isso porque existem progesteronas que exacerbam os efeitos dos hormônios masculinos e outras capaz de amenizá-los.
Assim, como a calvície feminina tem a participação de hormônios masculinos, o anticoncepcional pode tanto acelerar como retardar o processo.
Por isso, o uso de anticoncepcionais também faz parte do grupo de fatores que relacionam queda de cabelo e estilo de vida.
Anabolizantes
O culto ao corpo e a busca pela melhora da performance têm aumentado muito o uso de anabolizantes e hormônios bioidênticos.
Antes de uso excepcional, eles estão se tornando cada vez mais comuns, especialmente entre homens e mulheres de meia idade.
Mascarados entre outros compostos naturais em fórmulas de manipulação, muitas vezes eles nem são notados.
Por outras vezes, alguns justificam seu uso por terem a indicação com seguimento por um médico “especialista”, usar em doses baixas e por pouco tempo.
No entanto, isso não é bem assim que ocorre na maioria das vezes.
Geralmente as fórmulas contém taxas elevadas de hormônios ou similares e os médicos que prescrevem esses compostos não são endocrinologistas. Assim, não basta ser prescrito por um médico para ser seguro.
Os riscos do uso incorreto dessas substâncias variam desde acne, aumento da pressão, impotência, até câncer e morte.
Do ponto de vista capilar, os anabolizantes podem levar tanto ao aumento da queda de cabelo quanto da calvície.
Dependendo da quantidade usada e da predisposição genética, o quadro pode evoluir rapidamente para a alopecia definitiva.
Portanto, a modulação ou reposição hormonal é uma das grandes responsáveis pelo piora da calvície em mulheres de meia-idade.
Infelizmente, esse é mais um mau hábito que reforça o crescente aumento da queda de cabelo e estilo de vida moderno.
Vícios: tabagismo e abuso de álcool
Nem o cigarro nem a bebida alcoólica causam queda de cabelo diretamente.
No entanto, ambos podem contribuir para o cabelo cair mais.
De acordo com um estudo de 2021, fumantes apresentam maior propensão a quadros precoces de perda de cabelo.
As causas, segundo uma revisão sistemática de 2022, seriam secundárias aos efeitos da nicotina no corpo.
Dentre eles, estariam, por exemplo: a vasoconstrição, danos ao DNA e estruturas celulares pelos radicais livres e alterações hormonais.
O cigarro libera substâncias que diminuem a circulação de sangue no couro cabeludo, diminuindo a oferta de oxigênio e nutrientes aos folículos.
Além disso, o cigarro aumenta a produção de radicais livres, altamente danosos ao folículo.
Por sua vez, o alcoolismo crônico causa déficit importantes de nutrientes do organismo, contribuindo para a falta deles para o cabelo.
Assim, vícios como alcoolismo e tabagismo também são vilões da queda de cabelo e estilo de vida.
Cuidados com o cabelo e estilo de vida
A correria do dia a dia não afeta apenas a rotina de exercícios, sono e alimentação, mas também os cuidados com o cabelo.
A falta de tempo e disposição acaba fazendo com que diminua a frequência de lavar a cabeça ou cortar o cabelo, por exemplo.
Uma boa hidratação ou o cronograma capilar, então, são hábitos ainda mais raros.
Por outro lado, cada vez mais se faz uso de penteados apertados, produtos como shampoo a seco, química ou modeladores térmicos.
Quando não agravam dermatites, esses hábitos fragilizam a fibra capilar, levando ao ressecamento e maior propensão à quebra.
Produtos e procedimentos capilares
A busca por mudanças no visual e a necessidade de acompanhar tendências fazem com os cabelos sejam talvez a parte do corpo mais submetida a procedimentos.
Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento vertiginoso do uso de produtos e procedimentos capilares.
E a internet tem muito a ver com isso.
Em parte, pela maior exposição de celebridades ou outros formadores de opinião em redes sociais e mídias eletrônicas.
Além disso, ao divulgar informações sobre produtos, aparelhos e técnicas, a mídia acaba estimulando seu consumo.
No entanto, a maior manipulação dos cabelos pode trazer alguns riscos.
Químicas como colorações e alisamentos podem danificar o fio provocando sua quebra, além de poder provocar dermatites no couro cabeludo.
Por sua vez, apliques e penteados muito apertados podem levar à alopecia de tração.
O resultado pode ser a perda definitiva dos cabelos.
Portanto, o uso de apliques bem como químicas capilares são outros pontos a se considerar como pontos de ligação entre queda de cabelo e estilo de vida contemporâneo.
Fatores ambientais
É inegável que as condições ambientais como poluição e radiação solar têm piorado com o tempo.
Mas qual a participação desses fatores no aumento da queda de cabelo?
Segundo um estudo do The Journal of Investigative Dermatology, poluentes como o material particulado e o dióxido de nitrogênio aceleram a perda de cabelo,
Um dos possíveis mecanismos para essa ligação entre queda de cabelo e estilo de vida seria a indução do estresse oxidativo.
De acordo com essa teoria, fatores agressores externos estimulariam a formação de radicais livres.
Os radicais livres são compostos altamente reativos que provocam danos à estrutura e função das células.
Por sua vez, os danos capilares resultam em fios brancos, aumento da queda de cabelo e maior progressão da calvície.
Como prevenir a queda de cabelo e calvície através de hábitos saudáveis?
O estilo de vida influencia diretamente a saúde capilar.
No dia a dia, bons hábitos são determinantes na promoção da saúde geral, incluindo dos cabelos.
Antes de pensar em novos tratamentos para queda de cabelo ou calvície, é mais interessante tentar evitar essas situações.
Dessa forma, vale a pena buscar elementos cotidianos possivelmente danosos à saúde capilar.
Alguns desses agravos, bem como os respectivos cuidados para prevenir a perda de cabelo e calvície, serão descritos a seguir.
Queda de cabelo e estilo de vida: dicas e cuidados
Saber o que de fato pode impactar na prevenção da queda de cabelo ajuda na tomada de decisões. Assim, é bom ter atenção aos seguintes pontos.
Manejo do estresse
O estresse ajuda a acelerar a queda ou enfraquecer os cabelos.
Por isso, aprender a lidar com as pressões diárias é fundamental para se viver bem e ter cabelos vistosos.
Para isso, é válido buscar incluir atividades físicas, recreativas e sociais ao longo da agenda.
Além de promover o bem-estar, essas medidas ajudam a equilibrar outros aspectos da vida como sono, controle do peso e da ansiedade.
Atenção aos penteados
Certos penteados são verdadeiras expressões de cultura e identidade.
Esse é o caso, por exemplo, do cornrow (tranças afro), rastafari, dreads, dentre outros.
Entretanto, esses também são estilos com alto nível de tração no couro cabeludo.
A tensão na raiz por longos períodos pode ocasionar a alopecia, com perda de cabelo e calvície permanente.
A alopecia de tração é mais frequente em cabelos afros, bailarinas, atletas, policiais e cozinheiras, por exemplo.
Nesses grupos, a perda de cabelo e calvície ocorrem devido à manutenção, por longos períodos, de penteados muito tensos.
Por essa razão, é importante buscar orientações com profissionais especializados e alternar períodos de cabelo solto.
Evite cigarro e o abuso de álcool
Para fugir da rotina estressante e da ansiedade crescente, parte das pessoas se entregam a vícios como o tabagismo e o etilismo.
Ambos os vícios trazem sensações positivas imediatas, como calma e prazer.
Entretanto, o preço que se paga por esses momentos pode ficar alto demais.
Além de gastar dinheiro para manter esses péssimos hábitos, também há implicações sociais e graves riscos à saúde por conta deles.
Por isso, se a intenção é melhorar a queda de cabelo e estilo de vida, é aconselhável evitar o cigarro e o abuso de álcool.
Cuidado com terapias hormonais
A queda de cabelo e calvície são sensíveis a alterações hormonais.
Desse modo, fórmulas contendo compostos capazes de aumentar hormônios masculinos tendem a agravar o quadro.
Alguns exemplos incluem: Tribulus terrestris, Long Jack, maca peruana, feno grego, somatodrol, ZMA, Testex, gamma oryzanol, ácido d-aspártico, Provacyl.
A testosterona, mesmo em gel, também é uma causa muito comum de queda de cabelo com agravamento da calvície.
Portanto, é bom fugir dessas substâncias para se evitar a queda de cabelo.
Tenha uma alimentação saudável
A comida é um ponto crucial no quesito queda de cabelo e estilo de vida.
Um dos principais mecanismos de queda de cabelo é o eflúvio telógeno.
Por sua vez, entre as possíveis causas de eflúvio está o déficit nutricional.
Nesse caso, a carência dos nutrientes seria um fator de risco a mais para a perda de cabelo.
Portanto, adotar uma alimentação saudável e equilibrada faz parte dos cuidados para promoção da saúde capilar.
Assim, a dieta deve privilegiar alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes, grãos, cereais, restringindo-se opções processadas.
Cuide do cabelo e couro cabeludo
Aprender a cuidar do si faz bem para a vitalidade do cabelo e estilo de vida.
Por isso, é bom saber o que é legal ou não na rotina diária.
Procedimentos químicos como luzes, tinturas, permanente, progressiva, relaxamento e descoloração danificam o fio.
Dependendo da frequência e intensidade desses procedimentos, pode haver quebra dos fios por enfraquecimento da haste capilar.
Dessa forma, deve-se evitar procedimentos químicos no cabelo com intervalos curtos.
Além disso, é essencial investir em uma rotina de hidratação para minimizar os danos decorrentes dessas práticas. O calor também estraga o fio.
Assim, deve-se restringir o uso de chapinha, usando-se o secador de forma correta, de preferência com protetor térmico antes.
Cuidados com o Sol, cloro, mar e uso correto de utensílios com touca, presilha, pentes e escova também contam.
Outro ponto é lavar os cabelos com a frequência e produtos adequados ao tipo de fio e condições do couro.
Sendo assim, no caso de haver dermatites, deve-se lavar o couro com mais frequência e com um shampoo próprio.
Não tome remédios por conta própria A automedicação pode deixar sequelas à saúde, inclusive capilar.
O uso de medicações sem uma correta indicação e seguimento médico aumenta o risco de apresentar efeitos adversos. Um deles é a queda de cabelo.
Aliás, nem mesmo vitaminas e suplementos nutricionais fogem a essa regra, pois a hipervitaminose é uma das causas de queda.
Desse modo para evitar piora dos cabelos, busque uma ajuda profissional.
A Clínica Doppio possui uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície. Além disso, contamos ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.
Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.
